terça-feira, 6 de agosto de 2013

ESPAÇO-TEMPO NÃO É O MESMO PARA TODOS


Além do Cosmos - Mecânica Quântica - 45min.
 
 Gravidade Quântica - 10min

Espaço-tempo não é o mesmo para todos

Com informações da Universidade de Varsóvia - 31/07/2013
Espaço-tempo não é o mesmo para todos
Neste modelo, o espaço-tempo clássico - esse em que vivemos - é criado pela interação da matéria com a gravidade quântica, de forma semelhante a que a estrutura atômica do gelo se forma a partir da água.[Imagem: Faculty of Physics/University of Warsaw

 Fiat Quantum

Antes do Big Bang, o espaço-tempo como nós o conhecemos não existia. Então, como ele nasceu
O processo de criação do espaço-tempo que conhecemos a partir de um estado anterior, dominado pela gravidade quântica, tem sido estudado há anos por teóricos do mundo todo.
Agora, novas análises feitas por físicos da Universidade de Varsóvia, na Polônia, sugerem uma conclusão surpreendente: nem todas as partículas elementares estão sujeitas ao mesmo espaço-tempo.
Vários bilhões de anos atrás, imediatamente após o Big Bang, o Universo era tão denso e tão quente que as partículas elementares sofriam a ação da gravidade muito fortemente.
Por décadas, os físicos de todo o mundo têm tentado descobrir as leis da gravidade quântica que descrevem esta fase da evolução do Universo.

O grupo do professor Jerzy Lewandowski propôs seu próprio modelo do universo quântico. E estudos recentes de suas propriedades surpreenderam os pesquisadores.
As análises feitas por Lewandowski e Andrea Dapor mostram que as diferentes partículas elementares "experienciam" a existência de espaços-tempos diferentes.

Gravidade Quântica
Uma das tentativas para descrever a gravidade quântica é chamada de Teoria da Gravidade Quântica em Circuito Fechado, ou modelo LQG, do inglês Loop Quantum Gravity.
Esta teoria assume que o espaço-tempo é estruturalmente bastante semelhante a um tecido, sendo constituído por um grande número de pequenas fibras emaranhadas em anéis. Uma área de um centímetro quadrado pode conter um milhão de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões (1066) dessas fibras.

Foi o próprio grupo do prof. Lewandowski que desenvolveu um modelo matemático consistente da LQG que combina a mecânica quântica com a relatividade geral.
O modelo pressupõe a existência de dois campos de interação.
Um deles é um campo gravitacional, que pode ser identificado com um espaço, uma vez que, de acordo com a Teoria Geral da Relatividade, a gravidade curva o espaço-tempo, e este espaço-tempo curvo dá origem a efeitos gravitacionais.

O segundo campo no modelo é um campo escalar que atribui um número a cada ponto do espaço. Este campo é interpretado como o elemento mais simples da matéria.
A imagem da realidade nesse modelo é quântica, tendo características muito diferentes das do mundo que experimentamos todos os dias.
Espaço-tempo não é o mesmo para todos
Há muito tempos os físicos tentam desvendar o que aconteceu na noite anterior ao Big Bang. [Imagem: Martin Bojowald]
Do espaço-tempo quântico ao espaço-tempo clássico
Faltava então alinhavar o período quântico com o período clássico que vivemos.
"Nesta situação, parecia natural perguntar: Como é que o espaço-tempo que todos nós conhecemos emerge dos estados primários da gravidade quântica? E, como o espaço-tempo normal nasceria como resultado da interação entre a matéria e a gravidade quântica, poderíamos estar certos de que cada tipo de matéria definitivamente interage com um espaço-tempo que tem as mesmas propriedades?" disse o professor Lewandowski.

Para encontrar respostas para estas perguntas, a equipe primeiro derivou padrões de interação entre a matéria e os efeitos da gravidade quântica para os dois casos matematicamente mais simples: para partículas de massa zero em repouso e para partículas simples (escalares) de massa não-zero em repouso.

No Modelo Padrão, que descreve as partículas elementares e suas interações, as partículas sem massa relevantes seriam os fótons, e partículas escalares com massa seriam o famoso bóson de Higgs, responsável pela massa das outras partículas: quarks e elétrons, múons, taus e seus neutrinos associados.
Depois de derivar as equações que representam o comportamento das partículas de acordo com as leis do modelo da gravidade quântica, os físicos começaram a verificar se equaçõe

Espaço-tempo não é o mesmo para todos
Outra discussão relacionada a esta é se o próprio tempo é real ou é uma ilusão. [Imagem: FQXi]
 
Isotropia
A tarefa se mostrou possível para as partículas sem massa. O procurado espaço-tempo era isotrópico, ou seja, tinha as mesmas propriedades em todas as direções.
"De acordo com o modelo simplificado que pesquisamos, independentemente de o fóton ter momento maior ou menor, mais ou menos energia, o espaço-tempo aparece para ele como sendo o mesmo em todas as direções," explica o Prof Lewandowski.

Para as partículas com massa a situação foi diferente, com a existência de massa impondo uma condição adicional específica sobre a teoria.

