terça-feira, 10 de agosto de 2010

VIVA O PAPA BENTO XVI


Membro dal:
26/01/2009 | 07:46:04

domingo, 8 de agosto de 2010

O MEDO - AUSÊNCIA DE AMOR



Como é interessante e ao mesmo tempo patético, vermo-nos, sempre cheios de medos e nos segurando, naquilo que podemos para mascará-lo e fingir que não é comigo, que aquilo está acontecendo.
Quanta mentira e justificativa eu dou, por causa deste sentimento.Perceba em seu coração, quantas oportunidades de bem viver, de ser vitorioso, mais feliz, você deixou escapar por causa do medo.
Segundo nosso dicionário medo é um sentimento imaginário, de ameaça, pavor, temor - receio.
Segundo a espiritualidade, medo é ausência de amor. Quando não me amo, sinto medo. Quando não amo a vida sinto medo.

Quando não amo o próximo, sinto medo. Quando não amo a Deus sinto medo.O medo atua em nossas vidas de diversas maneiras. Quando o perigo é real, o sentimento de preservação da vida, o instinto primitivo, comandado pelas forças libidinais, atua visando nos proteger, e nos dar condições para que nos libertemos das situações mais embaraçosas . Quando estamos diante de perigo eminente, as forças do Eros, que são as energias da libido(a mesma da nossa sexualidade, portanto da vida), colocam-se à nossa disposição, nos dando certamente uma capacidade de reação, de força e de fuga do perigo, inimagináveis. Portanto, diante de um perigo real, que pode destruir nossas vidas, o ser humano tem uma capacidade incrível de reação e atua em sintonia com o universo, visando sempre a preservação da vida humana.

Infelizmente ou felizmente, os medos que a maioria de nós temos, não são os reais, mas principalmente os imaginários. Vivemos, sofremos e adoecemos sempre diante dos medos imaginários. Muitos destes medos, senão a maioria deles, estão baseados em crenças, superstições ou modismos sociais, das épocas em que reencarnamos.Vamos dar aqui, um exemplo bastante transparente daquilo que estamos afirmando. Quem aqui já passou dos 30 anos, com certeza, já teve ou tem medo de Deus... é provável que muitos daqueles que tem menos de 30 também o tenham.... lembram o que era ensinado para nós quando criancinhas......"cuidado, que Deus castiga', você se lembra?

Quantas coisas que você fez em sua infância e que na hora de dormir ficava com medo que Deus iria castigar..: Certamente estes padrões que lhe foram passados na infância, estão aí em você cristalizados e lhe ajudam a viver mal sem a qualidade de vida que merece ter..A maior lembrança que a Psicologia aponta como o fator mais desencadeante ao medo, vem da uma explicação Psicanalítica, onde o deus/a TÂNATOS da morte, é um ser ameaçador, e segundo esta explicação, todo ser humano tem em si, um grande poder auto-destrutivo, que aparece em seus comportamentos, como atitudes de sadismo e masoquismo, pois ao nascer, começamos uma grande batalha entre a vida e a morte, e sabemos intuitivamente, que a morte sempre irá vencer, pois até agora, todos os seres que aqui nasceram, aqui morreram.

Segundo uma corrente do pensamento da Psicologia, todos os nossos medos, se originariam aí, desta constatação terrível para o ser humano, onde a morte sempre vence a vida...Por isso, a explicação da LIBIDO, ou da energia da sexualidade, pois todos nós, buscamos o tempo todo o prazer, por saber que um dia a morte vem e nos leva embora..........Se tirarmos qualquer preconceito acadêmico, veremos que filosoficamente, esta premissa tem verdades absolutas, ao olharmos a vida humana, como uma única oportunidade para cada ser.... mas ao se estabelecer a diversidade de planos e de oportunidades múltiplas de vida, esta afirmação perde muito de sua força e legitimidade, mas nunca deve ser totalmente desprezada.Partindo então deste pensamento como âncora para o desenvolvimento destas idéias, concluímos inicialmente que o nosso medo, está intimamente relacionado com a morte.... o que simboliza para cada um de nós a morte ?.... é bem provável que para a maioria de nós a morte signifique sofrimento....

