sábado, 27 de julho de 2013

TEOLOGIA DA EVOLUÇÃO: Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico


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Teologia da Evolução:

 Teilhard de Chardin e o darwinismo teológico

Um dos acontecimentos religiosos que mais despertaram o interesse dos teólogos no fim da década de cinqüenta foi a popularidade póstuma do cientista e místico jesuíta Pedro Teilhard de Chardin (1881-1955), fundador de um sistema teológico que ficou conhecido como teologia da evolução. Durante sua vida, este teólogo foi impedido de publicar seus livros, considerados pela igreja católica como sendo nocivos e de conteúdo herético. Porém, quinze anos depois da sua morte, esses livros suprimidos durante toda a sua vida começaram a aparecer.

Embora ele tenha sido um teólogo católico, alguns dos seus comentaristas mais apaixonados são cientistas e teólogos protestantes. Sua influência pode ser percebida até mesmo nos países que compõem o nosso terceiro mundo. Francisco Bravo, estudioso equatoriano, publicou uma obra meticulosa sobre Teilhard. Suas idéias lograram arrancar elogios até mesmo de Dom Hélder Câmara, arcebispo do Recife.

Muitos fatores ajudam a explicar a repentina popularidade que alcançou a teologia de Teilhard. Sua destacada personalidade e seu caráter humanitário podem ser percebidos por qualquer pessoa que o tenha conhecido ou lido algo acerca da vida deste destacado sacerdote católico, que apesar das restrições que o Vaticano impôs aos seus livros, permaneceu fiel a sua ordem durante toda vida. Seus conhecimentos de geólogo e paleontólogo são grandes atrativos para o mundo científico.
12.1- Conhecendo a proposta teológica de Teilhard de Chardin.

O ponto de partida do pensamento teológico de Telhard é a evolução, a qual ele chama de “luz que ilumina todos os fatos, curva a que devem seguir todas as linhas”. A terra, segundo ele, foi formada ente cinco e dez milhões de anos e desde então vem se desenvolvendo através da evolução. Este processo evolutivo avança segundo o que Teilhad chama de “lei da consciência e da complexidade”, com o que ele alude que na evolução existe uma tendência por parte da matéria, que a faz tornar-se cada vez mais complexa.

 O processo, segundo ele, pode ser resumido como consta no seguinte esquema: Partículas elementares (chamadas de Ponto Alfa) => Átomos => Moléculas => Células Vivas => Organismos Pluricelulares. Ele admite que a terra veio a existir por meio de um lento processo, que pode ser descrito na seguinte ordem: Barisfera (época da “terra derretida”) => Formação da crosta => Formação da água e do ar => Formação da atmosfera. Esta é a fase da história evolutiva da terra aparece a vida biológica na terra, ou biosfera. Para descrever a etapa seguinte, em 1920, Chardin criou o termo noosfera, que significa a “camada mental” da terra. Essa noosfera  nada mais é do que o surgimento do homem pensante sobre a terra. Esta é a etapa mais importante na história do mundo, e também é chamada de hominização. Nesta fase, o processo evolutivo adquire consciência de si mesmo.

Nessa etapa de sua teoria evolutiva, Teilhard começa a se apoiar na teologia para predizer o futuro da evolução. Ele vê todo o processo evolutivo que começa com as partículas, o ponto Alfa; e converge no que ele chama de Ponto Ômega, ou seja, a união sobrenatural de todas as coisas em Deus. Assim sendo, Deus vem a ser a causa final, mais que a causa eficiente do universo, dando a perfeição a todas as coisas. Nesta etapa, Deus será tudo em todos (1Coríntios 15.28), numa forma superior de panteísmo, a expectativa da unidade perfeita, na qual cada um dos elementos alcançará sua consumação, ao mesmo tempo que o universo.

Na teologia darwiniana de Teilhard, Cristo é o centro do processo evolutivo e o seu princípio básico. O Cristo de Teilhard é o reflexo no coração do processo do ponto Ômega, e se encontra no final do processo. Por meio de um ato pessoal de comunhão, Cristo incorpora em si o “psiquismo” total da terra, e o universo se auto-realiza em Cristo. Esse movimento para o centro, para Teilhard, é o processo de amor. O amor, segundo ele, não é exclusividade humana, e sim propriedade geral de toda a vida, sendo ele a afinidade do “ser” com o “ser”. Movidos pelas forças do amor, os fragmentos do mundo se buscam para que o mundo possa chegar a “ser”.

12.2- Principais objeções a teologia evolucionista de Chardin.
Os princípios de Teilhard de Chardin apresentam várias dificuldades para o crente ortodoxo. Sua linguagem é obliqua e seu esforço hercúleo para fazer de Cristo o centro da evolução é desonesto e contraditório. Sua teologia é o reflexo do pensamento naturalista do seu tempo. Sua ênfase na personalidade autônoma que, desde Kant aparece e reaparece na teologia contemporânea, é também contrária a Bíblia.

Dessa síntese filosófico/naturalista procedem as demais divergências de Teilhard com a teologia ortodoxa. Assim como as teorias evolutivas seculares, a teologia evolucionista deste teólogo descaracteriza a criação, tal como aparece na Bíblia. Há muitos teólogos contemporâneos que concordam com a teoria da antiguidade da terra, e com a evolução das espécies à partir das espécies criadas por Deus (Gênesis 1.21-25), fazendo diferenciação entre microevolução e macroevolução. Microevolução é a mutação que ocorre dentro das espécies e seria o fator responsável pelas diferentes raças de cães, diferentes tons de pele, etc., mas nenhuma dessas concessões desabilita o esquema de criação conforme narrado em Gênesis.

Ao contrário disso, a teoria de Teilhard é macroevolucionista e negligencia completamente o ponto mais básico da criação que é Deus fazendo todas as coisas do nada pela sua palavra, e criando cada ser em conformidade com a sua espécie. Assim como todas as teorias evolucionistas seculares, a teologia de Teilhard Chardin parte do pressuposto de que o homem alcança sua verdadeira dignidade e plenitude espiritual por meio do processo evolutivo. Isso também é contrário a doutrina da graça, segundo a qual o aperfeiçoamento advém da comunhão com Cristo Jesus.

Como todas as teorias evolucionistas, a teologia da evolução de Teilhard é demasiado otimista. Ele divaga pela senda do universalismo e do panteísmo, prometendo um final feliz para todos, sem fazer nenhuma alusão à graça de Deus. Talvez essa seja uma das razões da sua difusão rápida. O homem moderno está disposto a aceitar qualquer tipo de droga entorpecente que se apresente sob o pseudônimo de ciência.

A teologia de Chardin não permite que a graça seja graça, e nem permite que o pecado seja pecado. A proclamação da evolução constante por parte de Chardin nunca se vê alterada pela realidade bíblica do pecado no homem. Por essa mesma razão, a doutrina bíblica do juízo quase não se vê na obra de Teilhard. O mal, para ele, é uma superabundância da estrutura de um mundo em evolução, que se manifesta em planos diferentes, através da desordem material, morte, solidão e angústia.
A idéia de Teilhard de união do universo com Cristo, sendo que o universo representa o corpo orgânico de Cristo ainda em evolução, apresenta dois grandes inconvenientes: Primeiro, tal união tem como conseqüência lógica a deificação da criação (panteísmo). Em segundo lugar, a cristologia de Chardin transforma o Cristo da Bíblia em um Cristo cósmico. Em última análise, o resultado de tal união é a perda tanto do mundo, como de Cristo.