Os físicos demonstraram que um espaço-tempo clássico que satisfaça simultaneamente a condição de massa e tenha as mesmas propriedades em todas as direções não pode ser calculado.
O espaço-tempo apropriado poderia ser encontrado apenas entre espaços-tempos anisotrópicos - a direção preferencial desses espaços-tempos seria a direção do movimento da partícula.
"Partículas com massa não só experienciam diferentes espaços-tempos do que os fótons, mas cada uma vê a sua própria versão particular de espaço-tempo, dependendo da direção em que ela se move. Esta descoberta realmente nos pegou de surpresa," conta Andrea Dapor.
Assim, o espaço-tempo clássico emergiria da interação entre a matéria e a gravidade quântica de forma semelhante a que a estrutura atômica do gelo se forma a partir do congelamento da água líquida e seus átomos desordenados.

Espaço-tempo não é o mesmo para todos
Embora seja difícil comprovar esta nova teoria, dados recentes desafiam a "física pós-Einstein". [Imagem: ESA/SPI Team/ECF]
 
Comprovação difícil
Será que isto significa que o Universo das partículas com massa não é isotrópico? Tal afirmação seria de enorme importância experimental e observacional. No entanto, a resposta é não, já que o Universo não parece ter uma direção preferencial.
Como observadores que estudam o comportamento das partículas elementares, nós somos clássicos, e não quânticos, e, em certo sentido, estamos "fora" do mundo das partículas.
Assim, não seria relevante que cada partícula "experiencie" seu próprio espaço-tempo - ainda que isto seja real.
Além disso, independentemente da direção do seu movimento, todas as partículas observadas em laboratório têm exatamente as mesmas características.
Por esta razão, confirmar experimentalmente as previsões teóricas da equipe polonesa não será uma tarefa trivial.

Foi esta a conclusão a que chegou a comunidade física que discutiu esses resultados durante a 20ª Conferência Internacional sobre Relatividade Geral e Gravitação, que terminou no último sábado.


 Fontes:
 http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?
artigo=espaco-tempo-nao-mesmo-todos&id=010130130731
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domingo, 4 de agosto de 2013

TEILHARD DE CHARDIN: A NATUREZA COMO CAMINHO PARA DEUS - Mozart Great Mass in C minor K 427



Mozart Great Mass in C minor K 427


Maestrina - Laurence Equilbey!   Isn't she astounding!?
Soprano Julie Fuchs
Mezzo-Soprano Ann Hallenberg
Tenor Benjamin Hulett
Baryton Markus Werba

Orchestera Insula Orchestra

1.Kyrie (andante moderato) 2. Gloria Gloria in excelsis deo (allegro vivace) : 7'38 Laudamus te (allegro aperto) : 10'11 Gratias agimus tibi (adagio) :15'05 Domine Deus (allegro moderato) : 16'10 Qui tollis (largo) : 19'20 Quoniam tu solus (allegro) : 24'50 Jesu Christe : 29'20 Cum Sancto Spiritu : 30'00 3.Credo Credo in unum deum (allegro maestoso) : 33'39 et incarnatus est (andante) : 37'20 4.Sanctus Sanctus (largo) : 46'20 Hosanna : 48'00 Benedictus (allegro commodo) : 50'00

Teilhard de Chardin: 

a natureza como um caminho para Deus

Na visão de Paul Schweitzer, a maior contribuição de Teilhard de Chardin 

foi a visão integradora de ciência empírica e fé cristã

Por: Graziela Wolfart, Gilda Carvalho e Eliana Yunes

“Para Teilhard, a natureza e as suas leis retratam a presença e a ação de Deus. Ele não somente tem uma confiança forte na compatibilidade entre a ciência correta e a fé cristã, mas vê que uma contribui para a outra. A ordem extraordinária do mundo natural reflete a sabedoria e a bondade de Deus”. A descrição é do professor e padre jesuíta Paul Schweitzer, na entrevista que concedeu, por e-mail, para a IHU On-Line. E ele completa, afirmando que “a evolução, segundo a visão teilhardeana, não é totalmente cega, mas, segundo a lei dos grandes números, ela tem uma flecha, uma direção, que Teilhard chama de ortogênese. Ele vê a progressão do universo tendendo para a plenitude no Cristo”. Para Paul Schweitzer, “a visão de Teilhard oferece uma maneira de encarar o universo como criação de Deus, em total concórdia com a ciência atual. Aliás, a visão que ele oferece é bem mais digna e mais adequada, porque integra a ciência e a fé numa união mutuamente benéfica. O universo, nas suas maravilhas e belezas, revela-se e brilha como obra prima de Deus”.

Paul Alexander Schweitzer é um padre jesuíta americano, naturalizado brasileiro, que vive há mais de 35 anos no Brasil. Atualmente, é professor de matemática na PUC-Rio. Membro da Academia Brasileira de Ciências, é graduado em Teologia e Matemática, mestre em Filosofia e doutor em Matemática pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Sabemos que as proposições do pesquisador Teilhard de Chardin provocaram reações contundentes por parte da Filosofia e da Teologia, até então habituadas de alguma forma a uma posição hegemônica na produção do conhecimento científico.  No tocante à produção de conhecimento das Ciências ditas Exatas, qual a(s) contribuição(ões) efetiva(s) de Chardin? 
Paul Schweitzer - Desde criança, Pierre Teilhard de Chardin tinha um interesse forte pela natureza. Colecionava pedras e fósseis. Ainda jovem, descobriu fósseis de várias épocas geológicas, inclusive algumas de espécies novas, e uma delas recebeu o nome “Teilhardi” em sua honra. Ele se entusiasmou pela evolução refletida na progressão dos fósseis de uma época a outra. Na sua carreira de pesquisador, chegou a publicar muitos trabalhos científicos sobre a geologia e a paleontologia. Teilhard trabalhou na China durante muitos anos. Fez parte da equipe que descobriu o “homem de Pekin”, fósseis de Homo erectus de cerca de 700 mil anos atrás, parte do “elo perdido” na evolução do homem de hoje. Podemos dizer que foi um cientista devoto, competente e produtivo. Seu destaque como cientista eminente foi reconhecido quando convidado a ser professor no Collège de France, a posição do mais alto nível no ensino na França. A maior contribuição de Teilhard, no entanto, foi a visão integradora de ciência empírica e fé cristã. Ele foi profundamente influenciado pelas ideias de São Paulo sobre a atuação do Cristo no universo. Viu na evolução a obra do Cristo aperfeiçoando a natureza que criou. Tudo converge para o ponto Omega, a plenitude de toda a criação no Cristo.

