domingo, 10 de abril de 2011

COMO É SER ATEU? - André Cancian

Como é ser ateu?

André Cancian
 
1) Qual sua idade?
Nasci em 19/02/1982.

2) Há quanto tempo você é ateu?
Se a pergunta quer dizer “Há quanto tempo você tem consciência de que é ateu”, a resposta é desde os catorze anos, que foi quando adquiri maturidade suficiente para pensar independentemente sobre tais assuntos. Entretanto, tomando-se a definição correta de ateísmo, que é “ausência de teísmo”, ou seja, “ausência de crença em deus(es)”, então, em certo sentido, pode-se dizer que sempre fui ateu, antes implícito, agora explícito. Como ninguém nasce acreditando em deus, então, em rigor, todos nascemos ateus e permanecemos como tais até que surja em nós a crença em algum tipo de deus. No meu caso, não surgiu.

3) O que o levou a essa escolha?
Como disse, eu nunca “escolhi” o ateísmo. Nasci ateu e permaneço como tal até hoje. Permaneço ateu porque essa posição me parece a mais sensata ante a ausência de evidências para a existência de um “deus” — seja isso o que for. O raciocínio que fundamenta tal posicionamento é algo muito simples: não devemos acreditar em algo se não tivermos motivos para fazê-lo. Note que, em geral, há a tendência de se tentar inverter o “ônus da prova” nessa questão, ou seja, faz-se parecer que são os ateus que devem se justificar por não crer, como se precisassem provar a inexistência de deus para validar sua posição. Contudo, veja o seguinte detalhe: como poderíamos fazer isso — provar a inexistência de deus — se, na realidade, nem sequer existem provas de sua existência para refutarmos? Assim, em princípio, o ateísmo não precisa “provar” nada, pois ele não é uma “crença”, mas uma descrença — e qual justificativa poderia ser necessária para o fato de alguém não acreditar em algo porque não há evidências? É quem afirma a existência de algo que cabe o dever de fornecer provas. Além disso, se não adotarmos a descrença como posição padrão para a ausência de evidências, precisaríamos acreditar em tudo por padrão — e isso inclui acreditar em todos os deuses ao mesmo tempo, por exemplo. Uma situação bem estranha.

4) Há outras pessoas que não creem em deus em sua família?
Sim, há outros membros da família que são descrentes. Meus dois irmãos, por exemplo.

5) Em caso negativo, como seus pais encararam sua escolha?
Meus pais a encaram com naturalidade e, acima de tudo, respeitam minha escolha, assim como eu respeito a deles.

6) Em caso afirmativo, o que você reconhece de diferente no dia a dia de sua família?
Nunca fui capaz de perceber qualquer reflexo do ateísmo no dia a dia, num sentido prático. Ateus costumam viver como a maioria das pessoas: tentando levar uma existência feliz e agradável, lutando para conquistar nossos sonhos.

7) Você já acreditou na existência de deus em algum momento?
Não, nunca acreditei. Claro, eu considerei a hipótese. Considerei-a, analisei-a e, então, descartei-a. Entretanto, deve ficar claro que estou e sempre estive aberto às evidências. Não sou ateu porque decidi que deus simplesmente não existe e ponto final. Apenas pesei as evidências disponíveis contra e em favor da existência deste “ser”, e cheguei à conclusão de que não existem motivos que justifiquem a crença. Mas, por exemplo, se chegasse a mim um indivíduo que pudesse provar, sem margem de dúvida, a existência de deus, não há qualquer dúvida quanto a isto: eu acreditaria imediatamente em sua existência. Não sou um ateu irrevogavelmente convicto, pois, como dizia Nietzsche, Homens convictos são prisioneiros. Mantenho sempre minha cabeça aberta. Esse é todo o conceito por detrás do meu ateísmo. A única coisa que me nego a fazer é acreditar em algo sem possuir justificativas.

8) Como é o dia a dia sem deus?
Pelo que percebi até hoje, praticamente como o de qualquer outra pessoa. Teoricamente, parece que sermos o centro da criação ou apenas animais racionais faria muita diferença sobre como viveremos nossa vida, mas na realidade não parece virtualmente nenhuma. Provavelmente porque, no dia a dia, preocupamo-nos com nossas necessidades humanas, ou seja, com trabalhar, comer, dormir, não com ser “salvos”. Então, por isso mesmo, se alguém chegasse a mim e provasse a existência de deus, claro, eu passaria a acreditar em deus. Talvez fosse até interessante a situação de ter uma “vida eterna”. Porém, no que toca a prática, não acho que isso mudaria o modo como vivo minha vida.

9) Você usa ou já usou expressões como “graças a Deus”, “Deus me livre”, “se deus quiser”, mesmo que por força de expressão?
Não vejo problema nelas em si mesmas, são só palavras. Contudo, não deixo de sentir que refletem a expectativa de uma “intervenção divina” em nossas vidas, algo que, a meu ver, poderia incentivar uma espécie de comodismo, uma postura de passividade frente aos problemas da vida.

10) Deus é, muitas vezes, uma espécie de suporte para enfrentar as turbulências da vida. Quando não há fé em Deus, o que substitui esse “suporte” nos momentos de dor? Onde você busca consolo/conforto?
Depende do problema: se estou com dor de dente, vou ao dentista; se estou doente, vou ao médico. Acho que procurar entender as verdadeiras causas de nosso sofrimento é o método mais eficiente para solucioná-lo pela raiz, em vez de apenas remediá-lo com placebos espirituais. Além disso, como a maiorias das pessoas, tenho amigos, tenho familiares, e eles me apoiam nesses momentos. Não preciso de mais que isso.