A teologia da evolução, bem como as teorias evolucionistas seculares, é antagônica a Bíblia. Não há como sustentar esse sistema teológico sem perder a identidade cristã. Teilhard foi um homem totalmente deslumbrado com as teorias científicas do seu tempo, chegando ao ponto de afirmar que a evolução é “o sucesso mais prodigioso que a história jamais se referiu”. Ele se emociona tanto com a evolução que se esquece que, segundo a fé cristã, o maior sucesso da história é a vinda de Cristo, e não a teoria da evolução.
Darwin e sua presença na teologia
Jorge Pinheiro*
A linguagem humana é profunda como o mar,
 e as palavras dos sábios são como os rios que nunca secam
(Provérbios 18.4).
Charles DarwinPierre Teilhard de Chardin 









Charles Darwin continua polêmico duzentos anos após seu nascimento e cento e cinqüenta anos depois da publicação de A Origem das Espécies. O medo que teólogos no correr desses cento e cinqüenta anos tiveram de Darwin nos leva a esta pequena reflexão sobre o assunto. Serei breve, não pretendo, nem acho possível esgotar o assunto, desejo apenas apresentá-lo. Creio que o medo referido é mantido por tradição baseada mais em desconhecimento do que em fatos.
É importante entender que Darwin sempre conviveu com o cristianismo inglês, o anglicanismo. Nosso cientista nasceu durante as guerras napoleônicas, quando os conservadores governaram em estreita associação com a igreja. Embora o alto clero tenha adotado uma postura que se aproximava em muito do fundamentalismo, a família de Darwin procurou não se afastar de sua tradição iluminista, quando os não-conformistas levantavam a bandeira da “unidade sem uniformidade”. Assim Darwin, seguindo uma tradição escandalosa para o anglicanismo oficial da época, se posicionou no campo do unitarianismo, que prega a unidade absoluta de Deus, a liberdade de cada pessoa para buscar a verdade e a espiritualidade sem a necessidade de dogmas ou instituições, como fizera um de seus avós, Erasmus, que era livre-pensador. Aliás, Charles foi batizado numa capela unitarista. Quando sua mãe faleceu, ele tinha oito anos e foi estudar em Shrewsbury School, uma escola pública sob administração da igreja anglicana.
O pai de Charles, Robert Darwin, era médico e livre pensador como Erasmus. Quando a família constatou que Charles não pretendia fazer medicina, como o pai, sugeriu que seguisse a carreira eclesiástica. Mais tarde, Darwin escreveu: "Gostei da idéia de ser pastor no interior. Passei a ler com atenção o Credo de Pearson e livros sobre Deus. E como não tinha a menor dúvida sobre a verdade absoluta e literal de cada palavra da Bíblia, logo me convenci de que os nossos princípios deveriam ser aceitos integralmente”. E, assim, foi matriculado no Christ's College Cambridge para o bacharelado em Artes exigido.
Mas, por obra do destino (ops!), ele freqüentava as aulas de história natural ministradas pelo pastor John Stevens Henslow, que também era professor de teologia. E passou a ler os textos de outro pastor, William Paley, que trabalhava Filosofia Moral e Política e dava umas aulas muito criativas sobre As Evidências do Cristianismo. Darwin escreveu que apreciava tanto os textos de Paley que poderia expor todos seus argumentos, embora não com a mesma precisão. Disse que gostou tanto do livro A Teologia natural, obra maior de Paley, que era quase capaz de recitá-lo de memória.
Depois de ter sido aprovado nos exames de teologia, Charles não abandonou a Teologia Natural de Paley, que apresentava provas da existência de Deus recorrendo à complexidade dos seres vivos, que foram colocados num mundo organizado e feliz, conforme escolha e finalidade definidas pelo Criador. E foi assim que Charles começou a se interessar pela ciência. E tal escolha aconteceu num momento em que Cambridge recebia a visita de dois missionários que nadavam contra a corrente, Richard Carlile e Robert Taylor. Aliás, Taylor, “o capelão do Diabo”, já tinha, inclusive, sido preso por blasfêmia. A presença dos dois e suas posturas não-conformistas geraram tumultos e ambos foram expulsos de Cambridge. Essas surumbambas fizeram Charles repensar sua escolha.
A teologia deu lugar à ciência. E a viagem na expedição do Beagle foi um acontecimento benfazejo. Quando retornou à Inglaterra e desenvolveu a teoria da seleção natural, então sim, começou a entrar em conflito com o argumento teleológico que marcara seus estudos teológicos.
A morte esteve presente na vida de Darwin: pensou sobre ela e sua leitura cristã e acabou por considerar a construção da fé produto e desenvolvimento da própria sociedade. Mas, foi com a morte da filha Annie que se afastou da crença em um Deus bom, deixando o cristianismo de lado, embora não tenha rompido formalmente com sua igreja local: continuou a ajudar financeiramente suas ações sociais e missionárias. Aos domingos, no entanto, preferia sair para caminhar, enquanto a família ia aos cultos. É interessante notar que quando escreveu A Origem das Espécies ainda era teísta: acreditava na existência de Deus como causa primeira.
Foi no final da vida que Darwin passou a questionar a religião como avalista da ciência. Disse que a ciência não pertence a Cristo e que o hábito da investigação científica faz um homem sábio quando busca e admite o óbvio. Disse não crer que houvesse sempre revelação, embora sobre a futura vida, caberia a cada um julgar por si próprio entre probabilidades vagas e contraditórias. Nunca afirmou ser ateu, preferia ser visto como agnóstico.
Caso convidássemos Darwin para uma conversa tranqüila, e se isso fosse viável hoje, muito possivelmente nos contasse que não tinha ouvido para música a ponto de questionar como poderia tirar algum prazer dessa arte. Ou dizer como, em um período em que colecionava besouros, tendo encontrado dois deles segurou um em cada mão. Mas eis que um terceiro aparece! Então, sem pensar, coloca um deles na boca para liberar uma das mãos. O inseto libera um líquido que queima sua língua e como resultado dois besouros se perdem.
História simples, quase sem importância, uma bobagem, mas serve para situar o homem. Alguém que não teve vergonha de incluir estes detalhes em suas memórias.
Às vezes, um de meus estudantes, querendo se fazer apologista, diz em sala de aula: “Não concordo que viemos dos macacos!” Bem, quem quiser atacar a teoria de Darwin, que ataque, não ficarei no caminho. Mas descartar ou abominar o que não se conhece é base segura para o fundamentalismo, para o preconceito, para a violência. Ainda hoje, mesmo na Europa e nos Estados Unidos, a teoria da evolução só é bem aceita em meios científicos. Mas muito possivelmente as reservas por parte da população possam ser explicadas pelos equívocos e folclores atribuídos a Darwin, como a afirmação prematura de meu aluno em sala de aula. De todas as maneiras, sabemos como é difícil para a fé simples aceitar que o ser humano visto enquanto elemento de um ecossistema não é autônomo e independente em relação às outras espécies.
Mas voltemos aos equívocos e folclores. Um exemplo de equívoco é o chamado “darwinismo social", que afirma existir raças superiores e raças inferiores. O que foi amplamente utilizado pelo nazismo. Darwin não defendeu tais idéias. Ao contrário, quando deixou o Brasil disse que não voltaria mais a um país escravagista. Já folclore é a idéia linear da evolução, presente naqueles desenhos de um macaco de quatro, outro semi-ereto na frente e, por último, o homo sapiens. De acordo com Darwin, o homo sapiens não veio do macaco, mas de um ancestral comum tanto ao homo sapiens como aos macacos. E, mais ainda, não há uma espécie menos evoluída e outra mais evoluída: todas emergem como ramificações da vida que se espraia.