Para entender um pouco mais, vamos pensar naquela explicação de Jung, sobre inconsciente coletivo, onde nós herdamos dos antepassados, certos traços de personalidade que são passados de geração a geração, em nossa psiquê, ou como componente genético, e formam de certa maneira em qualquer lugar do planeta um pensamento quase que comum, onde atitudes e sentimentos se tornam semelhantes..... Mas indo um pouco mais além de Jung, a Psicologia Transpessoal, através da Terapia Regressiva, nos diz que o próprio processo reencarnatório pode nos explicar com certa maestria, que muitos dos nossos medos que associamos à morte, são devidos em muitas encarnações, a tipos de mortes violentas, que são intimamente ligadas a determinados ajustes de equilíbrios coletivos ou individuais Pelo pouco que conhecemos desta área, pois ela existe menos de 25 anos,deu para termos uma noção segura, onde podemos afirmar que em cada encarnação onde tivemos um morte violenta, é certo que uma lembrança dela fica presa em nosso Subconsciente, e pode estar atuando hoje, agora em nossas vidas, criando em nós, diversos medos imaginários, onde a sensação de destruição se torna tão forte, mesmo que seja apenas pela simples presença de um pequeno e inofensivo inseto..

Mas precisamos analisar o medo, pelo aspecto social e atual.

 Quase toda estrutura de nossa sociedade, tem tirado o ser humano do seu eixo, do seu equilíbrio. Pensamentos, filosofias, tendências políticas, ordens sociais, e tantas outras coisas, tem colaborado de maneira intensa, para que nós estejamos sempre submetidos a valores de controle e submissão.Em nosso país, menos de 20 anos atrás, pensar politicamente era proibido. Governos e religiões principalmente, com a finalidade de manter seu poder, controle e domínio, cercearam a liberdade de expressarmos nossos sentimentos, colocando o ser humano, não como um potencial divino, que precisa ser respeitado, amparado e entendido, mas como um objeto manipulável, sem competência de pensar e escolher e principalmente decidir. Semelhante a um rebanho de gado grosso.


Por outro lado, na vida familiar, os nossos apegos de mães/pais, promovem em nossos filhos, um "submetimento" às nossas neuroses, e não à liberdade de um ser. Em nome do cuidar, do proteger, do amparar, manipulamos nossas crias, pois se eles têm medo, ficam submetidos à mim e se eu os tenho sempre ao meu lado, não me dá a insegurança, que é só minha, de não tê-los perto de mim, ou o medo de ficar só, só comigo mesmo, apenas comigo. Você agüenta ficar só, consigo mesmo?

Muitos de nós, só nos sentimos seguros, se nossos filhos estão dos nossos lados. Justificamos que a vida é perigosa, tem muita violência, mas se olharmos com uma lente da razão, facilmente verificaremos, que nós é que temos nossos medos, nós temos nossas carências, nós temos nossas insegurança, e em nome de algo que é socialmente aceito, obrigamos nossos filhos a herdarem de nós, estas neuroses sem sentido, pois se elas existem, é porque minha dose de culpa, com relação ao que faço na vida e pela vida é alta, e ainda não aprendi a praticar em mim e por mim, duas coisas de real importância. O perdão por mim mesmo e a fé no Ser Divino que a tudo provê e em mim, que sou um pedaço da mesma divindade.Assim, cheio de culpas e com muito pouca fé, nós seguimos nossos caminhos, deixando o medo tomar conta de nossas vidas, e também de experenciar coisas de vital importância ao nosso progresso, apenas justificando que é perigoso, ou não consigo.Você alguma vez, teve coragem de entrar dentro desta palavra não consigo, e ver na amplitude dela, o que ela lhe quer dizer?Certamente se o fizer, terá uma surpresa, pois o único significado para o sentimento que está por trás do não consigo é......não quero ver, não quero me envolver, não quero pensar sobre este assunto.Se nunca fez este tipo de questionamento, faça-o agora.

Olhe o que sente quando diz não consigo, e entenda o que estas palavras estão escondendo.