11) Quando se acredita em deus, é possível associar valores éticos e morais à lógica cristã. Quando não se crê em deus, como se fundamentam esses valores? Qual o parâmetro para definir o “certo e o errado”, o “justo e o injusto”, por exemplo?
A moral dos ateus costuma ter uma orientação humanista, baseada no reconhecimento de que seres humanos têm muitas necessidades, interesses e objetivos comuns, e que, portanto, é possível fundamentar valores morais em termos de necessidades humanas compartilhadas — necessidades biológicas, psicológicas, sociais, emocionais etc. Em grande medida, a moralidade humana baseia-se, não em “crenças”, mas em nossa própria natureza humana, nas respostas emocionais comuns que apresentamos diante das mesmas situações. Compaixão, altruísmo e solidariedade são coisas que estão presentes tanto em crentes quanto em descrentes, e isso não é algo que se escolhe. Faz parte de quem somos. Então, voltando à pergunta inicial, para ateus a moral é um conjunto de regras de conduta feitas por humanos para satisfazer necessidades humanas, cuja finalidade última é promover o nosso próprio bem-estar e permitir a vida em sociedade.

12) Como você encara datas festivas religiosas como Natal e Páscoa, por exemplo? Comemora ou não? De que forma?
Bem, não faria muito sentido “comemorar” algo em que não acredito. Então, na prática, vejo essas datas como tempo livre para fazer o que gosto — ler um bom livro, passear, conversar com os amigos etc.

13) Você já se sentiu/sente-se discriminado por ser ateu? Em caso afirmativo, como foi/é a situação?
Pelo menos em minha experiência pessoal, todos os que me circundam sempre respeitaram meu ponto de vista.

14) Você teve que tipo de formação escolar: pública ou privada?
Até o ensino médio, estudei em escolas particulares católicas.

15) Quais os fundamentos do ateísmo?
O ateísmo não possui propriamente um “fundamento”. Quero dizer, ele, em si mesmo, não diz nada sobre como a pessoa vai comportar-se, pois o ateísmo não é um conjunto de “princípios” a serem seguidos, não é um é um conjunto de valores. Ateísmo é apenas o nome que se dá à descrença em deus.

16) Como surgiu a ideia de seu site?
Vi na internet um canal para realizar aquilo que quase todos desejam: possuir um espaço para compartilhar suas ideias. O objetivo principal do site é disponibilizar textos ricos em conteúdo informativo, convidando o leitor a refletir sobre assuntos nos quais, em geral, não pensamos muito. Assim, a ideia não é “converter” o leitor. A proposta é apenas disponibilizar o material, deixando que cada qual tire suas próprias conclusões.

17) Há quanto tempo ele está no ar?
Seus rudimentos datam de 1999, mas ele começou, com o formato que tem atualmente, em 2001.

18) Você tem noção do volume de acessos dia/mês?
O site recebe em torno de 5000 visitas diárias.

Fonte:

Sejam felizes todos os seres. Vivam em paz todos os seres.
Sejam abençoados todos os seres.

ESQUISOFRENIA



Esquizofrenia
Star of life caution.svg Aviso médico
Classificação e recursos externos
Bleuler.png
Eugen Bleuler  deu nome à Esquizofrenia, desordem que era conhecida anteriormente como dementia praecox
CID-10 F20.
CID-9 295
OMIM 181500
DiseasesDB 11890
MeSH F03.700.750  

A esquizofrenia (do grego σχιζοφρενία; σχίζειν, "dividir"; e φρήν, "phren", "phrenés", no antigo grego, parte do corpo identificada por fazer a ligação entre o corpo e a alma, literalmente significa "diafragma"[1]) é um transtorno psíquico severo que se caracteriza classicamente pelos seguintes sintomas:  

alterações do pensamento, alucinações (visuais, sinestésicas, e sobretudo auditivas), delírios e alterações no contato com a realidade. 

Junto da paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10) e dos transtornos graves do humor (a antiga psicose maníaco-depressiva, hoje fragmentada na CID-10 em episódio maníaco, episódio depressivo grave e transtorno bipolar), as esquizofrenias compõem o grupo das Psicoses[2]

É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir diversos tipos de pessoas, sem exclusão de grupos ou classes sociais.

De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia atinge 1% da população mundial,[3] manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos, com proporção semelhante entre homens e mulheres, podendo igualmente ocorrer na infância ou na meia-idade.

Algumas pessoas acometidas da esquizofrenia se destacaram e se destacam no meio acadêmico, artístico e social. Um exemplo famoso é o do matemático norte-americano John Forbes Nash, que, apesar do desafio de conviver por toda a vida com os sintomas psicóticos típicos, é um intelectual importante, deixando grandes contribuições às áreas de economia, biologia e teoria dos jogos.

 Sintomas

A esquizofrenia, talvez a psicopatologia de maior comprometimento ao longo da vida, caracteriza-se essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora primariamente um transtorno que afeta os processos cognitivos[de conhecimento], seus efeitos repercutem-se também no comportamento e nas emoções.

Os sintomas da esquizofrenia podem não ser os mesmos de indivíduo para indivíduo, podendo aparecer de forma insidiosa e gradual ou, pelo contrário, manifestar-se de forma explosiva e instantânea.
Podem ser divididos em duas grandes categorias: sintomas positivos e negativos.