Assim, Darwin nos apresenta a probabilidade de termos um antepassado comum com os macacos, que não era homem e não era macaco, ao menos não como os conhecemos hoje. Este antepassado, por sua vez, provavelmente tinha antepassados comuns com vários mamíferos de seu tempo e assim por diante.
Mas alguém que vê sua fé ameaçada pela teoria da evolução poderia dizer: “Mas dá na mesma, a alternativa é ainda mais primitiva!”. É verdade. Por isso, eu diria ao estudante de religião: tão primitiva quanto os vários estágios do processo da produção de um vaso. Neste caso partimos de terra, moldamos até obter a forma desejada, deixamos secar, levamos ao forno, e por aí vai. É algo que não sei fazer, mas admiro os que sabem. É uma arte. Se eu disser que acredito que exista a etapa da modelagem da argila ninguém me acusaria de não acreditar que o oleiro fez o vaso. Se eu for em frente com a metáfora do vaso posso dizer que ambos são fruto de um processo de criação. É certo que Darwin não disse isso, nem pensava assim. Estou apenas construindo pontes.
No livro dos princípios, o de Gênesis, os períodos de tempo nomeados normalmente são traduzidos como dias, mas podem ser qualquer unidade de tempo, yom ou eras como aparece no hebraico. Quanto tempo é uma era? Pode ser muito tempo. Talvez tempo bastante para o surgimento dos primeiros pedacinhos unicelulares de vida através de variações genéticas e seleção natural, equivalentes ao processo de modelagem dos animais, do vaso-humano, da vida neste planeta. Esta opinião pode ser questionada, como tudo sob o sol. É perfeitamente possível questionar Darwin. Ele mesmo questionava suas descobertas o tempo todo. Mas, podemos crer no oleiro, na existência do vaso e em sua modelagem.
O evolucionismo cristão
A origem das espécies de Darwin levou a teologia a repensar o surgimento do universo e do ser humano. E quem fez essa caminhada inusitada e criativa foi o jesuíta Pierre Teilhard de Chardin, precursor do evolucionismo cristão: cientista e teólogo proibido pela igreja. Só depois da morte, em 1955, aos poucos suas pesquisas e produção saíram do ostracismo. Hoje é leitura obrigatória quando em teologia se discute cristianismo e evolução.
Assim, as discussões sobre a origem da vida continuam a gerar polêmicas, principalmente porque leitores tomam o relato de Gênesis, em seus três primeiros capítulos, como literalidade absoluta. Por isso, as idéias de Darwin causam tanto desconforto hoje como quanto em 1858, quando apresentou a teoria da evolução à comunidade científica.
Quase setenta anos depois daquele desconforto, em 1926, Teilhard de Chardin, com 45 anos de idade, vivendo e trabalhando como paleontólogo em Tientsin, na China, escreveu à sua prima Margueritte Chambom. Disse que estava decidido a relatar o mais simplesmente possível a experiência ascética  e mística que vivia e ensinava. Mas não pretendo abandonar o rigor do cristianismo. Queria, antes que nada, ir adiante.
Na época de Darwin, outra leitura sobre a origem da vida, defendida pelo pastor William Paley, ganhara força: dizia que a adaptação dos organismos vivos era fruto de um projeto inicial, de um desenho inteligente. Mas, como vimos, Darwin rompeu com as ideias de Paley e partiu uma hipótese radical: os seres vivos se desenvolveram a partir de mudanças aleatórias e as particularidades do humano se deram por razões adaptativas.
Para Chardin, ir adiante era uma postura de paleontólogo. Mas ele não era só um paleontólogo, era teólogo e místico. Assim, ir à frente significava que arriscaria tornar-se o Darwin da teologia. E em Tientsin, onde a Companhia de Jesus acabara de abrir um instituto de estudos superiores e para onde foi mandado numa espécie de exílio, pois lá suas idéias não repercutiriam, mergulhou em pesquisas de campo e produção teórica.
É interessante ver que as oposições que Darwin e Chardin enfrentaram foram semelhantes.
A Companhia de Jesus sem desejar colocou Chardin no lugar certo, pois em Tientsin estavam sendo realizadas escavações e expedições paleontológicas. De 1923 a 1946, ele permaneceu lá. E não se afastou de suas pesquisas. Aprofundou-se na ciência, a procura de um novo pensar teológico. E foi assim que surgiu sua principal obra: O fenômeno humano (1955), onde apresentou os conceitos que passaram a balizar o evolucionismo cristão. Mas escreveu também outros trabalhos importantes: O coração da matéria (1950), O surgimento do homem (1956), O lugar do homem na natureza (1956), O meio divino (1957), O futuro do homem (1959), A energia humana (1962), Ciência e Cristo (1965).
Chardin formatou novas leituras da evolução, da estrutura orgânica do universo e da tendência do ser a alcançar um estado cada vez mais orgânico, de unificação. O fim da existência passou a ser visto como a convergência das consciências individuais na consciência do centro ômega, momento de completude do processo evolutivo.
"Uma só liberdade, tomada isoladamente, é fraca, incerta e pode facilmente errar nos seus tateios. Uma totalidade de liberdades, agindo livremente, acaba sempre por encontrar o seu caminho. E eis por que, incidentemente, sem minimizar o jogo ambíguo da nossa escolha em face do Mundo, eu pude sustentar implicitamente, no decurso desta conferência, que nós avançávamos, livre e inelutavelmente, para a Concentração através da Planetização. Na evolução cósmica, poder-se-ia dizer, o determinismo aparece nas duas pontas, mas, aqui e lá, sob duas formas antitéticas: em baixo, uma queda no mais provável por defeito, - em cima, uma subida para o improvável por triunfo de liberdade".[1]
O universo, para Chardin, está impregnado de pensamento, o que se torna patente com a evolução, através da crescente complexidade estrutural que a matéria alcança. Chardin intuiu laivos de consciência nos graus ínfimos da existência, no plano físico do universo. A evolução levou esta consciência a revelar-se mais avançada no ser humano. Ora, a organicidade do todo implica uma lógica, seria absurdo determo-nos neste ponto do caminho sem continuá-lo.
Assim, para Chardin, o fenômeno humano não completou a sua trajetória e não alcançou a necessária conclusão, mas tal movimento está implícito na lógica do desenvolvimento do próprio fenômeno. Então o Cristo, para este cientista e teólogo, pode ser proposto à ciência como biótipo do fenômeno humano, como modelo que o humano poderá atingir com a evolução, e o Evangelho como a lei social da unidade coletiva representada pela humanidade do futuro. Esse é o processo da evolução, numa correlação da compreensão da ciência e da espiritualidade cristã. E o humano faz parte deste processo.
Chardin constrói, assim, uma teologia da evolução, onde a santificação se dá por meio da presença universal do pensamento imanente da divindade. É a sagração da evolução. Chardin caminhou no terreno do cristianismo, mas fez uma nova leitura da origem da existência, onde a estrutura mais íntima do ser é de natureza psíquica, para concluir que a vida é pensamento coberto de morfologia e a espiritualidade é o ápice da evolução.
Ou como disse numa oração:
"Rico da seiva do Mundo, subo para o Espírito que me sorri para além de toda conquista, revestido do esplendor concreto do Universo. E, perdido no mistério da Carne divina, eu já não saberia dizer qual é a mais radiosa destas duas bem-aventuranças: ter encontrado o Verbo para dominar a Matéria, ou possuir a Matéria para atingir e receber a luz de Deus".[2]
A partir de Darwin e de sua presença na teologia, através de Chardin, podemos dizer que pensar a existência humana é tarefa aberta e permanente para a ciência e a teologia. Mais do que perder-se em formulações dogmáticas, quer na ciência ou na teologia, o desafio humano é a busca para compreender como (ciência) e por que (teologia) estamos conectados à existência e ao Universo.
Referências