O medo é a negação da divindade em nós e da própria Divindade universal. Portanto medo é ausência de amor. Quando o medo toma conta de nós, desestruturamos todos os nossos 7 corpos, inclusive nosso corpo de luz Divina, o corpo do EU SOU e passamos a atuar numa faixa de vibração de baixíssima freqüência, e criamos uma série de doenças psicológicas que podem em seguida, se tornarem doenças espirituais e físicas e o que é o principal, .....não poderemos ser felizes, se cultivamos o medo.O medo não pode estar presente em nenhum sentimento de felicidade. Se você tem real interesse na sua melhoria como alma, é o momento de agora, de hoje, parar e olhar todos seus medos. Checá-los, enfrentá-los e perceber qual ou quais os motivos, que você se segura neles, ou seja, por qual motivo você escolheu se segurar no medo para viver sua vida...Do quê você foge, quando elege o medo como seu ídolo???Está boa sua vida com tanto medo?

Porque você não quer abrir mão dele, o medo, por que o segura?

Faça uma experiência, dê-se um presente, deixar entrar em seu lugar a fé, a segurança a esperança.
Será que sua culpa é tão grande, que mesmo assim, você crê que não mereça?

Se você é um ato de amor da divindade, não estará na hora de deixar este amor tomar conta de tudo, te envolver, e deixar apenas fluir a tua luz?

Você é luz, portanto, viva e seja luz !

Desconheço a Fonte:

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Chopin Concerto #1 by George Li - Part I

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.Uma Criança!
Que lindo!
Vendo-o ,volto a acreditar na vida,na renovação da humanidade e que a beleza sempre terá um um excelente divulgador.
Brilhante George,seja feliz , confiante de que o amamos!
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PSICOLOGIA EVOLUTIVA


Ricardo Ernesto Rose 
  Jornalista e licenciado em filosofia 
 
 “Se acreditamos com tanta ingenuidade nas idéias  
é porque esquecemos 
que foram concebidas por mamíferos.”

CIORAN, E. M., Silogismos da Amargura


Uma das grandes dificuldades apontada por diversos autores na psicologia é a construção de uma história desta ciência. A maneira mais simples consiste em descrevê-la em uma seqüência cronologicamente ordenada – porém não logicamente correta – no que se refere à análise dos problemas e tentativas de soluções. A perspectiva mais coerente focaria as questões isoladas, seguida das análises lógica e cronologicamente ordenadas das soluções que lhe foram propostas.
Usualmente, divide-se a história da psicologia em dois períodos: o filosófico-especulativo e o científico. A primeira fase tem suas origens no pensamento grego, e se estende até o final do século XIX e início do século XX. Neste primeiro período incluem-se todas as contribuições – notadamente no campo da filosofia – desde Platão e Aristóteles, passando por Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Descartes, Locke, Hume e outros. Ainda na segunda metade do século XIX surgem os primeiros avanços no estudo do sistema nervoso e ocorre a introdução de práticas experimentais, com o alemão Wilhelm Wundt (1832-1920). É por esta época que se produzem os primeiros trabalhos de envergadura de pesquisa experimental sobre aprendizagem, com Ebbinghaus, no domínio da memória e Thorndike, em torno da formação de hábitos, com a utilização de animais. A este último deve-se a transposição das idéias de Darwin para o campo da aprendizagem.
A corrente psicológica inaugurada por Thorndike foi bastante influenciada pelo filósofo e psicólogo americano William James (1842-1910), também o mais importante representante da corrente filosófica do pragmatismo. Esta linha de pensamento dá grande valor à interação da teoria com a práxis. Segundo o próprio James, “teorias não são mais respostas para charadas, respostas com as quais podemos nos satisfazer; teorias transformam-se sobretudo em ferramentas” (James, 1994, pág. 23 e 24 – tradução nossa). William James, além de grande filósofo, é considerado por muitos o pai da psicologia americana. 

Em sua obra Principles of Psychology (Princípios de Psicologia), afirma que a mente não poderia aprender a menos que tivesse rudimentos de conhecimento inato. O psicólogo estava convencido de que os seres humanos dispunham de tendências inatas, que não eram provenientes da experiência, mas eram herdadas, tendo se originado através do processo da seleção natural. Na mesma obra, James afirmava que os seres humanos tinham mais instintos do que outros animais, e não menos. 