Sintomas positivos

Os sintomas positivos estão presentes com maior visibilidade na fase aguda do transtorno e são as perturbações mentais "muito fora" do normal, como que "acrescentadas" às funções psicológicas do indivíduo. Entende-se como sintomas positivos os delírios — ideias delirantes, pensamentos irreais, "ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo",[4] por exemplo, um indivíduo que acha que está a ser perseguido pela polícia secreta, e acha que é o responsável pelas guerras do mundo; as alucinações, percepções irreais – ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo irreal, sendo mais frequente as alucinações auditivo-visuais; pensamento e discurso desorganizado, elaboração de frases sem qualquer sentido ou invenção de palavras; alterações do comportamento, ansiedade, impulsos ou agressividade.

Sintomas negativos

Os sintomas negativos são o resultado da perda ou diminuição das capacidades mentais, "acompanham a evolução da doença e refletem um estado deficitário ao nível da motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais",[4] como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social; apatia; indiferença emocional; pobreza do pensamento.

Estes sinais não se manifestam todos no indivíduo esquizofrénico. Algumas pessoas vêem-se mais afetadas do que outras, podendo muitas vezes ser incompatível com uma vida normal. No entanto, alguns sintomas podem oscilar, aparecer e desaparecer em ciclos de recidivas e remissões.
"Não há, contudo, sinais nem sintomas patognomónicos da doença, podendo-se de alguma forma fazer referência a um quadro prodrómico que são em grande parte sintomas negativos, como, por exemplo, inversão do ciclo de sono, isolamento, perda de interesse por atividades anteriormente agradáveis, apatia, descuido com a higiene pessoal, ideias bizarras, comportamentos poucos habituais, dificuldades escolares e profissionais, entre outras.
 
Posteriormente a esta fase inicial, surgem os sintomas positivos".[5]
"Diz-se que os primeiros sinais e sintomas 
de esquizofrenia são insidiosos. 
O primeiro sintoma de sossego/calma e afastamento, 
visível num adolescente, 
normalmente passa despercebido como tal, 
pois se remete o facto para "é uma fase". 
Pode inclusivamente ser um enfermeiro de saúde escolar
ou um conselheiro a começar a notar estas mudanças. (…)
É importante dizer-se que é muito fácil interpretar
incorretamente estes comportamentos, 
associando-os à idade.".[6]

Causas

Não existe uma causa única para o desencadear deste transtorno. Assim como o prognóstico é incerto para muitos quadros, a etiologia das psicoses, principalmente da esquizofrenia, é incerta, ou melhor, de causação multifatorial. Admite-se hoje que várias causas concorrem entre si para o aparecimento, como: quadro psicológico (consciente e inconsciente); o ambiente; histórico familiar da doença e de outros transtornos mentais; e mais recentemente, tem-se admitido a possibilidade de uso de substâncias psicoativas poderem ser responsáveis pelo desencadeamento de surtos e afloração de quadros psicóticos.

Teoria genética

A teoria genética admite que genes podem estar envolvidos, contribuindo juntamente com os fatores ambientais para o desencadear do transtorno. Sabe-se que a probabilidade de um indivíduo vir a sofrer de esquizofrenia aumenta se houver um caso desta doença na família. "No caso de um dos pais sofrer de esquizofrenia, a prevalência da doença nos descendentes diretos é de 12%. É o caso do esquizofrênico matemático norte-americano John Nash que divide com o filho, John Charles Martin, a mesma doença.

Na situação em que ambos os pais se encontram atingidos pela doença, esse valor sobe para 40%".[7] No entanto, mesmo na ausência de história familiar, a doença pode ainda ocorrer.".[4] Segundo Gottesman (1991), referenciado por Pedro Afonso (2002), sabe-se ainda que cerca de 81% dos doentes com esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afetado. 

No entanto, a causalidade genética ainda não é comprovada e as pesquisas têm demonstrado discrepâncias muito grandes quando se trata de investigar a predisposição para a doença.

Outro argumento importante é a concordância em gêmeos monozigóticos (48%) é significativamente maior do que a encontrada em gêmeos dizigóticos (17%). 

Os estudos indicam a presença de múltiplos genes 
responsáveis pela esquizofrenia 
e suas variações.[8]

Teoria neurobiológica

As teorias neurobiológicas defendem que a esquizofrenia é essencialmente causada por alterações bioquímicas e estruturais do cérebro, em especial com uma disfunção dopaminérgica, embora alterações noutros neurotransmissores estejam também envolvidas. A maioria dos neurolépticos (antipsicóticos) atua precisamente nos receptores da dopamina no cérebro, reduzindo a produção endógena deste neurotransmissor.

Exatamente por isso, alguns sintomas característicos da esquizofrenia podem ser desencadeados por fármacos que aumentam a atividade dopaminérgica (ex: anfetaminas).[5] 

Esta teoria é parcialmente comprovada pelo fato de a maioria dos fármacos utilizados no tratamento da esquizofrenia (neurolépticos) atuarem através do bloqueio dos receptores (D2) da dopamina.

Teorias psicanalíticas

As teorias psicanalíticas (ou de relação precoce) têm como base a teoria freudiana da psicanálise, e remetem para a fase oral do desenvolvimento psicológico, na qual "a ausência de gratificação verbal ou da relação inicial entre mãe e bebê conduz igualmente as personalidades "frias" ou desinteressadas (ou indiferentes) no estabelecimento das relações".[6] 

A ausência de relações interpessoais satisfatórias 
estaria assim na origem da esquizofrenia.

Teorias familiares

Assim como a abordagem psicanalítica, outras abordagens responsabilizam a família, mas apesar de terem bastante impacto histórico tiveram pouco embasamento empírico para essas afirmações. Surgiram na década de 1950, baseadas umas no tipo de comunicação entre os vários elementos das famílias e aparecendo outras mais ligadas às estruturas familiares.