Teilhard de Chardin - Oeuvres, 13 volumes, Paris, Seuil, 1955-1976.- O fenômeno humano, São Paulo, Herder, 1965.- L’ambiente divino, Milão, Il Saggiatore, 1968. - Le Coeur de la Matiére, Paris, Seuil, 1976.

* Jorge Pinheiro, 64, é cientista da religião e teólogo. 
É Pós-Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Doutor e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, Pós-Graduado e Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo. É professor de Teologia e História na Graduação e no Mestrado da Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Entre suas principais obras estão Deus é brasileiro, as brasilidades e o Reino de Deus, São Paulo, Fonte Editorial, 2008; História e religião de Israel, origens e crise do pensamento judaico, São Paulo, Editora Vida, 2007; e Teologia e Política, Paul Tillich, Enrique Dussel e a Experiência Brasileira, São Paulo, Fonte Editorial, 2007.
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Sedevacantismo

O brasão da Sede vacante, usado pela Santa Sé da morte do Papa para a eleição de seu sucessor.
Sedevacantismo é a posição defendida por uma minoria resoluta de católicos tradicionalistas que afirmam que a Santa Sé está vaga desde a morte do Papa Pio XII, em 1958, ou de Angelo Roncalli João XXIII em 1963. Entretanto, nem todos os tradicionalistas são sedevacantistas, exemplo é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Sedevacantistas acreditam que Paulo VI (Giovanni Battista Montini, 1963-1978), João Paulo I (Albino Luciani, 1978), João Paulo II (Karol Wojtila, 1978-2005) e Bento XVI (Joseph Ratzinger, 2005-2013) não foram católicos verdadeiros nem, portanto, papas legítimos, em virtude de, alegadamente, terem abraçado a heresia do modernismo, ou de terem negado ou contrariado solenemente dogmas católicos definidos. Alguns deles classificam Roncalli (1958-1963) também como um antipapa modernista.
Segundo o livro Men of a Single Book, de Mateus Soares de Azevedo:
"O concílio Vaticano Segundo permitiu que a nova ideologia humanista do ‘progresso’, ciência e tecnologia invadisse os sacros limites antes reservados para o conhecimento e o amor de Deus. Mas, desde que a religião nunca pode ser um suporte para a mentalidade materialista como estruturada pela Renascença e o Iluminismo, e de fato está em completa oposição a ela, os chefes do concílio buscaram uma pacto e uma acomodação com a mentalidade moderna. Tal meta constitui, contudo, uma clara traição do espírito cristão. Muito antes do Vaticano II, ainda na década de 1920, René Guénon escreveu: qualquer compromisso entre o espírito religioso e a mentalidade moderna enfraqueceria o primeiro e só beneficiaria a segunda, cuja hostilidade não seria por isso diminuída, dado que o modernismo almeja a aniquilação total de tudo que, na humanidade, reflete uma realidade superior a ela mesma (in: A Crise do Mundo moderno). Palavras proféticas.
O principal arquiteto desta revolução dentro da igreja foi o jesuíta francês Teilhard de Chardin; ele foi o ‘elo perdido’ entre o Renascimento, o Iluminismo e o Vaticano II. Com seu evolucionismo panteísta com verniz cristão, Teilhard dizia que Cristo representou um grande 'salto evolutivo' e que Deus também está sujeito à 'evolução'! Seu ‘testamento intelectual’ pode ser resumido num extrato de seu livro Cristianismo e Evolução (p.99): 'Se, como resultado de alguma revolução interior, eu perdesse sucessivamente minha fé em Cristo, minha fé no Deus pessoal e a fé no espírito, creio que continuaria a crer de forma invencível no mundo. O mundo, seu valor, sua bondade, sua infalibilidade, é isso, ao final das contas, a primeira, a última e a única coisa em que creio.' Não é sem razão que um comentário espirituoso diz que se Lutero foi um cristão que deixou a Igreja, Teilhard foi um pagão que permaneceu nela!"1
O termo "sedevacantismo" é derivado da frase em latim sede vacante, que significa literalmente "a cadeira vaga", onde o cadeira em questão é a de um bispo. A utilização específica da frase está no contexto da vacância da Santa Sé, entre a morte ou renúncia de um Papa e a eleição de seu sucessor. Para os sedevacantistas, a Igreja Católica não tem actualmente um Papa para a governar e guiar.
Alguns pequenos grupos de católicos tradicionalistas, oriundos do sedevacantismo, têm a sua alternativa própria: elegeram e reconheceram um dos seus como o verdadeiro e legítimo Papa. Devido ao facto de eles afirmarem que a Santa Sé é dirigida pelo seu candidato, eles não são sedevacantistas em sentido estrito, por isso são chamados de "conclavistas". No entanto, o termo "sedevacantista" é também frequentemente aplicado a eles, porque eles rejeitam a actual sucessão papal aceite pela Igreja Católica, pelas mesmas razões do que os sedevacantistas.
 JARDIM DO ÉDEN - YHWH E A SERPENTE - 30min
 Os mistérios do jardim do Éden (fora da Biblia) 45min.
 Deus está no jardim: 

 Mundo cristão em ciência, evolução, criação e fé

Molly Peterson



17 de abril, 2013, 15:00 - cortesia On Being

Pierre Teilhard de Chardin.



 
"Nós evoluímos de uma espécie menor que iniciou a sua vida no oceano. Nós temos uma afinidade natural para o oceano ", disse o padre Christian Mondor. Nem sempre é fácil dizer a partir de uma história de rádio, mas o padre Mondor tinha um jeito de falar, onde se pensou que iria combinar perfeitamente para o próximo. Eu o entrevistei para o meu "Deus está no jardim" série.
Desta forma, ele saltou para as conexões entre a fé ea ciência. "Eu acho que [Pierre] Teilhard de Chardin, o grande teólogo jesuíta francês e paleontólogo, viu na evolução de uma nova maneira maravilhosa de compreender os evangelhos: que estamos realmente evoluindo, e isso está acontecendo o tempo todo," Pai Mondor me contou. "Estamos evoluindo para o divino, sem, surpreendentemente, perder a nossa humanidade."

    
"Por meio de todas as coisas criadas, sem exceção, os assalta divinos nós, nos penetra, e moldes de nós", escreveu Teilhard. "Nós imaginado como distante e inacessível, quando na verdade vivemos mergulhados em suas camadas de gravação." [O Meio Divino]
O fato de que ele trouxe Teilhard de Chardin disse-me que o Pai Mondor foi, no mínimo, ao mesmo tempo, um tipo suave de rebelde. Teilhard serviu como um portador de maca durante a I Guerra Mundial, ele recebeu um doutorado em geologia na Sorbonne depois. Mas ele passou a maior parte de sua vida mais tarde exilado na China, o que é sem dúvida o seu mais famoso livro, The Phenomenon of Man, não obter a aprovação da liderança da igreja antes de morrer.
Claro, não é controverso agora dizer que a evolução e a fé podem co-existir. Mas quando o Pai Mondor estava no seminário, Teilhard de Chardin estava a caminho de ser colocado em uma lista de autores que foram não muito proibidos, para passar sua vida acadêmica incorporar as duas ideias.
As conexões entre as formas Teilhard de Chardin, Francisco de Assis, e Mondor cristã de Huntington Beach acha que são fortes. Ao enfatizar o valor de plantas e animais, criaturas que não são pessoas, eles fizeram seus cantos do catolicismo menos humancentric. E o pensamento de todos os três homens apontou para um destino comum para todos os seres vivos. Aqui de Teilhard de novo:

    
A frase "Sense da Terra" deve ser entendida como a preocupação apaixonado pelo nosso destino comum, que desenha a parte pensante de vida cada vez mais para a frente. A unidade humana só verdadeiramente natural e real é o espírito da Terra. . . . O sentido da Terra é a pressão irresistível que virá no momento certo para uni-los (a humanidade), em uma paixão comum. [A construção da Terra]
Pai Mondor ler me Cântico do Sol de São Francisco. Teilhard tinha seu próprio tipo de oração que pode ser apropriado para os ambientalistas, embora mais moderna:

    
Bendito sejas, poderoso matéria, marcha irresistível da evolução, a realidade sempre recém-nascido, você que, constantemente quebrando as nossas categorias mentais, nos forçar a ir cada vez mais e mais em nossa busca da verdade. [Hino do Universo]
Pai Mondor falou mais sobre Teilhard de Chardin. Você pode ouvir à esquerda.


 Fontes:
Wikipédia
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http://teologiacontemporanea.wordpress.com/2009/10/07/
teologia-da-evolucao-teilhard-de-chardin-e-o-darwinismo-teologico/
www.espacoacademico.com.br/1095/95esp_pinheiro.htm
 http://www.scpr.org/blogs/environment/2013/04/17/13334/
god-is-in-the-garden-christian-mondor-on-science-e/

sexta-feira, 26 de julho de 2013

CIVILIZAÇÃO VÉDICA - A TEORIA DA TERRA OCA E OS PURANAS - ÓVNIS E VIMANAS - VOLTA AO SUPREMO


 J.S.Bach:Oster Oratorium BWV 249 Münchinger - 48min.

A Teoria da Terra Oca e os Puranas

26 SI (artigo - eras) A Teoria da Terra Oca e os Puranas (1320) (bg)1
Dharmapada Dasa 

Os Puranas fazem vários comentários em relação ao fato de a Terra ser oca que não deveriam ser considerados levianos. Ainda que sejam superficiais, deve-se reconhecer seu impacto. Um desses comentários, sobre o avatara Kalki, afirma que, no final da era de Kali, Kalki nascerá na melhor de todas as famílias brâmanes da cidade de Shambala e que aniquilará os seres humanos degradados que restarem na superfície do planeta. Em seguida, a versão geral dos Puranas diz que os seres humanos subirão à superfície do planeta para recolonizá-lo e reiniciar a cultura védica. Vale notar que os Puranas mencionam Shambala como sendo uma cidade localizada no interior do planeta. Shambala não é considerada uma cidade do interior da Terra apenas nos Puranas, mas também na memória coletiva do Tibete.