As idéias de William James, que contribuíram para a criação da psicologia funcionalista e influenciaram outros autores, foram aos poucos perdendo o interesse do mundo acadêmico. O funcionalismo foi eclipsado por outras escolas psicologia, como a escola behaviorista ou comportamentalista. Todavia, o princípio do funcionalismo ressurgiu parcialmente em 1958, quando o lingüista Noam Chomsky retomou a idéia dos “rudimentos de conceitos inatos”, defendido por James anteriormente, e que Chomsky chamava agora de “gramática profunda”. Nesta teoria, o lingüista afirma que era impossível que uma criança – dado o pouco tempo de vida e a complexidade do arranjo – aprendesse as regras inatas na linguagem, como defendido pelo behaviorismo. Chomsky apresentou exemplos onde criticava a posição comportamentalista e tentava provar que a mente da criança deveria ter as regras inatas, através das quais o vocabulário da linguagem é fixado. 
O desenvolvimento conjunto de várias ciências como a biologia, a genética, a neurologia, a antropologia, a paleontologia e a psicologia, permitiu que nos últimos trinta anos se reunisse um número cada vez maior de informações, que propiciaram o ressurgimento do funcionalismo, agora sob novas roupagens. O primeiro indício deste reaparecimento desta corrente de pensamento psicológico foi a publicação do livro Sociobiology: The New Synthesis, do biólogo Edward O. Wilson, que causou grande impacto no mundo acadêmico quando surgiu. A obra, interpretada à época tendenciosamente por vários autores e universidade americanas, acabou gerando forte oposição e foi acusada de defender o darwinismo social. O psicólogo americano Stephen Pinker, referindo-se a Wilson em seu livro Tábula Rasa, defende-o das acusações e resume sua proposta da seguinte maneira: “(Wilson) analisa princípios sobre evolução da comunicação, altruísmo, agressão, sexo e criação de prole e os aplica aos principais grupos taxonômicos dos animais sociais como insetos, peixes e aves.
O capítulo 27 faz o mesmo para o Homo Sapiens, tratando nossa espécie como mais um ramo do reino animal. Inclui um exame da literatura sobre os universais e variação de sociedades, uma discussão sobre linguagem e os seus efeitos sobre a cultura e a hipótese de que alguns universais (incluindo o senso moral) podem provir de uma natureza humana moldada pela seleção natural. Wilson manifestou a esperança de que sua idéia pudesse ligar a biologia às ciências sociais e à filosofia…” (Steven Pinker, 2004, pág.157). 
A partir da década de 1990, dois acadêmicos de Harvard, John Tooby e Leda Cosmides retomaram muitos pontos defendidos pela sociobiologia e criaram a psicologia evolutiva. O zoólogo inglês Matt Ridley define esta corrente psicológica da seguinte maneira: “Foi uma tentativa de fundir o melhor do nativismo (funcionalismo) de Chomsky – a idéia de que a mente não pode aprender a não ser que tenha rudimentos de conhecimento inato – com o melhor do selecionismo da sociobiologia: a forma de compreender uma parte da mente é entender o que a seleção natural planejou que ela fizesse.” (Ridley, 2003, pág. 308). 

Para se compreender a evolução da corrente psicológica do funcionalismo, desde os tempos de William James até a psicologia evolutiva, é necessário entender a evolução do darwinismo ao longo dos últimos 150 anos – já que este influenciou bastante esta psicologia. Segundo um dos maiores biólogos do século XX, Ernst Mayr, o darwinismo teve seis fases, cada uma agregando mais dados e aprofundando as bases da teoria da evolução, cobrindo o período de 1859 até por volta do ano 2000. Eliminando falsas interpretações como o lamarckismo (para o qual a evolução se dá por transmissão de características adquiridas); o saltacionismo (no qual a evolução acontece “aos saltos”, por mudanças abruptas) e a ortogênese (segundo a qual a evolução teria uma meta, seria teleológica) e incorporando a genética e a biologia molecular, a teoria da evolução é hoje tão bem comprovada quantas outras teorias no ramo da física. 