Dos estudos desenvolvidos surge o conceito «mãe esquizofrenogénica», mães possessivas e dominadoras com seus filhos, como gerador de personalidades esquizofrénicas. Estudos posteriores vieram contudo desconfirmar esta hipótese, relacionando esse comportamento mais com etiologias neuróticas e não com a psicose.

Atualmente as abordagens familiares, ao invés de culpá-la, procuram apoiar a família, reconhecendo as dificuldades em lidar com um membro da família em grave sofrimento psíquico. [9]

Teoria dos neurotransmissores

Têm-se um excesso de dopamina 
na via mesolímbica e
falta dopamina na via mesocortical.

Apesar de existirem todas estas hipóteses para a explicação da origem da esquizofrenia, nenhuma delas individualmente consegue dar uma resposta satisfatória às muitas dúvidas que existem em torno das causas da doença, reforçando assim a ideia de uma provável etiologia multifatorial.

Tipos de esquizofrenia

O diagnóstico da esquizofrenia, como sucede com a grande maioria dos transtornos mentais e demais psicopatologias, não se pode efetuar através da análise de parâmetros fisiológicos ou bioquímicos, e resulta apenas da observação clínica cuidadosa das manifestações do transtorno ao longo do tempo. Quando do diagnóstico, é importante que o médico exclua outras doenças ou condições que possam produzir sintomas psicóticos semelhantes (uso de drogas, epilepsia, tumor cerebral, alterações metabólicas). 

O diagnóstico da esquizofrenia é por vezes difícil.
Para além do diagnóstico, é importante que o profissional identifique qual é o subtipo de esquizofrenia em que o doente se encontra. Atualmente, segundo o DSM IV, existem cinco tipos:
  • Paranóide, é a forma que mais facilmente é identificada com a doença, predominando os sintomas positivos. O quadro clínico é dominado por um delírio paranóide relativamente bem organizado. Os doentes com esquizofrenia paranóide são desconfiados, reservados, podendo ter comportamentos agressivos.[3]
  • Desorganizado, em que os sintomas afectivos e as alterações do pensamento são predominantes. As ideias delirantes, embora presentes, não são organizadas. Alguns doentes pode ocorrer uma irritabilidade marcada associada a comportamentos agressivos. Existe um contacto muito pobre com a realidade.[3]
  • Catatónico, é caracterizada pelo predomínio de sintomas motores e por alterações da actividade, que podem ir desde um estado de cansaço e acinético até à excitação.[3]
  • Indiferenciado, apresenta habitualmente um desenvolvimento insidioso com um isolamento social marcado e uma diminuição no desempenho laboral e intelectual. Observa-se nestes doentes uma certa apatia e indiferença relativamente ao mundo exterior.[3]
  • Residual, nesta forma existe um predomínio de sintomas negativos, os doentes apresentam um isolamento social marcado por um embotamento afectivo e uma pobreza ao nível do conteúdo do pensamento.[3]
Existe também a denominada Esquizofrenia Hebefrênica, com incidência da adolescência, com o pior dos prognósticos em relação às demais variações da doença, e com grandes probabilidades de prejuízos cognitivos e socio-comportamentais.

Estes subtipos não são estanques, em determinada altura da evolução do quadro, a pessoa pode apresentar aspectos clínicos que se identificam com um tipo de esquizofrenia, e ao fim de algum tempo poder reunir critérios de outro subtipo. Outro critério de classificação muito usado é a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). A CID é usada no Brasil e foi adotada como referência para profissionais de saúde do SUS; sua maior utilidade está na possibilidade de traçar perfis epidemiológicos que facilitem as esferas do governo no investimento em saúde.

Existem várias abordagens terapêuticas na intervenção ao doente esquizofrénico, que na maioria dos casos tem indicação de um tratamento interdisciplinar: o acompanhamento médico-medicamentoso, a psicoterapia, a terapia ocupacional (individual ou em grupos), a intervenção familiar, a musicoterapia e a psicoeducação são os procedimentos indicados para estes doentes.

Apesar de não se conhecer a sua cura, o tratamento pode ajudar muito a tratar os sintomas, e a permitir que os doentes possam viver as suas vidas de forma satisfatória e produtiva. A experiência clínica indica que o melhor período para o tratamento da esquizofrenia é com o aparecimento dos primeiros sintomas. Se sintomatologia psicótica permanecer sem tratamento por longos períodos o prognóstico do tratamento é menos favorável. Assim é vital o reconhecimento precoce dos sinais da esquizofrenia para que se possa procurar uma ajuda rápida.[10]

Diagnóstico e questões polêmicas

A esquizofrenia como entidade de diagnóstico tem sido criticada como desprovida de validade científica ou confiabilidade e é parte de críticas mais amplas à validade dos psicodiagnósticos em geral. Uma alternativa sugere que os problemas com o diagnóstico seriam melhor atendidos como dimensões individuais ao longo das quais todos variam, de tal forma que haveria um espectro contínuo em vez de um corte de entre normal e doente. Esta abordagem parece coerente com a investigação sobre esquizotipia e de uma relativamente alta prevalência na experiência dos psicóticos e, muitas vezes, crenças delusionais não perturbadoras entre o público em geral.
 