Outra narrativa dos Puranas que comenta diretamente sobre a porção oca da Terra se relaciona ao avatara Parashurama e se encontra nos versos de 19 a 21 do capítulo 16 do nono canto do Bhagavatam. O verso dezenove diz que Ele entrou em confronto com a casta dos guerreiros vinte e uma vezes e livrou a superfície da Terra de todos eles. A palavra usada para indicar a superfície da Terra foi prithivim.

Parashurama Incarnation
Parashurama, o avatara de Vishnu conhecido 
por extirpar a casta dos guerreiros da superfície da Terra.

Em seguida, o texto explica que Parashurama distribuiu os oito pontos cardeais para certos rishis. Isso faz sentido considerando que Ele estava desgostoso com a casta dos guerreiros. É claro que, por serem membros da casta sacerdotal, os rishis são diferentes dos guerreiros, sendo tolerantes, intelectuais, praticantes da bondade, etc.

Depois de mencionar os oito pontos cardeais e os rishis que obtiveram domínio sobre essas regiões, encontramos menção a “madhyatah”, ou seja, a região do meio (interior). O Bhagavata Purana diz que a região do meio foi conferida a Kashyapa Rishi. Assim, adotando uma narração descritiva, e depois de mencionar a superfície ou “face” do mundo, o Bhagavata Purana segue praticamente num só fôlego mencionando a porção do meio da Terra.
Tanto a terminologia usada como o roteiro da narrativa a respeito do avatara Parashurama favorecem diretamente a Teoria da Terra Oca.

Os Puranas contam ainda outra história famosa que menciona abertamente a porção oca da Terra. Trata-se da história dos filhos de Maharaja Sagara. Indra havia roubado o cavalo destinado ao sacrifício ashvamedha (um tipo de sacrifício de fogo). Segundo a história, seus filhos saíram em busca do cavalo e chegaram a um oceano ao norte, pelo qual navegaram até adentrar as “entranhas” da Terra. Lá dentro, no eremitério de Kapila Rishi, eles acabaram encontrando o cavalo. Ainda que o rishi tivesse jurado que não roubara o cavalo, os filhos de Sagara o maltrataram. O que podemos concluir desta história?

Bem, primeiro podemos concluir que os filhos de Maharaja Sagara eram verdadeiramente rudes por terem maltratado o rishi! Entretanto, observando mais seriamente, percebe-se a correspondência existente com as indicações a respeito da existência de aberturas próximo às áreas polares do nosso planeta obtidas pelos investigadores da Terra oca (sendo que estes suportam suas alegações com várias evidências). Isso explicaria ter de se atravessar um oceano ao norte para entrar no interior do planeta.

O Bhagavata Purana não se detém em descrições muito detalhadas como ocorre em outros Puranas; o Bhagavata apenas afirma que os filhos de Sagara seguiram no rumo nordeste. Porém, mesmo esta afirmativa parece confirmar a localização da abertura segundo os investigadores da Terra oca, que a situam a norte e leste da península russa de Severnaya Zemlya. É interessante notar que, para chegar a essa região a partir da Índia, a pessoa teria de viajar no rumo nordeste!

Há outro ponto digno de menção que podemos garimpar nesta narrativa: a cultura védica floresceu na Terra oca a tal ponto que o próprio Kapila Rishi chegou a manter seu eremitério por lá. Isso vem ao encontro das descrições apresentadas por Olaf Jansen, o jovem norueguês que revelou ter passado pela abertura navegando com o pai no veleiro dele. Olaf descreveu ter encontrado uma sociedade humana que mostra correspondência com as descrições dos Puranas de antes do início da Kali-yuga. Ele descreveu seres humanos com cerca de quatro a cinco metros de altura que viviam por aproximadamente 1000 anos, tinham memória fotográfica, falavam sânscrito e adoravam o Sol interior.
Contudo, surge aqui uma pergunta óbvia: Por que, então, os Puranas não falam diretamente a respeito da Terra oca?

Lembremos que estes Puranas foram escritos no limiar de dois yugas, antes que o esquecimento e a ignorância característicos de Kali-yuga começassem a se manifestar. Talvez essa seja a razão pela qual os Puranas falam da Terra oca como se assumissem que as pessoas naturalmente compreendessem o assunto, daí não oferecerem nenhuma explicação especial a esse respeito. Do mesmo modo, se um escritor tivesse que contar a história da batalha decisiva da Revolução Americana, ele poderia explicar que os franceses bloquearam o recuo dos ingleses por mar, e assim o escritor provavelmente seguiria com a história. Ele presumiria que os leitores sabem quem são os franceses, que eles vieram do outro lado do Atlântico e que o oceano existe de verdade. O escritor obviamente nem pensaria em explicar e substanciar a existência dos franceses ou do oceano no decorrer de sua narrativa da Revolução Americana. Parece que, do mesmo modo, os Puranas simplesmente mencionam as “entranhas” da Terra e o eremitério de Kapila Rishi por lá, durante a narrativa, sem oferecer maiores explicações a respeito do assunto.

A evidência dos Puranas é de grande interesse para os adeptos da Teoria da Terra Oca; constitui um marco adicional ao corpo de evidências sobre a Terra oca. É interessante observar que as lendas tibetanas a respeito da Terra oca foram popularizadas entre os proponentes da teoria já há muito tempo, até mesmo culminando, na década de 30, na produção de um filme de longa metragem intitulado “Shangri-la”, o qual foi refilmado nos anos 70. Talvez isso tenha acontecido devido ao impacto do livro “Shambala”, escrito por Nicholas Roerich e publicado em 1930. Ele esteve no Tibete e relatou em seu livro o rico folclore relacionado à Terra oca, mencionando as cidades de Shambala, Shangri-la e o reino de Agharta. É muito provável que as lendas tibetanas sobre a Terra oca tenham se conservado melhor devido aos túneis que, segundo consta, ligam Agharta ao Tibete – é possível que seja por isso que os tibetanos tenham ficado sob a influência da Terra oca por um período de tempo mais longo.

26 SI (artigo - eras) A Teoria da Terra Oca e os Puranas 3
Nicholas Roerich, escritor e arqueólogo russo.

O conteúdo dos Puranas a respeito da Terra oca não é muito reconhecido no ocidente uma vez que nós sempre experimentamos os Puranas filtrados por indologistas ocidentalizados, que, ao empreenderem seus estudos da literatura védica, conheciam muito pouco a respeito do folclore da Terra oca e sequer procuravam pistas a respeito da verdadeira configuração geológica de nosso planeta.
Esses comentários a respeito da Terra oca devem ter passado despercebidos para eles, como aconteceu com vários outros comentários que encontramos na literatura védica. Quando os ingleses começaram a estudar a literatura védica depois de sua invasão à Índia 200 anos atrás, notaram a existência de textos descrevendo naves voadoras (vimanas), flechas e discos capazes de perseguir alvos em fuga, armas ativadas por mantras e ainda a respeito de seres de outros planetas com inacreditável longevidade e identificados como sendo os progenitores da humanidade. É claro que os ingleses naturalmente descartaram esses comentários, considerando que estavam diante de mera “história da carochinha”. Mas vemos que hoje em dia alguns desses mecanismos viraram realidade; testemunhamos o aparecimento da aviação, de mísseis teleguiados e de armas ativadas por voz. Por conseguinte, há razão para revermos as narrativas dos Puranas usando agora uma lente grande angular – e isso não apenas em relação aos comentários a respeito da Terra oca, mas em geral, ainda que os comentários a respeito das entranhas da Terra, do eremitério de Kapila Rishi, de Shambala e outros certamente mereçam um enfoque especial.

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Vestígios Interculturais da Civilização Védica, Óvnis e Vimanas.