IHU On-Line - Teilhard de Chardin foi um autor produtivo ao expor uma cosmovisão original e ousada, fortemente marcada pela teoria da evolução e que lhe valeu vários dissabores no seu relacionamento com a Igreja. Em que aspectos, especificamente, sua visão científica confrontava com a da Igreja de sua época?
Paul Schweitzer - Teilhard via, na evolução, o dedo de Deus Criador, aperfeiçoando a sua obra enquanto alguns católicos consideravam a teoria de evolução como incompatível com a fé. O pensamento de Teilhard encarou a evolução como a estratégia que Deus adotou na criação do universo, subindo desde as formas mais primitivas da vida para chegar ao ser humano, no processo que ele chamou de “hominização”. Para ele, a evolução não era uma teoria contrária aos relatos bíblicos. Ao contrário, mostrou a presença de Deus na natureza. A integração da evolução no pensamento teológico de Teilhard contribuiu muito para a aceitação da evolução pela Igreja. Foi evitada uma condenação da teoria da evolução pelo Magistério, uma condenação que poderia ter causado tantos danos à Igreja como o caso de Galileu.

No conceito do “Cristo cósmico”, Teilhard recuperou aspectos da teologia cristã antiga, especialmente da Igreja Oriental. Enquanto a Igreja Católica no ocidente dava enorme ênfase ao Pecado Original, que desfigura e enfraquece o ser humano, levando à Paixão e Morte do Cristo para a salvação da humanidade, vários teólogos orientais patrísticos viam a Encarnação mais como parte do plano de Deus de elevar o ser humano a uma participação na própria vida divina. Nessa concepção, não foi o pecado de Adão (“felix culpa”) que levou à Encarnação, mas foi o plano eterno de Deus Pai. Teilhard não negava o Pecado Original, mas olhava mais a vontade do Pai de elevar o ser humano. Alguns escritores criticavam Teilhard e achavam que o seu pensamento não era ortodoxo nesse detalhes, e isso é compartilhado por vários padres da Igreja.

Devemos lembrar que Teilhard viu uma direção que guiava a evolução, direção essa que chamava de “ortogênese”. Para ele, a evolução não era cega, mas avançava a níveis cada vez mais altos, passando pela biogênese até chegar à hominização na “noosfera”. Tudo tende ao ponto Omega, à plenitude em Cristo. “Tudo que sobe converge.” Essa posição tem sido criticada e rejeitada por muitos biólogos, mas essa rejeição é um preconceito, não uma conclusão científica.

IHU On-Line - E hoje? Essas divergências persistem? Como o senhor percebe que a figura do pesquisador Teilhard de Chardin é atualmente considerada pela Igreja Católica?
Paul Schweitzer - Logo após a morte de Teilhard no domingo da Páscoa, em 1955, quando as suas obras começavam a ser publicadas pela sua secretária Jeanne-Marie Mortier, muitos católicos ficaram entusiasmados pela visão teilhardeana. Eu me lembro do prazer com o qual líamos as obras dele. Esse grande interesse no pensamento de Teilhard foi diminuindo com o tempo, mas agora há um interesse renovado nele. Hoje em dia, há uma aceitação e um entendimento cada vez maior de Teilhard. O eminente teólogo jesuíta Henri de Lubac,  um amigo de Teilhard, escreveu vários livros sobre ele, mostrando a ortodoxia de seu pensamento. De Lubac também passou por críticas, mas foi um dos teólogos mais importantes no Concílio Vaticano II,  e foi feito cardeal na sua velhice como prêmio pelas grandes contribuições que fez à Igreja. Durante a sua vida, Teilhard circulava seus escritos num grupo pequeno de amigos, entre eles o Pe. de Lubac, para receber sugestões e comentários. Foi uma pena enorme a proibição da publicação das obras de Teilhard durante a sua vida, porque teria permitido um diálogo com outros intelectuais, e esse diálogo teria enriquecido as ideias e esclarecido alguns pontos escuros. Teilhard, sempre fiel à Igreja e à fé cristã, poderia ter explicado melhor suas ideias e evitado a suspeita de faltas contra a ortodoxia. As interpretações erradas e a falta de compreensão de certas ideias de Teilhard poderiam ter sido evitadas. Hoje em dia, felizmente, já são quase totalmente superadas.