Outra crítica é que falta coerência nas definições utilizadas para os critérios; é particularmente relevante para a avaliação das ilusões a desordem no pensamento. Mais recentemente, foi alegado que sintomas psicóticos não são uma boa base para a elaboração de um diagnóstico de esquizofrenia como "psicose é a 'febre' de doença mental - um grave mas inespecífico indicador".
Talvez por causa desses fatores, estudos examinando o diagnóstico de esquizofrenia geralmente têm mostrado relativamente baixas ou inconsistentes níveis de confiabilidade diagnóstica. 

Na maioria dos famosos estudos de David Rosenhan em 1972 a ser publicados como saudáveis em lugares demente, demonstrou que o diagnóstico de esquizofrenia foi (pelo menos no momento) muitas vezes subjetivo e pouco fiáveis.

Estudos mais recentes têm encontrado acordo entre quaisquer dois psiquiatras, quando o diagnóstico de esquizofrenia tende a atingir cerca de 65%, na melhor das hipóteses. Este, e os resultados de estudos anteriores de fiabilidade de diagnóstico (que normalmente relataram níveis ainda mais baixos de acordo), levaram alguns críticos a afirmar que o diagnóstico de esquizofrenia deve ser abandonado.

Em 2004, no Japão, o termo japonês para esquizofrenia foi alterado de Seishin-Bunretsu-Byo (doença da mente dividida) para Togo-shitcho-sho (desordem de integração). Em 2006, ativistas no Reino Unido, sob o estandarte de Campanha para a Abolição do Rótulo de Esquizofrenia, defenderam uma semelhante rejeição do diagnóstico de esquizofrenia e uma abordagem diferente para a compreensão e tratamento dos sintomas associados a ela neste momento.
 
Alternativamente, os outros proponentes apresentaram utilizando a presença de déficits neurocognitivas específicas para fazer um diagnóstico. Estes assumem a forma de uma redução ou de comprometimento em funções psicológicas básicas, como memória, atenção, função executiva e resolver problemas.

É este tipo de dificuldades, em vez de os sintomas psicóticos (que, em muitos casos, pode ser controlado por medicamentos antipsicóticos), que parece ser a causa da maioria dos deficiência na esquizofrenia. No entanto, este argumento é relativamente novo e é pouco provável que o método de diagnóstico de esquizofrenia vá mudar radicalmente no futuro próximo.

O diagnóstico de esquizofrenia foi usado para fins políticos em vez de terapêuticos, na União Soviética mais uma sub-classificação de "esquizofrenia que progride lenta" foi criado. Particularmente no RSFSR (República Socialista Federativa Soviética da Rússia), este diagnóstico foi utilizado com a finalidade de silenciar os dissidentes políticos ou forçá-los a desistir de suas ideias através da utilização forçada de confinamento e tratamento.

Em 2000, houve preocupações semelhantes quanto detenção e 'tratamento' de praticantes do movimento Falun Gong pelo governo chinês. Isso levou a Comissão da Associação Psiquiátrica Americana Sobre o Abuso de Psiquiatria e psiquiatras a aprovar uma resolução que inste a Associação Psiquiátrica Mundial a investigar a situação na China.

A interação com pacientes

A doença mental é com frequência relacionada com o mendigo que deambula pelas ruas, que fala sozinho, com a mulher que aparece na TV dizendo ter 16 personalidades e com o homicida "louco" que aparece nos filmes. Esta foi durante muitos anos sinónimo de exclusão social, e o diagnóstico de esquizofrenia, significava como destino "certo" os hospitais psiquiátricos ou asilos, onde os pacientes ficavam durante muitos anos.

O matemático norte-americano John Nash, que, em sua juventude, sofria de esquizofrenia, conseguiu reverter sua situação clínica e ganhar o Prémio Nobel de Ciências Económicas em 1994.
 
Em muitos casos, os indivíduos com esquizofrenia foram crianças tímidas, introvertidas, com dificuldades de relacionamento e com pouca interacção emocional. As crianças apresentam ainda dificuldades ao nível da atenção e do comportamento. Durante a adolescência o isolamento vai se tornando cada vez maior e o rendimento escolar diminuindo. 

Estas modificações são frequentemente associadas à crise da adolescência. "Para o adolescente este é um período de confusão, sente-se desconcentrado, não sabe o que se está a passar com ele. 

O jovem começa a passar grandes períodos frente ao espelho a observar o seu corpo revelando a presença de alterações do seu esquema corporal que podem surgir associadas à vivência psicótica. Isto não acontece só ao nível do corpo, mas também na consciência de si próprio (perturbação da vivência do «eu») apresentando neste caso sentimentos de despersonalização".[4]

Uma crise psicótica
pode ser precipitada por vários factores,
como por exemplo, mudar de casa, 
perder um familiar, rompimento com um(a) namorado(a),
entrar na universidade…

Neste tipo de doença, 
é raro o indivíduo ter consciência 
de que está realmente doente, 
o que torna difícil a adesão ao tratamento.

Um dos maiores medos que a pessoa com esquizofrenia sente é o de ser estigmatizada por preconceitos sociais relativamente à sua doença, especialmente a ideia de que a pessoa é violenta, intrinsecamente perigosa, ideia essa que estudos recentes põem completamente de parte, mostrando que a incidência de comportamento violento nestes doentes e na população em geral é idêntico, se não mesmo inferior.
"Quero que as pessoas entendam que sou como os outros. 
Sou um indivíduo e deveria ser tratada como tal pela sociedade.
Não deveriam fechar-me numa caixa com a etiqueta de esquizofrenia"[11] (Jane).
"As pessoas com esquizofrenia 
têm muitas vezes dificuldade 
em satisfazer as suas necessidades
devido à sua doença".[11]
É importante que o processo de reabilitação seja um processo contínuo, para que possa ter sucesso, proporcionando uma maior qualidade de vida, maior autonomia e realização pessoal. Para atingir estes objectivos, foram criadas estruturas de apoio, os chamados equipamentos substitutivos (à estrutura manicomial) como os CAPS (Centros de Atenção psicossocial), Centros de Convivência, Oficinas, hospitais dia, serviços residenciais terapêuticos, empregos apoiados, fóruns sócio-ocupacionais.