Vestígios Interculturais da Civilização Védica

Sadaputa Dasa


Parece que de fato estamos encontrando tais vestígios, e muitos concordam com as narrativas védicas em detalhes específicos, como a localização da morada de Surt ou a perda de uma perna por era universal por parte do búfalo sagrado. Uma vez que esta civilização começou a perder sua influência milhares de anos atrás, no começo de Kali-yuga, esperaríamos que muitos de tais vestígios se encontrassem fragmentados e sobrepostos por muitas adições posteriores, e isso também vemos. Assim, as evidências disponíveis parecem consistentes com a hipótese de uma origem védica.
O escritor grego da antiguidade Aratos conta a seguinte história sobre a constelação de Virgo, ou virgem. Virgo, ele diz, talvez tenha pertencido à raça estelar, os antepassados das estrelas antigas.

Em tempos primitivos, na era de ouro, ela viveu entre a humanidade como a Justiça personificada e exortava as pessoas a aderirem à verdade. Nesta época, as pessoas viviam pacificamente, sem hipocrisia ou discussões. Posteriormente, na era de prata, ela escondeu-se nas montanhas, mas, ocasionalmente, ela descia das montanhas para repreender severamente as pessoas por seus atos maléficos. Finalmente, chegou a era de bronze. As pessoas inventaram a espada e “provaram a carne das vacas, os primeiros a fazerem isso”. Neste momento, Virgo “voou para a esfera”; isto é, ela partiu para o reino celestial. [1]

Vestígios Interculturais da Civilização Védica 01
Foto: Arato, poeta grego.

A literatura védica da Índia oferece uma descrição elaborada do universo como um cosmos – um sistema harmonioso e ordenado criado de acordo com um plano inteligente como uma habitação para os seres vivos. A visão moderna do universo é tão diferente da visão védica que esta última é, atualmente, difícil de compreender. Em tempos passados, entretanto, cosmogonias similares ao sistema védico eram amplamente difundidas entre as pessoas por todo o mundo. Eruditos da atualidade tendem a imediatamente descartar tais sistemas de pensamento como mitologia, apontando para sua diversidade e para suas estranhas ideias como uma prova de que são todos simplesmente produtos da imaginação.

Se fazemos isso, contudo, talvez estejamos negligenciando importantes informações de algo que poderia lançar luz sobre o vasto e esquecido período que precede à curta extensão da história humana registrada. Certamente há muita evidência de contadores de histórias independentes na tradição de várias culturas, mas há também muitos temas em comum. Alguns desses temas se encontram de forma altamente desenvolvida na literatura védica. Sua presença em culturas ao longo do mundo é consistente com a ideia de que, no passado distante, a cultura védica exerceu influência mundial.
Neste artigo, daremos alguns exemplos de ideias védicas concernentes a tempo e longevidade humana que aparecem repetidamente em diferentes tradições. Primeiramente, examinaremos algumas dessas ideias e, então, discutiremos algumas questões relativas ao que elas implicam e como elas podem ser interpretadas.

Na literatura védica, o tempo é tratado como uma manifestação de Krishna, o Ser Supremo. Como tal, o tempo é uma força controladora que regula as vidas dos seres vivos de acordo com um plano cósmico. Tal plano envolve repetidos ciclos de criação e destruição de variadas durações. O menor e mais importante desses repetitivos ciclos consiste nas quatro yugas, ou eras, chamadas Satya, Treta, Dvapara e Kali. Em tais sucessivas eras, a humanidade gradualmente descende de uma plataforma espiritual elevada para um estado degenerado. Então, com o começo de uma nova Satya-yuga, o estado original de pureza é restaurado e o ciclo recomeça.

A história de Virgo ilustra que, no mundo mediterrâneo antigo, havia uma difundida crença em uma similar sucessão de quatro eras, conhecida por eles como as eras de ouro, prata, bronze e ferro. Nesse sistema, a humanidade também inicia na primeira era em um estado avançado de consciência e gradualmente se degrada. Também neste, os progressivos desenvolvimentos da sociedade humana não estão simplesmente evoluindo por processos físicos, mas são superintendidos por uma inteligência controladora superior.

É válido observar que a história de Aratos especifica o uso de vacas como alimento como um ato pecaminoso que desfaz o contato direto da humanidade com os seres celestiais. Tal detalhe é bastante condizente com a muito antiga tradição indiana de proteção à vaca, mas não é algo esperado no contexto da cultura grega ou europeia.

Uma explicação para similaridades entre ideias encontradas em diferentes culturas é que as pessoas têm, em toda parte, essencialmente a mesma estrutura psicológica e, portanto, tendem, de modo independente, a produzir noções similares. Não obstante, detalhes como o ponto concernente à matança de vacas sugerem que estamos lidando aqui com tradições comuns, e não invenções independentes.
Outro exemplo de similaridades entre culturas pode ser encontrado entre os nativos da América do Norte. Os índios Dacota dizem que seus ancestrais foram visitados por uma mulher celestial que lhes deu o sistema de religião deles. Ela lhes apontou que há quatro eras, e que há um búfalo sagrado que perde uma perna a cada era. No momento presente, estamos na última era, uma era de degradação, e o búfalo tem uma perna apenas. [2]

Esta história é um paralelo bastante próximo da narrativa do Srimad-Bhagavatam do encontro entre Maharaja Pariksit e o touro do Dharma. Ali, é dito que Dharma perde uma perna a cada yuga sucessiva, deixando-o com apenas uma perna na presente Era de Kali.

Vestígios Interculturais da Civilização Védica 02
Foto: O touro da religião com três pernas quebradas.

De acordo com o sistema védico, a duração das eras de Satya, Treta, Dvapara e Kali são quatro, três, duas e uma vezes um intervalo de 432.000 anos respectivamente. Dentro desses imensos períodos de tempo, a duração da vida humana é reduzida de 100.000 anos em Satya-yuga para 10.000 anos em Treta-yuga, 1.000 anos em Dvapara-yuga e, finalmente, 100 anos em Kali-yuga.
É claro que esta ideia é deveras estranha dentro da moderna visão evolucionista do passado. No mundo mediterrâneo antigo, no entanto, era amplamente acreditado que a história humana se estendia por períodos de tempo muitíssimo longos. Por exemplo, de acordo com registros históricos antigos, Porfírio (aprox. 300 a.C.) disse que Clístenes, um companheiro de Alexandre na guerra persa, despachou para Aristóteles registros babilônicos de eclipses, e que tais registros cobriam 31.000 anos.

Similarmente, Jâmblico (século quarto) disse sob a autoridade do astrônomo grego da antiguidade Hiparco que os assírios haviam feito observações por 270.000 anos e que haviam mantido registros do retorno de todos os sete planetas à mesma posição. [3] Finalmente, o historiador babilônico Berosus especificou 432.000 anos para a duração total dos reinos dos reis babilônicos antes da Inundação. [4]
Não desejamos sugerir que tais afirmações sejam verdadeiras (ou que elas sejam falsas). O ponto aqui é que as pessoas na civilização mediterrânea antiga possuíam uma visão muito diferente do passado em relação à visão dominante da atualidade; e tal visão é amplamente consistente com a cronologia védica.

Embora a Bíblia seja bem conhecida por advogar um brevíssimo espaço de tempo para a história humana, é interessante notar que ela contém informações indicando que pessoas, em dado momento, viviam por cerca de 1.000 anos. No Antigo Testamento, as seguintes idades são atribuídas a pessoas vivendo antes da Inundação Bíblica: Adão, 930; Set, 912; Enos, 905; Matusalém, 969; Lemeque, 777; e Noé, 950. Se excluirmos Enós (que se diz ter sido levado para o céu em seu próprio corpo), essas pessoas viveram uma média de 912 anos. [5]

Vestígios Interculturais da Civilização Védica 03
Foto: Noé, aos 600 anos de idade, segundo a Bíblia,
 quando prestes a embarcar na arca que construíra.

Após a Inundação, todavia, as seguintes idades são registradas: Sem, 600; Arfaxad, 438; Selá, 433; Éber, 464; Pelegue, 239; Ragaú, 239; Serugue, 230; Nahor, 148; Terá, 205; Abraão, 175; Isaque, 180; Jó, 210; Jacó, 147; Levi, 137; Coate, 133; Aarão, 137; Moisés, 120; e Josué, 110. Estas idades demonstram um decline gradual para a média de 100 anos, similar ao que possivelmente aconteceu após o começo de Kali-yuga de acordo com o sistema védico.