IHU On-Line - Que contribuições os embates e aproximações entre Teilhard de Chardin e a Igreja trouxeram ao diálogo entre a fé e a ciência?
Paul Schweitzer - Para Teilhard, a natureza e as suas leis retratam a presença e a ação de Deus. Ele não somente tem uma confiança forte na compatibilidade entre a ciência correta e a fé cristã, mas vê que uma contribui para a outra. A ordem extraordinária do mundo natural reflete a sabedoria e a bondade de Deus. A fé no Criador ajuda a crer que toda a pré-história e história do universo, desde o Big Bang há uns 13,7 bilhões de anos até hoje, tem um sentido, e que ela vai convergindo para a plenitude no Cristo. Conforme o Prólogo do Evangelho, segundo João, “Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada se fez do que foi feito” [Jo 1,3]. Na Carta aos Efésios, Paulo prevê o que Teilhard chama o ponto Omega: “levar os tempos à sua plenitude: reunir o universo inteiro sob um só chefe, Cristo! [Ef 1,10]. Essa visão do “Cristo cósmico” une a fé cristã e o estudo do universo pela ciência.

Outra contribuição importante de Teilhard é de atribuir consciência a tudo que existe no universo, embora numa forma somente em potência. A consciência somente se revela, segundo a Lei de Complexidade-Consciência de Teilhard, na medida em que haja uma organização material que possa sustentá-la. Essa visão fenomenológica supera a cisão cartesiana tão problemática entre matéria e mente. A evolução, segundo a visão teilhardeana, não é totalmente cega, mas, segundo a lei dos grandes números, ela tem uma flecha, uma direção, que Teilhard chama de ortogênese. Ele vê a progressão do universo tendendo para a plenitude no Cristo.

IHU On-Line - A vida de Teilhard de Chardin desde a sua adolescência, como nos contam os biógrafos, foi uma vida movida pelo desejo de procurar um Deus sempre maior, um Deus para além daquilo que aos olhos dos cristãos já mostrava a presença de Deus. Quais são os traços mais característicos desse seu encontro pessoal com Deus presentes na sua produção científica?
Paul Schweitzer - Teilhard tinha uma convicção profunda que o Deus cristão que encontramos na fé, na oração e nos sacramentos, revela-se igualmente na natureza. Ele contemplava essa presença divina na sua oração e no seu trabalho científico. A natureza foi, para ele, um caminho para Deus. Na tradição inaciana que ele recebeu como jesuíta, aprendeu a ver todas as coisas em Deus, e Deus em todas as coisas. A oração diária e a contemplação da presença de Deus em tudo, prática constante ao longo da vida de Teilhard, foi uma fonte da sua cosmovisão. Ele não somente estudava a natureza, mas também contemplava a ela e a Deus nela.

IHU On-Line - Como podemos estabelecer uma relação entre o pensamento teológico de Teilhard de Chardin e o creacionismo que vem sendo retomado com força por uma corrente de pensamento anglo-saxônica?
Paul Schweitzer - As pessoas que defendem o criacionismo e o “desígnio inteligente” são cristãs sérias e têm fé, mas, geralmente, esta é uma fé primária e simplista. Ignoram os avanços nos estudos bíblicos dos últimos dois séculos. Sem entender como Deus inspirou os autores sagrados, interpretam as palavras da Bíblia literalmente, e essa interpretação entra em choque com os avanços da ciência empírica dos últimos quatro séculos. (Podemos lembrar também que há textos bíblicos atribuindo a Deus mãos, olhos, etc., textos que evidentemente não admitem uma interpretação literal). A cosmovisão de Teilhard oferece uma resolução desse choque, porque vê a presença e a ação de Deus nas leis da natureza. Santo Agostinho, no seu comentário sobre os primeiros capítulos do livro do Gênesis, escreveu que não se devia insistir numa interpretação literal dos textos da Bíblia, porque poderia acontecer que a ciência mostraria que as coisas não eram assim, e, dessa forma, causaria desprezo pela fé cristã. E de fato isso aconteceu. Galileu, na carta que escreveu à Grã-Duquesa Cristina, durante o conflito sobre os seus escritos, citou os textos de Santo Agostinho, mas muitas pessoas não lhes deram atenção. A visão de Teilhard oferece uma maneira de encarar o universo como criação de Deus, em total concórdia com a ciência atual. Aliás, a visão que ele oferece é bem mais digna e mais adequada, porque integra a ciência e a fé numa união mutuamente benéfica. O universo, nas suas maravilhas e belezas, revela-se e brilha como obra prima de Deus.

IHU On-Line - Poderíamos, então, dizer que Teilhard de Chardin viveu efetivamente o ideal inaciano de ser um homem “contemplativo na ação”?
Paul Schweitzer - Sem dúvida! Teilhard é um modelo excelente da maneira de ser contemplativo na ação, especialmente para hoje. Foi exatamente pela sua oração e reflexão — a dimensão contemplativa na sua vida — que chegou a formular a sua cosmovisão. Podemos lembrar a “Missa sobre o Mundo”, quando Teilhard estava no Deserto Ordos, na China, sem pão nem vinho para celebrar a Eucaristia. Na sua oração, ele ofereceu o novo dia que se iniciava com o sol que se levantava, com todas as obras do mundo todo naquele dia, como hóstia consagrada a Deus. A presença do Cristo Ressuscitado impregna todo o universo com uma força divina que o vai aperfeiçoando. Podemos terminar com a palavra inspirada de Teilhard: “Tudo que sobe converge!” — a convergência de toda a criação para a plenitude que o seu Criador preparou para ela.
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>> Paul Schweitzer já concedeu outras entrevistas à IHU On-Line:
* A dimensão espiritual do cosmos – publicada na IHU On-Line número 142, de 23-05-2005.


amikohono  
Publicado em 27/12/2012-Licença padrão do YouTube

Rachmaninoff Symphony no.2 op.27 [HD]


Rachmaninoff Symphony no.2 op.27 [HD] 

 Rachmaninov: Symfonie no.2 op. 27
Radio Filharmonisch Orkest olv. Eivind Gullberg Jensen
3 oktober Concertgebouw Amsterdam


Sergei Rachmaninoff
Sergei Vasilievich Rachmaninoff foi um compositor, pianista e maestro russo, um dos últimos grandes expoentes do estilo Romântico na música clássica européia. 
 