Uma das grandes dificuldades destes doentes é a sua integração no mercado de trabalho, visto existir uma grande competitividade, levando a que muitos acabem por desistir. Daí ser relevante o acompanhamento destes no período de adaptação.

É bastante útil que o paciente tenha conhecimentos sobre os sintomas e possíveis sofrimentos ao longo da vida, e que possa ter um papel ativo no seu tratamento e controle sobre o seu estado. Sendo por isso vantajoso que estes sigam alguns cuidados, nomeadamente:
  • Se achar que a medicação não está a ajudar ou sentir efeitos não desejáveis deve avisar o seu médico psiquiatra;
  • Fazer psicoterapia e ter consultas regulares com seu psicólogo;
  • Ter o cuidado de conservar um ritmo de sono e vigília correto, com as horas de sono necessárias;
  • Evitar o stress;
  • Deve manter rotinas normais de higiene, alimentação, atividades físicas e de lazer;
  • Evitar substâncias psicoativas que possam interferir prejudicialmente no tratamento - como álcool e outras drogas;
  • Procurar ter horas para dormir, comer, trabalhar - ou seja, criar rotinas;
  • Permanecer em contato com as outras pessoas, não buscar o isolamento;
  • Manter o contato com o psiquiatra, psicólogo e a equipe de saúde mental;
  • Praticar desporto pelo menos uma vez por semana;
  • A participação da família é fundamental, reuniões dos psicólogos com os familiares são muito importantes porque a residência é o ambiente cerne da busca da sanidade mental.
Os esquizofrénicos podem apresentar também sintomas depressivos, que nem sempre têm origem em aspectos biológicos ou neuroquímicos da doença. "O desapontamento e a desilusão vividos por alguns deste doentes perante os repetidos fracassos em manterem um emprego, em conseguirem voltar a estudar ou terem um grupo de amigos torna-se uma realidade incontornável",[4] levando a sentimentos de frustração.

Um outro aspecto associado à depressão na esquizofrenia é a questão do suicídio, que pode ter origem em vários factores: o sofrimento psíquico associado à própria vivência psicótica, o aspecto crónico e recorrente da doença que afecta muitos jovens.

O papel ativo da família é essencial para o tratamento, reabilitação e reinserção social do seu familiar que sofre de esquizofrenia. Muitas famílias procuram o apoio junto aos técnicos de saúde, permitindo assim que estas superem e sobrevivam às dificuldades que encontram; no entanto, há aquelas que não o fazem, levando ao seu adoecimento, ou seja, não conseguem lidar com as crises, conduzindo à sua desestruturação ou destruição.[12]

A família deve estar preparada para o fato do doente poder ter recaídas ao longo do tempo, o que pode conduzir a um possível internamento hospitalar. É bastante importante o apoio da família ao doente durante o tempo da sua permanência no hospital, através de reforço positivo, comunicação, visitas, mostrar interesse em saber como vai a evolução da sua doença.

É natural que muitas dúvidas surjam na família em relação ao comportamento que vão ter de adotar perante esta nova etapa da vida do seu familiar. Em primeiro lugar é importante que o familiar comece por se colocar no lugar da outra pessoa.

Os problemas que geralmente ocorrem na família do esquizofrénico são os seguintes:
  • Medo… "Ele poderá fazer mal a si ou às outras pessoas?"
  • Negação da gravidade… "Isso daqui a pouco passa", "Você não é como esse cara da televisão"
  • Incapacidade de falar ou pensar em outra coisa que não seja a doença… "Toda a nossa vida gira em torno do nosso filho doente"
  • Isolamento social… "As pessoas até nos procuram, mas não temos como fazer os programas que nos propõem"
  • Constante busca de explicações… "Ele está assim por algo que fizemos?"
  • Depressão… "Não consigo falar da doença do meu filho sem chorar".
Em suma, o impacto que uma pessoa com esquizofrenia tem na família e a forma como esta se adapta face à situação depende da singularidade de cada um dos seus membros, mas também da forma como a doença surge (insidiosa ou abrupta), o seu curso, a suas consequências, no sentido de haver risco de morte ameaçada ou não (fase de crise à fase crónica), e ao grau de incapacidade gerado. 

Todos estes fatores têm de ser vistos numa perspectiva psico-social e não isoladamente. Deve ser dada atenção extrema ao fato de que o próprio esforço de adaptação por parte da família pode ter como consequência um estado de exaustão, da parte dos famíliares, como é referido por Helena Luís.

Tratamento farmacológico

são eficazes no alívio dos sintomas 
da esquizofrenia em 70% dos casos.

Alguns deles, conhecidos como antipsicóticos típicos, inibem fortemente os receptores D2 da Dopamina das vias dopaminérgicas ligadas ao Sistema límbico do cérebro, e o seu sucesso constitui uma forte evidência da importância das alterações bioquímicas na patogenia da doença conhecida como hipótese dopamínica (que talvez sejam uma resposta secundária a eventos causadores da doença como o são as alterações comportamentais).