Aqui, devemos mencionar de passagem que a Inundação Bíblica é aceita tradicionalmente como ocorrida no segundo ou terceiro milênio a.C., e a data tradicional na Índia para o começo de Kali-yuga é 18 de fevereiro de 3102 a.C. Esta mesma data é citada como o tempo da Inundação em vários escritos persas, islâmicos e europeus dos séculos VI a XIV d.C. [6]. Como a Inundação do oriente médio veio a se associar com o começo de Kali-yuga? O único comentário que podemos fazer é que esta história mostra quão pouco realmente sabemos sobre o passado.
Em suporte à história bíblica de enorme duração da vida humana em tempos passados, o historiador romano Flávio Josefo citou muitos trabalhos históricos disponíveis em seu tempo:

Agora, quando Noé viveu 350 anos após a Inundação, e todo aquele tempo alegremente, ele morreu tendo o número de 950 anos, mas que ninguém, comparando a vida dos antigos com as nossas vidas, [...] usem a brevidade das nossas no presente como um argumento de que nenhum deles obteve tão longa duração de vida… Agora, tenho por testemunhas daquilo que eu disse todos aqueles que escreveram Antiguidades, tanto entre os Gregos quanto entre os bárbaros, pois mesmo Maneton, que escreveu a história egípcia, e Beroso, que coletou os monumentos caldeios, e Mochus, e Histeu, e, além desses; Hierônimo, o egípcio; e aqueles que compuseram a história fenícia, concordam com o que eu aqui digo: Também Hesíodo e Hecateu, Helanicus e Acusilau, além de Éforo e Nicolau, relatam que os povos antigos viviam mil anos: mas, quanto a essa questão, deixemos que cada um a olhe como considerar apropriado. [7]

Para nosso descontentamento, praticamente nenhuma das obras referidas a Josefo ainda existem, e isto novamente mostra o quão pouco sabemos do passado. Contudo, em existentes sagas nórdicas, diz-se que as pessoas, em tempos passados, viviam por muitos séculos. Além disso, as sagas nórdicas descrevem uma progressão de eras, incluindo uma era de paz, uma era quando diferentes ordens sociais são introduzidas, uma era de crescente violência, e uma degradada “era de punhais e machados com escudos bifendidos”. [8] A última era é seguida por um período de aniquilação, chamado Ragnarok, após o qual o mundo é restaurado à bondade.

O Ragnarok nórdico envolve a destruição da Terra e das moradas dos semideuses nórdicos (de nome Asgard), e, deste modo, corresponde, na cronologia védica, à aniquilação dos três mundos que sucede 1.000 ciclos de yuga, ou um dia de Brahma. É dito que, durante o Ragnarok, o mundo é destruído com chamas por um ser chamado Surt, que vive abaixo do mundo inferior (apropriadamente chamado Hel), e que esteve envolvido na criação do mundo. À guisa de comparação, o Srimad-Bhagavatam (3.11.30) afirma que, ao fim do dia de Brahma, “a devastação se dá devido ao fogo emanado da boca de Sankarshana”. Sankarshana é uma expansão plenária de Krishna que está “no fundo, na base do universo” (Srimad-Bhagavatam 3.8.3), abaixo dos sistemas planetários inferiores.

Vestígios Interculturais da Civilização Védica 04
Foto: Sankarshana cuspindo fogo no momento da aniquilação.

Há muitas similaridades entre as cosmologias nórdica e védica, mas há também grandes diferenças. Uma diferença marcante é que, no Srimad-Bhagavatam, todos os seres e fenômenos dentro do universo são claramente compreendidos como parte do plano divino de Krishna, a Suprema Personalidade de Deus. Em contraste, na mitologia nórdica, Deus é conspicuamente ausente, e a origem e o propósito da maioria dos personagens no drama cósmico são bastante obscuros. Surt, em particular, é um “gigante de fogo” cujas origens e razões não são claras nem mesmo para os especialistas em literatura nórdica [9].

Alguém talvez pergunte: Se temas védicos aparecem em várias sociedades diferentes, como alguém pode concluir que eles derivam de uma civilização védica? Talvez eles tenham sido criados em muitos lugares de modo independente, ou talvez eles descendam de uma cultura desconhecida que é também ancestral ao que chamamos de cultura védica. Assim, paralelos entre as narrativas de Surt e Sankarshana podem ser coincidências, ou talvez a narrativa védica derive de uma história similar àquela de Surt.

Nossa resposta a esta questão é que evidências empíricas disponíveis não serão suficientes para provar a hipótese de descendência de uma cultura védica antiga visto que toda evidência empírica é imperfeita e sujeita a várias interpretações, mas podemos decidir se as evidências são consistentes ou não em validar esta hipótese.

Se houve uma civilização védica mundial no passado, esperaríamos encontrar vestígios dela em várias culturas ao redor do mundo. Parece que de fato estamos encontrando tais vestígios, e muitos concordam com as narrativas védicas em detalhes específicos, como a localização da morada de Surt ou a perda de uma perna por era universal por parte do búfalo sagrado. Uma vez que esta civilização começou a perder sua influência milhares de anos atrás, no começo de Kali-yuga, esperaríamos que muitos de tais vestígios se encontrassem fragmentados e sobrepostos por muitas adições posteriores, e isso também vemos. Assim, as evidências disponíveis parecem consistentes com a hipótese de uma origem védica.


Óvnis e Vimanas

Sri Nandanandana Dasa


No que diz respeito aos tópicos abordados na ciência védica, o tópico dos aeroplanos védicos, ou vimanas, é muito interessante. Algumas destas informações são tão incríveis que, para algumas pessoas, beira a ficção científica. Contudo, à medida que expomos e explicamos a questão, temos bastante espaço para refletir.

Antes de tudo, precisamos entender que a concepção védica do tempo universal é dividida em diferentes períodos. Por exemplo, um período chamado de um dia de Brahma equivale a 4.320.000.000 de nossos anos na Terra. A noite de Brahma tem a mesma duração, e há 360 de tais dias e noites em um ano de Brahma. Cada dia de Brahma é dividido em mil ciclos de quatro yugas, a saber, Satya-yuga, Treta-yuga, Dvapara-yuga e, por fim, Kali-yuga, que é o yuga em que estamos vivendo neste momento.

Satya-yuga dura 1.728.000 anos, e é uma era de pureza, na qual todos os residentes vivem vidas muito longas e podem ser completamente desenvolvidos em entendimento espiritual e habilidades místicas e poderes notáveis. Algumas dessas habilidades, ou siddhis místicos, incluem mudar a própria forma, tornar-se muito grande ou microscopicamente pequeno, tornar-se muito pesado ou mesmo sem peso, pegar qualquer objeto que se deseje, tornar-se livre de todos os desejos ou mesmo voar pelo céu para onde quer que se deseje ir pela mera vontade. Nesse tempo, portanto, não existia a necessidade de máquinas para voo mecânico.

Conforme os yuga avançam, a pureza das pessoas, bem como suas habilidades místicas, decrescem em 25% a cada era. A era de Treta-yuga dura 1.296.000 anos. Durante essa era, a mente da humanidade se torna mais densa, e a habilidade para entender os princípios espirituais superiores do caminho védico também é reduzida. Naturalmente, a habilidade para voar pelo céu através do próprio poder se perdeu. Depois de Treta-yuga, há Dvapara-yuga, que dura 864.000 anos, e, por fim, Kali-yuga, que dura 432.000 anos, dos quais 5.000 já passaram. Ao final de Kali-yuga, a era de Satya-yuga é reiniciada, e os yugas continuam em mais um ciclo. Mil de tais ciclos constituem um dia de Brahma. Agora que estamos em Kali-yuga, quase todo o entendimento espiritual desapareceu, e quaisquer habilidades místicas que permanecem são quase insignificantes.