Segundo escrevem Leda Cosmides e John Tooby em seu estudo Evolutionary Psychology: A Primer (Psicologia evolutiva: um guia) “o objetivo de estudo da psicologia evolutiva é descobrir e entender o projeto da mente humana. A psicologia evolutiva é uma abordagem da psicologia, na qual conhecimentos e princípios da biologia evolucionista são colocados em uso na pesquisa da estrutura da mente humana.” (Cosmides, Tooby, 2007, pág. 1 – tradução nossa). Baseada na teoria da evolução, a psicologia evolutiva encara a mente como um conjunto de “máquinas de processamento de informações”, projetadas pela seleção natural para resolver problemas de adaptação, enfrentados por nossos ancestrais caçadorescoletores. Retomando a afirmação já feita por William James, no final do século XIX, os autores dizem que tendemos a considerar o ser humano como uma espécie que transcendeu ou sublimou (para usar uma expressão cara a Sigmund Freud) seus instintos, substituindo-os em grande parte pela racionalidade. 

Todavia, se observarmos todas as coisas que automaticamente fazemos com nosso cérebro, como olhar, falar, gostar de alguém, devolver um favor, ter medo de doenças, apaixonar-se, iniciar um ataque, deslocar-se na paisagem, e uma gama de outras coisas, percebemos que estas ações só são possíveis porque há um vasto e heterogêneo sistema computacional, ajudando e regulando estas atividades. Este sistema trabalha tão bem que nem percebemos que existe.
Entre filósofos e cientistas, antes e depois de Darwin, sempre foi senso comum que a mente humana era uma folha em branco, uma “tabula rasa”, virtualmente sem nenhum conteúdo. Tomás de Aquino já escrevia que “não há nada no intelecto que não estivesse antes nos sentidos”, e nisso foi seguido por John Locke, o pai do empirismo inglês, que entre outros influenciou a filosofia de Rousseau (“o homem é bom por natureza, a sociedade é que o corrompe”) e todo o pensamento marxista além do behaviorismo. De acordo com esta corrente de pensamento, todo conteúdo da mente humana tem origem “externa”; a arquitetura mental consiste de mecanismos independentes, classificados sob nomes como “aprendizado”, “indução”, “inteligência”, “imitação”, “racionalidade” ou “cultura”. Tais mecanismos mentais não possuem estruturas de processamento, o que implica que tudo o que pensamos e sentimos vem do exterior e do mundo social. 

A psicologia evolutiva, por outro lado, afirma que toda a mente humana tem uma estrutura de circuitos especializados, propiciando estruturas universais de sentido, que nos permitem entender as ações e as intenções dos outros. Steven Mithen em seu livro A pré-história da mente, descreve a psicologia evolutiva da seguinte maneira: “…Cosmides e Tooby tratam a mente como tratamos qualquer órgão do corpo – é um mecanismo evoluído, construído e ajustado em resposta às pressões seletivas enfrentadas por nossa espécie durante a evolução.” (…) “como conseqüência disso, Cosmides e Tooby argumentam que a mente é um canivete suíço com um grande número de lâminas altamente especializadas”. (Steven Mithen, 2002, pág. 68). 

A psicologia evolutiva, segundo Cosmides e Tooby, estuda: 1) Cérebros; 2) Como cérebros processam informações; 3) Como os programas de processamento de informações do cérebro geram comportamento. Se assumirmos que a psicologia é um ramo da biologia, várias ferramentas podem ser aplicadas à psicologia. Os cinco princípios básicos, utilizados como métodos pela psicologia evolutiva, são:
1º Princípio: O cérebro é um sistema físico, que atua como um computador. Seus circuitos são projetados para gerar comportamento que seja apropriado às nossas circunstâncias ambientais. O cérebro é um sistema físico, cuja operação é governada unicamente pelas leis da química e da física. Sua função é processar informações, ou seja, é um computador feito de componentes à base de carbono. Nesta estrutura, neurônios são conectados uns os outros, de uma maneira altamente organizada e são por sua vez conectados aos circuitos neurais, que percorrem o corpo humano. Receptores sensórios são conectados a neurônios, que transmitem informação ao cérebro. Em suma, os circuitos do cérebro são projetados para gerar movimento, respondendo às informações do ambiente. A função do cérebro, este computador “molhado”, é gerar comportamento que seja apropriado às circunstâncias encontradas pelo restante do corpo no ambiente. 