O exemplo mais usual de
antipsicótico típico é o haloperidol 

Outros inibem fracamente os receptores D2 da Dopamina, tendo ação inibidora serotoninérgica simultânea, conhecidos como antipsicóticos atípicos (clozapina por exemplo). Estes têm um sucesso maior sobre os casos refratários ao tratamento com antipsicóticos típicos ou sobre os casos com sintomatologia negativa predominante. Como leva a agranulocitose em cerca de 1% dos casos, deve ser conduzido um hemograma periódico conjuntamente à utilização da droga. 

Existe uma nova geração de antipsicóticos atípicos que não originaria agranulocitose como a risperidona e a olanzapina, que devem ser utilizados como primeira escolha por pacientes psicóticos, exceto nos casos em que o fator sócio-econômico tiver peso dominante (o custo de aquisição da droga é alto). Os antipsicóticos atípicos, justamente por agirem fracamente sobre os receptores D2, são uma evidência contrária à hipótese dopaminica.

Referências...

  1. ↑ A palavra φρήν, na literatura poética e filosófica do período arcaico, de grade riqueza polissêmica, se relacionava com o que dizia respeito às coisas do coração, da alma. Articulada intimamente à palavra psyché, que significa alma, φρήν era usado para se referir igualmente às profundezas da interioridade humana, onde estão as raízes do intelectivo e do afetivo. Psyché como princípio de vida, de inteligibilidade e de afetividade, é o próprio conceito que os gregos criaram para alma; que mais tarde foi traduzido por mente.
  2.  Portanto, a alma, psyché, enquanto princípio vital, de inteligibilidade, não pode ser entendida somente por inteligência intuitiva, racional e cognitiva, mas também em sua dimensão afetiva, próprio da palavra φρήν, phrén. Dessa forma, a palavra alma abrange tudo que é da ordem do querer e do desejar, tudo que é da ordem do coração. ROCHA (2001)
Fonte:
Wikipédia,
Na Wikipédia, todos são alunos e professores. 
Leia e aprenda, edite e ensine
http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquizofrenia
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LOUCURA

 

Parte de Alegoria do Triunfo de Vênus, de Agnolo Bronzino.
 
A loucura ou insânia é segundo a psicologia uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psicopatologia.

Algumas visões sobre loucura defendem que o sujeito não está doente da mente, mas pode simplesmente ser uma maneira diferente de ser julgado pela sociedade. Na visão da lei civil, a insanidade revoga obrigações legais e até atos cometidos contra a sociedade civil com diagnóstico prévio de psicólogos, julgados então como insanidade mental.

A loucura ao longo do tempo

As significações da loucura mudaram ao longo da história. Na visão de Homero, os homens não passariam de bonecos à mercê dos deuses e teriam, por isso, seu destino conduzido pelos "moiras", o que criava uma aparência de estarem possuídos, ao qual os gregos chamaram "mania".

Para Sócrates, este fato geraria quatro tipos de loucuras: a profética, em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, o oráculo. A ritual, em que o louco se via conduzido ao êxtase através de danças e rituais, ao fim dos quais seria possuído por uma força exterior. A loucura amorosa, produzida por Afrodite, e a loucura poética, produzida pelas musas.

Philippe Pinel alterou significativamente a noção de loucura ao anexá-la à razão. Ao separar o louco do criminoso, afastou o aspecto de julgamento moral que constituía até então o principal parâmetro da definição da loucura.

Hegel afirmou que a loucura não seria a perda abstrata da razão: "A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente". A loucura deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como "dentro do sujeito", a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. Hegel tornou possível pensar a loucura como pertinente e necessária à dimensão humana, e afirmou que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela.

SANIDADE

Definições

Quando a Organização Mundial da Saúde foi criada, pouco após o fim da Segunda Guerra Mundial, havia uma preocupação em traçar uma definição positiva de saúde, que incluiria fatores como alimentação, atividade física, acesso ao sistema de saúde e etc. O "bem-estar social" da definição veio de uma preocupação com a devastação causada pela guerra, assim como de um otimismo em relação à paz mundial — a Guerra Fria ainda não tinha começado. 

A OMS foi ainda a primeira organização internacional de saúde a considerar-se responsável pela saúde mental, e não apenas pela saúde do corpo.

A definição adotada pela OMS tem sido alvo de inúmeras críticas desde então. Definir a saúde como um estado de completo bem-estar faz com que a saúde seja algo ideal, inatingível, e assim a definição não pode ser usada como meta pelos serviços de saúde. Alguns afirmam ainda que a definição teria possibilitado uma medicalização da existência humana, assim como abusos por parte do Estado a título de promoção de saúde.
Por outro lado, a definição utópica de saúde é útil como um horizonte para os serviços de saúde por estimular a priorização das ações. A definição pouco restritiva dá liberdade necessária para ações em todos os níveis da organização social.

Christopher Boorse definiu em 1977 a saúde como a simples ausência de doença; pretendia apresentar uma definição "naturalista". Em 1981, Leon Kass questionou que o bem-estar mental fosse parte do campo da saúde; sua definição de saúde foi: "o bem-funcionar de um organismo como um todo", ou ainda "uma actividade do organismo vivo de acordo com suas excelências específicas." Lennart Nordenfelt definiu em 2001 a saúde como um estado físico e mental em que é possível alcançar todas as metas vitais, dadas as circunstâncias.

As definições acima têm seus méritos, mas provavelmente a segunda definição mais citada também é da OMS, mais especificamente do Escritório Regional Europeu: A medida em que um indivíduo ou grupo é capaz, por um lado, de realizar aspirações e satisfazer necessidades e, por outro, de lidar com o meio ambiente. 