Altura: 1,98 m
Composições: Piano Concerto No. 2, Concerto para piano n.º 3, Mais

 

Sergei Vasilievich Rachmaninoff (em russo: Сергей Васильевич Рахманинов, Semyonovo, 1 de abril de 1873 — Beverly Hills, 28 de março de 1943) foi um compositor, pianista e maestro russo, um dos últimos grandes expoentes do estilo Romântico na música clássica européia. "Sergei Rachmaninoff" foi como o próprio compositor grafou seu nome quando viveu no ocidente, durante a última metade de sua vida. Entretanto, transliterações alternativas de seu nome incluem Sergey ou Sergej, e Rachmaninov, Rachmaninow, Rakhmaninov ou Rakhmaninoff.

Rachmaninoff é tido como um dos pianistas mais influentes do Século XX. Seus trejeitos técnicos e rítmicos são lendários, e suas mãos largas eram capazes de cobrir um intervalo de uma 13ª no teclado (um palmo esticado de cerca de 30 centímetros). Especula-se se ele era ou não portador da Síndrome de Marfan, já que se pode dizer que o tamanho de suas mãos correspondia à sua estatura, algo entre 1,91 e 1,98 m. Ele também possuía a habilidade de executar composições complexas à primeira audição. Muitas gravações foram feitas pela Victor Talking Machine Company, com Rachmaninoff executando composições próprias ou de repertórios populares.

Sua reputação como compositor, por outro lado, tem gerado controvérsia desde sua morte. A edição de 1954 do Grove Dictionary of Music and Musicians notoriamente desprezou sua música como "monótona em textura… consistindo principalmente de melodias artificiais e feias" e previu seu sucesso como "não duradouro". A isto, Harold C. Schonberg em seu Vidas dos Grandes Compositores, respondeu, "é uma das colocações mais vergonhosamente esnobes e mesmo estúpidas a ser encontrada num trabalho que se propõe a ser uma referência objetiva". De fato, não apenas os trabalhos de Rachmaninoff tornaram-se parte do repertório padrão, mas sua popularidade tanto entre músicos quanto entre ouvintes vem, no mínimo, crescendo desde a segunda metade do Século XX, com algumas de suas sinfonias e trabalhos orquestrais, canções e músicas de coral sendo reconhecidas como obras-primas ao lado dos trabalhos para piano, mais populares.

Suas composições incluem, dentre várias outras: quatro concertos para piano; a famosa Rapsódia sobre um tema de Paganini; três sinfonias; duas sonatas para piano; três óperas; uma sinfonia para coral (The Bells, ou Os Sinos, baseado no poema de Edgar Allan Poe); vinte e quatro prelúdios (incluindo o famoso Prelúdio em Dó Sustenido Menor); dezessete études; muitas canções, sendo as mais famosas a V molchanyi nochi taynoi (No Silêncio da Noite), Lilacs e a sem-letra Vocalise; e o último de seus trabalhos, as Danças Sinfônicas. A maioria de suas peças é carregada de melancolia, um estilo romântico tardio lembrando Tchaikovsky, embora apareçam fortes influências de Chopin e Liszt.
Inspirações posteriores incluem a música de Balakirev, Mussorgsky, Medtner (o qual ele considerou o maior compositor contemporâneo e que, de acordo com o Lives de Schonberg, retornou ao complemento por imitá-lo) e Henselt.

Vida

Juventude

Rachmaninov nasceu em Semyonovo, perto de Novgorod, no noroeste da Rússia, em uma nobre família descendente dos tártaros, que esteve a serviço dos tsares russos desde o Século XVI. Seus pais foram ambos pianistas amadores, e ele teve suas primeiras lições de piano com sua mãe; entretanto, seus pais não notaram nenhum talento extraordinário no jovem. Por causa de problemas financeiros, a família se mudou para São Petersburgo, onde Rachmaninov estudou no Conservatório da cidade antes de ir para Moscou. Lá, ele estudou piano com Nikolai Zverev e Alexander Siloti (que era seu primo e ex-estudante de Liszt). Ele também estudou harmonia com Anton Arensky, e contraponto com Sergei Taneyev.

Deve-se observar que, no início, Rachmaninov era considerado preguiçoso, faltando muito às aulas para ir patinar. Foi o rigoroso regime da casa de Zverev (que hospedou vários músicos jovens, como Scriabin) que o disciplinou.