Explica-se que somente com o início de Treta-yuga o desenvolvimento de vimanas aconteceu. Com efeito, descreve-se que o senhor Brahma, o principal semideus e engenheiro do universo, desenvolveu muitos vimanas para alguns dos outros semideuses. Esses tinham várias formas naturais, que incorporavam o uso de asas, como de pavões, águias, cisnes etc. Outros vimanas foram desenvolvidos para os seres humanos mais sábios pelos grandes videntes da sabedoria védica.

Óvnis e Vimanas 1
Foto: O avatara Rama, junto de Seus associados, 
desembarca de um vimana de Treta-yuga.

Com o curso do tempo, surgiram três tipos básicos de vimanas. Em Treta-yuga, os homens eram competentes no uso de mantras e hinos poderosos. Assim, os vimanas daquele yuga eram providos de energia por meio do conhecimento de mantras. Em Dvapara-yuga, os homens desenvolveram considerável conhecimento de tantra, ou rituais. Assim, os vimanas de Dvapara-yuga eram providos de energia pelo uso da sabedoria tântrica. Em Kali-yuga, tanto o conhecimento referente a mantra quanto referente a tantra são deficientes. Assim, os vimanas desta era são conhecidos como kritaka, artificiais ou mecânicos. Desta maneira, há três tipos principais de vimanas, aeroplanos védicos, de acordo com as características de cada yuga.

Desses três tipos, são listadas 25 variações dos mantrika vimanas, 56 variações dos tantrica vimanas, e 25 variedades dos kritakah vimanas, aqueles vistos hoje em Kali-yuga. Todavia, quanto ao formato e à construção, explica-se que não há nenhuma diferença entre esses vimanas, mas apenas em relação a como eram abastecidos e propelidos, que seria por mantras, tantras ou motor mecânico.

Óvnis e Vimanas 2
Foto: Desenho de 1923 de um Tripura Vimana, 
um dos vinte e cinco tipos de vimanas de Kali-yuga.

O controverso texto conhecido como Vimanika Shastra, considerado como de autoria de Maharshi Bharadwaja, também descreve em detalhes a construção do que se chama o motor de vórtice e mercúrio. Isso é sem dúvida da mesma natureza do motor de íon védico, que é propelido mediante o uso do mercúrio. Esse motor foi construído por Shivkar Bapuji Talpade, baseado nas descrições do Rig Veda, o qual ele demonstrou em Bombaim, Índia, em 1895. Explico isso em mais detalhes no Capítulo Três de Provas da Existência Global da Cultura Védica. Informações adicionais sobre os motores de mercúrio usados nos vimanas podem ser encontradas em um texto védico muito antigo chamado Samarangana Sutradhara. Esse texto também devota 230 versos ao uso dessas máquinas em tempos de paz e tempos de guerra. Não apresentaremos toda a descrição do motor de vórtice e mercúrio, mas incluiremos um breve trecho da tradução de William Clendenon do Samarangana Sutradhara, de seu livro de 1990, Mercury, UFO Messenger of the Gods:

“Dentro da estrutura circular de ar, coloque o motor de mercúrio com sua caldeira elétrica/ultrassônica de mercúrio no centro inferior. Por meio do poder latente no mercúrio que coloca em movimento o redemoinho de condução, um homem sentado em seu interior pode viajar a uma grande distância no céu de maneira absolutamente maravilhosa. Quatro fortes estocadores de mercúrio têm que ser construídos no interior da estrutura. Uma vez que estes tenham sido aquecidos por fogo controlado a partir dos estocadores de ferro, o vimana desenvolve o poder de um raio através do mercúrio. Imediatamente, ele se torna como uma pérola no céu”.

Óvnis e Vimanas 3
Foto: Desenho de 1923 de um Sundara Vimana, 
um dos vinte e cinco tipos de vimanas de Kali-yuga.

Isso demonstra uma ideia absolutamente simplista do potencial dos motores de mercúrio. Esse é um tipo de mecanismo de propulsão que os vimanas de Kali-yuga podem usar. Outras variações também são descritas. Esses textos não apenas trazem orientações atinentes a como construir tais motores como também apresentam manuais de voo, rotas áreas, procedimentos para aterrissagem normal e forçada, instruções referentes às condições dos pilotos, roupas a serem usadas durante o voo, o alimento que deve ser levado e comido, peças sobressalentes necessárias, os metais que têm que compor a nave, detalhes sobre fornecimento de energia e assim por diante.

 Outros textos também apresentam instruções para evitar naves inimigas, como ver os ocupantes na nave inimiga e ouvir o que estão dizendo, como se tornar invisível e até mesmo quais táticas usar em caso de colisão com aves. Alguns desses vimanas não apenas voam no céu, mas também podem manobrar em terra e debaixo d’água.

Há muitos antigos textos védicos que descrevem ou contêm referências a esses vimanas, incluindo o Ramayana, o Mahabharata, o Rig Veda, o Yajur Veda, o Atharva Veda, o Yuktilkalpataru de Bhoja (século XII d.C.), o Mayamatam (atribuído ao arquiteto Maya), além de outros textos védicos clássicos, como Satapatha Brahmana, Markandeya Purana, Vishnu Purana, Bhagavata Purana, Harivamsha, Uttararamcharita, Harshacharita, o texto tamil Jivakachintamani e outros.

A partir das várias descrições desses escritos, encontramos vimanas em muitos diferentes formatos, incluindo formatos similares a longos charutos, zepelins, discos voadores, triângulos e até mesmo com dois andares, torres de vigia e um domo no topo de uma nave circular. Alguns são silenciosos, alguns cospem fogo e fazem barulho, alguns têm um barulho zunidor e alguns desaparecem por completo.
Tais variadas descrições não são distintas dos relatos de óvnis vistos na atualidade. Com efeito, David Childress, em seu livro Vimana Aircraft of Ancient India & Atlantis, apresenta muitos relatos, tanto recentes como de até cem anos atrás, que descrevem testemunhos oculares de encontros com óvnis que não são diferentes em tamanho e formato daqueles descritos nos textos védicos antigos.

Óvnis e Vimanas 4
Foto: Suposto disco voador fotografado em Nova Jersey, E.U.A., em julho de 1952.

Além disso, quando os pilotos são vistos próximo, quer fazendo reparos em suas naves, quer saindo da mesma para olhar ao redor, eles são humanoides, por vezes com aparência oriental, em vestes que são relativamente modernas em estilo. Em outros relatos, lemos descrições em que a nave tem seres de aparência alienígena como passageiros e os seres humanos estão pilotando a nave.
Isso significa que tais relatos são de antigos vimanas que existem ainda na atualidade? Estarão eles em alguma caverna subterrânea em algum lugar do planeta? Ou são máquinas construídas modernamente usando as descrições antigas dos textos védicos? Os óvnis vistos ao redor do mundo talvez não sejam de alguma galáxia distante, mas podem ser de uma sociedade humana secreta ou mesmo de alguma instalação militar.

Em todo caso, muitos dos mais antigos textos védicos descrevem viagens interplanetárias e os veículos capazes de fazer isso, o que fazem de maneiras não encontradas em nenhuma outra literatura, sobretudo em relação aos detalhes das descrições. Assim, certamente sabiam sobre máquinas voadoras, ou, então, como poderiam ter escrito sobre elas?



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REFERÊNCIAS
[1] E. C. Sachau, trans., Alberuni’s India (Delhi: S. Chand & Co., 1964), pp. 383-4. [2] J. E. Brown, ed., The Sacred Pipe (Baltimore: Penguin Books, 1971), p. 9. [3] D. Neugebauer, History of Ancient Mathematical Astronomy (Berlin: Springer-Verlag, 1975), pp. 608-9. [4] J. D. North, “Chronology & the Age of the World,” in Cosmology, History & Theology, eds. Wolfgang Yourgrau and A. D. Breck (N. Y.: Plenum Press, 1977), p. 315. [5] D. W. Patten and P. A. Patten, “A Comprehensive Theory on Aging, Gigantism & Longevity,” Catastrophism & Ancient History, Vol. 2, Part 1 (Aug. 1979), p. 24. [6] J. D. North, Ibid., p. 316-7. [7] D. W. Patten, Ibid., p. 29. [8] V. Rydberg, Teutonic Mythology, R. B. Anderson, trans. (London: Swan Sonnenschein & Co., 1889), pp. 88,94. [9] Ibid., pp. 448-9.

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