A saúde é, portanto, vista como um recurso para a vida diária,
não o objetivo dela; abranger os recursos sociais e pessoais, 
bem como as capacidades físicas, é um conceito positivo.

Essa visão funcional da saúde interessa muito aos profissionais de saúde pública, incluindo-se aí os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e os engenheiros sanitaristas, e de atenção primária à saúde, pois pode ser usada de forma a melhorar a eqüidade dos serviços de saúde e de saneamento básico, ou seja prover cuidados de acordo com as necessidades de cada indivíduo ou grupo.

Transtorno mental



Os termos transtorno, distúrbio e doença combinam-se aos termos mental,psíquico e psiquiátrico para descrever qualquer anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicólogica e/ou mental. Os transtornos mentais são um campo de investigação interdisciplinar que envolves áreas como a psicologia, a filosofia, a psiquiatria e a neurologia. 

As classificações diagnósticas mais utilizadas como referências no serviço de saúde e na pesquisa hoje em dia são o Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais - DSM IV, e a Classificação Internacional de Doenças - CID-10.

Em psiquiatria e em psicologia prefere-se falar em transtornos ou distúrbios (ing. disturbs, alem. Störungen) psíquicos e não em doença; isso porque apenas poucos quadros clínicos mentais apresentam todas as características de uma doença no sentido tradicional do termo - isto é, o conhecimento exato dos mecanismos envolvidos e suas causas explícitas. O conceito de transtorno, ao contrário, implica um comportamento diferente, desviante, "anormal"[1]. 

No Brasil, a Câmara Federal aprovou em 17.03.09, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 6013/01, do deputado Jutahy Junior (PSDB-BA), que conceitua transtorno mental, padroniza a denominação de enfermidade psíquica em geral e assegura aos portadores desta patologia o direito a um diagnóstico conclusivo, conforme classificação internacional. 

O projeto determina que transtorno mental é o termo adequado para designar o gênero enfermidade mental, e substitui termos como "alienação mental" e outros equivalentes [1]. José Luís Pio Abreu, no seu livro provocador Como tornar-se doente mental, alerta para toda a problemática da doença mental em que certos problemas seriam melhor resolvidos com psicólogos, advogados ou polícias.

Psicose 
é um quadro psicopatológico clássico, reconhecido pela psiquiatria, pela psicologia clínica e pela psicanálise como um estado psíquico no qual se verifica certa "perda de contato com a realidade". Nos períodos de crises mais intensas podem ocorrer (variando de caso a caso) alucinações ou delírios, desorganização psíquica que inclua pensamento desorganizado e/ou paranóide, acentuada inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa e opressão, e insônia severa. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de "crítica" ou de "insight" que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do comportamento. Desta forma surgem também, nos momentos de crise, dificuldades de interacção social e em cumprir normalmente as actividades de vida diária.

Uma grande variedade de estressores do sistema nervoso, 
tanto orgânicos como funcionais,
podem causar uma reação de sintomatologia, 
semelhante, porém não igual, a estrutura psicótica.

Muitos indivíduos têm experiências fora do comum ou mesmo relacionadas com uma distorção da realidade em alguma altura da sua vida sem necessariamente sofrerem grandes consequências para a sua vida. Como tal, alguns autores afirmam que não se pode separar a psicose da consciência normal, mas deve-se encará-la como fazendo parte de um continuum de consciência.

Para o psicodiagnóstico são feitas observações clínicas que incluem a anamnese, a história de vida do sujeito, seu quadro psicológico e de doenças. A depender do caso, pode-se chegar a meses para um quadro correto.

O diagnóstico é feito com base na psicopatologia clínica e teórica. Dois guias de classificação diagnóstica internacionais podem ser usados como referência, principalmente epidemiológica: o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (o atual é oDSM-IV), e a CID-10, a Classificação Internacional de Doenças. Na CID-10, adotada no Brasil como classificação de referência, as psicoses se encontram classificadas nas siglas F.20 a F.29; F.30, F.31, F.32.2 e F.32.3.

ESQUISOFRENIA
A esquizofrenia (do grego σχιζοφρενία; σχίζειν, "dividir"; e φρήν, "phren", "phrenés", no antigo grego, parte do corpo identificada por fazer a ligação entre o corpo e a alma, literalmente significa "diafragma"[1]) é um transtorno psíquico severo que se caracteriza classicamente pelos seguintes sintomas: alterações do pensamento, alucinações (visuais, sinestésicas, e sobretudo auditivas), delírios e alterações no contato com a realidade.

Junto da paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10) e dos transtornos graves do humor (a antiga psicose maníaco-depressiva, hoje fragmentada na CID-10 em episódio maníaco, episódio depressivo grave e transtorno bipolar), as esquizofrenias compõem o grupo das Psicoses[2]

É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir diversos tipos de pessoas, sem exclusão de grupos ou classes sociais.

De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia atinge 1% da população mundial,[3] manifestando-se habitualmente entre os 15 e os 25 anos, com proporção semelhante entre homens e mulheres, podendo igualmente ocorrer na infância ou na meia-idade.

Algumas pessoas acometidas da esquizofrenia se destacaram e se destacam no meio acadêmico, artístico e social. Um exemplo famoso é o do matemático norte-americano John Forbes Nash, que, apesar do desafio de conviver por toda a vida com os sintomas psicóticos típicos, é um intelectual importante, deixando grandes contribuições às áreas de economia, biologia e teoria dos jogos.

Fonte:
 Wikipédia,
http://pt.wikipedia.org/wiki/Loucura
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