Ainda jovem começou a mostrar grande habilidade em suas composições. Enquanto ainda era estudante, ele escreveu uma ópera de um ato, Aleko (que lhe rendeu uma medalha de ouro em composição), seu primeiro concerto para piano, um conjunto de peças para piano, Morceaux de Fantaisie (Op. 3, 1892), incluindo o popular e famoso Prelúdio em Dó Sustenido Menor. (De acordo com as anotações de Francis Crociata na caixa com 10 CDs de gravações de Rachmaninov da RCA, o compositor ficou confuso com a fascinação do público por essa peça, composta quando ele tinha apenas 19 anos de idade. Ele muitas vezes importunou pessoas da platéia perguntando "Oh, será que precisa?" ou dizendo não se lembrar.) Rachmaninov confidenciou a Zverev seu desejo de compor mais, pedindo uma sala privativa onde ele poderia compor em silêncio, mas Zverev via nele apenas um pianista e estreitou suas relações com o garoto. Após o sucesso de Aleko, entretanto, Zverev o aceitou de volta como compositor e pianista. Na verdade, suas primeiras peças sérias para piano foram compostas e executadas ainda como estudante, aos treze anos, durante sua residência com Zverev. Em 1892, aos 19 anos, completou seu Concerto para Piano No. 1 (Op. 1, 1891), que ele revisou em 1917.

O jovem Rachmaninov

Passos iniciais

A Sinfonia No. 1 (Op. 13, 1896) estreou em 27 de março de 1897 junto com uma longa série de "Concertos Sinfônicos Russos", mas foi deixado de lado pela crítica. Num comentário pitoresco de César Cui, ela foi comparada à descrição das dez pragas do Egito e sugerido que ela seria admirada pelos "inatos" de um conservatório de música no inferno. (Note-se, César Cui é o único membro do grupo nacionalista de compositores russos conhecido como o Grupo dos Cinco cuja música é raramente executada hoje em dia.) Tais críticas são geralmente atribuídas à inadequação da performance; a condução de Alexander Glazunov é geralmente lembrada como um problema: ele gostou da peça, mas era um maestro fraco e estava faminto na hora da execução. A esposa de Rachmaninov, mais tarde, sugeriu que Glazunov parecia bêbado e, apesar disto nunca ter sido dito por Rachmaninov, este não parecia alterado. A recepção desastrosa, combinada com a preocupação da objeção da Igreja Ortodoxa contra o casamento com sua prima, Natalia Satina, contribuiu para um colapso mental seguido de um período em depressão.

Ele escreveu pouca música nos anos seguintes, até começar um curso de Terapia Auto-Sugestiva com o psicólogo Nikolai Dahl, que coincidentemente havia sido um músico amador; Rachmaninov rapidamente recuperou sua auto-confiança. Um importante resultado dessas sessões foi a composição do Concerto para Piano No. 2 (Op. 18, 1900-01), que foi dedicado ao Dr. Dahl. A peça foi bem recebida em sua estréia, na qual o próprio Rachmaninov foi o solista, e continua sendo até os dias de hoje uma de suas composições mais populares.

O espírito de Rachmaninov se acalmou mais tarde quando, após anos de tentativas, ele finalmente conseguiu permissão para se casar com Natalia. Eles se casaram num subúrbio de Moscou com um padre militar em 29 de abril de 1902, e a união durou até a morte do compositor. Após várias apresentações como maestro, foi oferecido a Rachmaninov o cargo de maestro do Teatro Bolshoi em 1904, embora razões políticas o levaram a se resignar em março de 1906, após o que ele foi para a Itália (em Florença e depois em Marina di Pisa) até julho. Ele passou os três invernos seguintes em Dresden, na Alemanha, trabalhando intensivamente como compositor e retornando à familiar Ivanovka apenas nos verões.

Rachmaninov fez várias gravações

Emigração para os EUA

Rachmaninoff fez suas primeiras apresentações nos Estados Unidos como pianista em 1909, um evento para o qual ele compôs o Concerto para Piano Nº 3 (Op. 30, 1909). Estas apresentações bem-sucedidas fizeram dele uma figura popular na América.

Após a Revolução Russa de 1917, que significou o fim da velha Rússia, Rachmaninoff junto com sua esposa e duas filhas deixou San Petersburgo e foi para Estocolmo em 22 de dezembro de 1917. Eles nunca retornariam para casa novamente. Rachmaninoff então se estabeleceu na Dinamarca e passou um ano fazendo concertos pela Escandinávia. Ele saiu de Oslo (então Kristiania) para Nova Iorque em 1 de novembro de 1918, o que marcou o início do período americano da vida do compositor. Após a partida de Rachmaninoff, sua música foi banida na União Soviética por muitos anos. Sua produção musical diminuiu, em parte porque ele teve que passar parte de seu tempo com sua família, mas principalmente por causa da saudade de sua terra natal; ele sentiu que deixar a Rússia foi como deixar para trás sua inspiração.

O declínio nas composições de Rachmaninoff foi dramático. Entre 1892 e 1917 (vivendo principalmente na Rússia), ele escreveu trinta e nove composições com números opus. Entre 1918 e sua morte em 1943, enquanto vivia nos Estados Unidos, ele completou apenas seis.

Instalando-se nos Estados Unidos, Rachmaninoff começou a fazer gravações para Thomas Edison em 1919, usando um piano vertical o qual o inventor admitiu ser de qualidade inferior; entretanto, os discos renderam fama ao compositor. No ano seguinte ele assinou um contrato exclusivo com a Victor Talking Machine Company e continuou a fazer gravações com a Victor até fevereiro de 1942.