2º Princípio: O sistema neurônico e neural foi projetado pela seleção natural, para resolver problemas que nossos ancestrais enfrentaram durante a história evolutiva de nossa espécie. Nossos circuitos neurais formaram-se para resolver problemas adaptativos, ou seja, como o organismo sobrevive: o que come, de quem é presa, com quem se acasala, com quem se associa, como se comunica, e assim por diante. 

3º Princípio: A consciência é apenas a ponta do iceberg; a maior parte do que ocorre no cérebro permanece desconhecido. Como resultado, nossa experiência consciente pode nos iludir e fazer-nos pensar que a estrutura da mente é mais simples do que parece. A maior parte dos problemas que experimentamos como fáceis de resolver são difíceis – requerem um circuito neural bastante complexo. A complexidade do funcionamento da mente humana é muito grande. Podemos apresentar grandes generalizações, que todavia não explicam como a estrutura efetivamente funciona. 

4º Princípio: Diferentes circuitos neurais são especializações para resolverem diferentes problemas de adaptabilidade. Segundo a psicologia evolutiva, temos todos estes circuitos neurais especializados, porque o mesmo mecanismo raramente é capaz de atender diferentes necessidades de adaptação, como escutar, enxergar, sentir raiva, medo, náusea, etc. Conseqüentemente, o cérebro deve ser composto de grandes grupos de circuitos, com diferentes subcircuitos, especializados para resolver diferentes desafios.
5º Princípio: Nosso moderno crânio abriga uma mente da Idade da Pedra. A seleção natural levou muito tempo para produzir suas mudanças e construir novos circuitos em nossos cérebros. Quase 99% do tempo de existência de nossa espécie despendemos como caçadores-coletores. Nossos ancestrais viviam em pequenos grupos nômades, com poucas dúzias de indivíduos, obtendo seu alimento diário – quando disponível – caçando animais e colhendo plantas. Desta forma, a chave para entender o funcionamento da mente moderna é compreender que seus circuitos não foram projetados para problemas diários de um cidadão moderno – foram desenvolvidos para problemas diários de nossos ancestrais caçadores-coletores. Isto, todavia, não quer dizer que nossa mente não tenha mecanismos de aprendizado, capazes de permitir que criemos novos ambientes e nos adaptemos a eles. 

Estes são os principais aspectos da psicologia evolutiva, ramo da psicologia – ou da biologia – que vem despertando a atenção de cientistas e filósofos envolvidos com a questão do darwinismo e do estudo da mente. As implicações filosóficas desta teoria ainda não foram avaliadas completamente, mas deverão ter grande ressonância nos próximos anos, haja vista o enorme impacto provocado pela teoria da evolução e pela teoria da psicanálise na filosofia. 

Para terminar esta exposição, citamos as palavras do neurobiólogo Wolf Singer que, referindo-se ao estudo da evolução do cérebro e de suas consequências, afirma: “Finalmente precisamos reconhecer que estamos enredados em sistemas cujo desenvolvimento não podemos prognosticar, nem efetivamente dirigir. Para complicar ainda mais, junte-se a isto o fato de que não conseguimos imaginar a dinâmica de sistemas não-lineares mais complexos. Já que processos não-lineares dificilmente são previsíveis ou direcionáveis, não surgiu durante o processo evolutivo necessidade de desenvolver sistemas cognitivos que pudessem “imaginar” acontecimentos complexos, não-lineares. (Wolf Singer, 2003, pág.301 – tradução nossa).
Fonte:
CONSCIÊNCIA.ORG

BIBLIOGRAFIA
Bastos, Cleverson Leite, Mente, Cogniçao e a Teoria da Mente Ornamental, 
Revista de Filosofia, Curitiba,