Em 1931, junto com outros exilados russos, ele ajudou a fundar uma escola de música em Paris que posteriormente ganharia seu nome, o Conservatoire Rachmaninoff. Sua Rapsódia Sobre um Tema de Paganini, um de seus trabalhos mais conhecidos hoje em dia, foi escrito na Suíça em 1934. Ele voltou a compor na Sinfonia No. 3 (Op. 44, 1935-36) e as Danças Sinfônicas (Op. 45, 1940), seu último trabalho completo. Eugene Ormandy e Philadelphia Orchestra estrearam as Danças Sinfônicas em 1941 na Academy of Music. Rachmaninoff caiu doente durante uma turnê de concertos em 1942, e foi subseqüentemente diagnosticado com um melanoma maligno.

Rachmaninoff e sua esposa tornaram-se cidadãos americanos em 1 de fevereiro de 1943. Seu último recital, em 17 de fevereiro de 1943 no Alumni Gymnasium da Universidade de Tennessee em Knoxville, profeticamente performando a Sonata No. 2 em Si Bemol Menor de Chopin, que contém a famosa marcha fúnebre. Uma estátua comemorativa do último concerto de Rachmaninov existe no Parque de World's Fair, em Knoxville.

À medida que Rachmaninoff teve cada vez mais certeza de que não voltaria mais à sua terra natal, ele foi sendo tomado pela melancolia. Muitas pessoas que chegaram a conhecê-lo somente nesta época o descreveram como o homem mais triste que eles já haviam visto. Numa entrevista em 1961, o maestro Ormandy declarou:
Rachmaninoff foi, na realidade, duas pessoas. Ele odiava sua própria música e estava geralmente infeliz ao executá-la ou conduzi-la para o público, então é este lado triste que o público conhece. Entretanto, entre seus amigos mais próximos, ele tinha um senso de humor muito bom e tinha um bom espírito.
—Eugene Ormandy

Morte

Rachmaninov morreu em 28 de março de 1943, em Beverly Hills, na Califórnia, apenas alguns dias antes de seu 70º aniversário, e foi enterrado em 1 de junho no cemitério de Kensico, em Valhalla. Nas horas finais de sua vida, ele insistia que podia ouvir música tocando em algum lugar por perto. Após ser repetidamente assegurado de que não era o caso, ele declarou: "então a música está na minha cabeça".

Trabalhos

Rachmaninoff escreveu cinco trabalhos para piano e orquestra: quatro concertos e a Rapsódia Sobre um Tema de Paganini. Dos concertos, o Segundo e o Terceiro são os mais populares, e são considerados do mais alto nível dos concertos para piano do Romantismo. O Terceiro é largamente considerado um dos concertos para piano mais difíceis do mundo, sendo assim favorito entre muitos pianistas virtuosos, embora o próprio Rachmaninoff tenha dito que sentia o Terceiro "fluir mais facilmente nos dedos" do que o Segundo. As performances definitivas do Terceiro foram executadas por Vladimir Horowitz, e o próprio compositor elogiou o domínio com o qual Horowitz executava a peça – "ele a engoliu inteira!", observou Rachmaninoff.

Trabalhos para piano solo incluem os Prelúdios Opp. 23 e 32 que, junto com o Prelúdio em Dó Sustenido Menor, Op. 3 No. 2, de Morceaux de Fantaisie, percorrem todos os 24 tons maiores e menores. Os Études-Tableaux são particularmente difíceis. Há também o Moments Musicaux, Op. 16, a Variações Sobre um Tema de Chopin, Op. 22, e a Variações Sobre um Tema de Corelli, Op. 42. Ele escreveu duas sonatas para piano, sendo estes dois trabalhos monumentais e perfeitos exemplos do gênero pós-romântico. Rachmaninoff também compôs trabalhos para dois pianos e quatro mãos, incluindo duas suítes (a primeira subtitulada Fantasie-Tableaux), uma versão das Danças Sinfônicas, Op. 45, e a Rapsódia Russa, Op. posth.

Rachmaninoff escreveu três sinfonias, das quais a Primeira, em ré menor, foi uma catástrofe. Ele rasgou a partitura e durante muitos anos acreditou-se que ela estava perdida; entretanto, após a sua morte, as partes orquestrais foram encontradas no Conservatório de Leningrado e a partitura foi reconstruída, tendo sua segunda performance (e estréia americana) em 19 de março de 1948, em um concerto totalmente dedicado a Rachmaninoff, marcando o quinto aniversário de morte do compositor. A Segunda e a Terceira sinfonias são ambas consideradas dois de seus maiores trabalhos. Outros trabalhos orquestrais incluem A Pedra, Capriccio on Gypsy Themes, The Isle of the Dead (A Ilha dos Mortos) e as Danças Sinfônicas.

Rachmaninoff escreveu duas grandes peças para coral a capella: Liturgy of St John Chrysostom e All-Night Vigil (também conhecido como Vespers). Os Sinos, uma peça para coral e orquestra, é baseado no poema traduzido de Edgar Allan Poe; sua fluência de quatro movimentos significa o ciclo da vida: juventude, casamento, maturidade e morte. All-Night Vigil e Os Sinos são amplamente admirados. O próprio Rachmaninoff os considerava favoritos dentre seus trabalhos.

Sua música de câmara inclui dois trios de piano, chamados Trio Elégiaque, e uma sonata para violoncelo. Em sua música de câmara, o piano é percebido por alguns como dominante entre os instrumentos.

Ele completou três óperas, sendo Aleko, The Miserly Knight e Francesca da Rimini. Ele deixou incompleta a Monna Vanna, uma ópera baseada numa obra de Maurice Maeterlinck, que começou a compor em 1907.

Ele também compôs canções para voz e piano, baseado em peças de Aleksey Tolstoy, Alexandre S. Pushkin, Johann von Goethe, Percy Bysshe Shelley, Victor Hugo e Anton Tchékhov, dentre outros.

Estilo de composição

Retrato de Rachmaninoff por Konstantin Somov
 
O estilo de Rachmaninoff é fundamentalmente russo: sua música mostra a influência do ídolo de sua juventude, Tchaikovsky; entretanto, sua linguagem harmônica se expandiu por sobre e além de Tchaikovsky. Os motivos usados por Rachmaninoff freqüentemente incluem o Dies Irae, muitas vezes apenas fragmentos da primeira frase. Isto é especialmente prevalente em Os Sinos, A Ilha dos Mortos, Rapsódia Sobre um Tema de Paganini e todas as suas sinfonias; no segundo movimento da Segunda, por exemplo, é a base para a harmonia de uma das melodias características de Rachmaninoff.

Também especialmente importante é o uso do som de sinos. Isto ocorre em muitas peças, mais notavelmente em Os Sinos, no Concerto para Piano No. 2 e no Prelúdio em Si Menor. Cânticos russos ortodoxos também eram de sua afeição. Ele os usa mais perceptivelmente em Vespers, mas muitas de suas melodias se originam desses cânticos, como o início da Sinfonia No. 1. Note-se que a melodia de abertura do Concerto para Piano No. 3 não é derivada desses cânticos, um conceito errôneo que muitos músicos têm em mente; o próprio Rachmaninoff, quando perguntado, disse que ele mesmo a havia escrito.
Em movimentos scherzo ele muitas vezes utilizou uma forma modificada de rondó, geralmente abrindo com uma idéia rítmica leve e em seguida inserindo uma "brisa fresca" na forma de uma bela melodia romântica, para então terminar a peça de uma forma similar a um scherzo. Exemplos disso podem ser encontrados no último movimento do Segundo Concerto, o scherzo da Sonata para Violoncelo e o scherzo da Segunda Sinfonia. Ele também usava freqüentemente a fuga nos desenvolvimentos.
Rachmaninoff tinha um grande domínio sobre a escrita de contraponto e fuga. A ocorrência do Dies Irae supramencionada na Segunda Sinfonia é um pequeno exemplo disto. Uma característica bastante presente é também o contraponto cromático.

Seus últimos trabalhos, como o Concerto para Piano No. 4 (Op. 40, 1926) e a Variations on a Theme of Corelli (Op. 42, 1931), foram compostos com um estilo mais emocionalmente detalhista, fazendo deles os menos populares apesar da originalidade musical. Nessas últimas composições, Rachmaninoff demonstrou um maior senso de desenvolvimento comprimido e motívico em seus trabalhos à custa das melodias. Não obstante, algumas de suas mais belas – nostálgicas e melancólicas – melodias ocorrem na Terceira Sinfonia, na Rhapsody on a Theme of Paganini e nas Danças Sinfônicas, esta última sendo considerada sua canção do cisne e que faz referência ao Alliluya do Vespers e ao primeiro tema de sua Primeira Sinfonia (nenhuma das quais deve ter sido reconhecida por muitos dos ouvintes na ocasião da estréia).

Curiosidades

  • Em 1923 Rachmaninoff se introduziu no pioneirismo da aviação ao estudar os desenhos de Igor Sikorsky e, de acordo com o filho de Sikorsky, doou uma quantia de $5000 e disse "eu acredito em você, confio em você, pague-me de volta somente quando puder, vá, comece a fazer seus aviões".
  • Na Alemanha produziu-se uma vodca chamada "Rachmaninoff", em homenagem ao compositor.
  • A canção popular estadunidense, "All by Myself" (cujo sucesso foi escrito por Eric Carmen e gravada em 1975, e mais tarde por Celine Dion, 1996), é um arranjo temático do II movimento---Adagio Sostenuto---do Concerto para Piano No. 2, Opus 18, em dó menor de Rachmaninoff.
  • Eric Carmen também escreveu Never Gonna Fall in Love Again, desta vez, se baseando no III movimento---Adagio---da Sinfonia Nº2, Opus 27, em mi menor, também de Rachmaninoff.
  • Em 1965, Robert Wright e George Forrest, os escritores de Kismet, escreveram um musical chamado "Anya", usando a música de Rachmaninoff como base.
  • O Concerto para piano n.º 2 de Rachmaninoff é mencionado no filme The Seven Year Itch ("O Pecado Mora ao Lado") de 1955, que estrelava Marilyn Monroe.
  • A Rapsódia Sobre um Tema de Paganini foi trilha sonora do filme Somewhere in Time ("Em Algum Lugar do Passado"), de 1980.
  • O filme Shine de 1996, sobre a vida do pianista David Helfgott, gira em torno do Concerto para Piano No. 3 de Rachmaninoff.
  • O concerto para piano n.º 2 foi uma das músicas preferidas pela Princesa Diana. Segundo o livro "Diana crônicas íntimas" de Tina Brown, a princesa costumava ouvi-la ao escrever cartas e em momentos de descanso.
  • O concerto para piano n.º 2 e outras obras aparecem ou são mencionadas no anime Nodame Cantabile.


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Enviado em 04/10/2010- Licença padrão do YouTube
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