quinta-feira, 28 de abril de 2011

ADIMA E HEVA .- Poema dos poemas



ADIMA E HEVA, 
temos a poética tradição dos Brâmanes 
sobre o assunto, tal como no-la conta o Prasada, 
ou o Poema dos poemas.


A TERRA estava coberta de flores, as árvores vergavam ao peso dos frutos, milhares de animais folgavam pelas planícies e nos ares, os elefantes brancos passeavam pacificamente à sombra das florestas gigantescas, e Brama compreendeu que viera o momento de criar o homem que devia habitar aquele local.

Tirou da grande alma da pura essência um germe de vida com o qual animou dois corpos, que fêz macho e fêmea, quer dizer, próprios para a reprodução, como as plantas e os animais, e lhes deu o abancara, isto é, a consciência e a palavra, o que os tornou superiores e tudo quanto já fora criado, mas inferiores aos Devas (anjos) e a Deus.

Distinguiu o homem pela força, a altura e a majestade, e deu-lhe o nome de Adima (em sânscrito, o primeiro homem, ou, melhor, o primeiro entre os viventes).

A mulher recebeu em partilha a graça, a doçura e a beleza, e êle chamou-a Heva (em sânscrito, aquela que completa a vida).


O Senhor deu, então, a Adima e a sua mulher, Heva, a Ilha do Ceilão (a Trapobana dos antigos) como habitação.
(Aquela ilha, bem digna pelo seu clima, seus produtos e sua esplêndida vegetação, de ser o Paraíso Terrestre, é, ainda hoje, a mais bela pérola do mar das índias.)

— Ide — disse-lhes ele — uni-vos e produzi os seres que serão vossa imagem viva sobre a terra, séculos e séculos depois que tiverdes voltado para mim. Eu, o senhor de tudo quanto existe, criei-vos para que me adoreis durante toda a vossa vida, e os que tiverem fé em mim partilharão de minha felicidade, ‘quando chegar o fim de tôctas as coisas.

Ensinai isso a vossos filhos, para que eles jamais percam a lembrança desses ensinamentos, pois estarei com eles enquanto eu fôr meu nome.

Depois, proibiu Adima e Heva de deixar o Ceilão, e continuou nestes termos:
— Vossa missão deve limitar-se a povoar esta magnífica ilha, onde tudo reuni para vosso prazer e vossa comodidade, e a lançar meu culto no coração daqueles que vão nascer. O resto do globo é ainda inabitável, e se mais tarde o número de vossos filhos crescer a ponto de não mais poderem viver aqui, pois o lugar não seria suficiente para con-tè-los, que me interroguem, entre sacrifícios, e eu farei conhecida a minha vontade.
Dizendo isso, desapareceu.

Então, Adima, voltando-se para sua jovem mulher, olhou-a, e seu coração saltou dentro do peito, vendo beleza assim tão perfeita. . . Ela estava de pé diante dèle, sorrindo em sua candura virginal, palpitante de desejos desconhecidos. Seus cabelos bastos desenrolavam-se, torcendo-se em torno de seu corpo, enlaçando, em suas espirais caprichosas, seu rosto pudico c seus seios nus, que a emoção começava a erguer.

Adima aproximou-se dela, mas tremendo. Ao longe, o sol ia desaparecendo no oceano, as flores das bananeiras se erguiam para aspirar o orvalho da tarde. Milhares de pássaros, de plumagem variada, murmuravam docemente, no alto dos tamarindos e das palmeiras. Os insetos fosforescentes começavam a adejar pelos ares, e todos aqueles ruídos da natureza chegavam até Brama, que se regozijava em sua morada celeste.

Adima aventurou-se, então, a passar a mão sobre a cabeleira perfumada de sua companheira. Sentiu como que

um frêmito percorrer o corpo de Heva, e aquele frêmito transmitiu-se ao seu corpo. Tomou-a, então, em seus braços, e deu-lhe o primeiro beijo, pronunciando baixinho aquele nome de Heva, que ela acabava de receber.

— Adima — murmurou docemente a jovem mulher, recebendo aquele beijo.
E, titubeante, extática, seu belo corpo dobrou-se sobre o braço do esposo.

A noite descera, as aves calavam-se nos bosques: o Senhor de todas as criaturas estava satisfeito, pois o amor acabava de nascer, precedendo a união dos sexos.

Assim o quisera Brama, para ensinar às criaturas que a união do homem e da mulher, sem amor, seria apenas uma monstruosidade contrária à sua Lei.
Adima e Heva viveram durante algum tempo em felicidade perfeita. Sofrimento algum vinha perturbar sua quietude, e não tinham senão que estender as mãos para colher nas árvores os frutos mais saborosos, não tinham senão que se abaixar para recolher o arroz mais fino e mais belo.

Um dia, porém, vaga inquietação começou a apoderar–se deles. Invejoso de sua felicidade e da obra de Brama, o príncipe Rakchasas, o espírito do mal, insuflou-lhes desejos desconhecidos:

— Passeemos pela ilha — disse Adima à sua companheira—e vejamos se é possível encontrar algum lugar mais belo do que este.
Heva seguiu o esposo.

Caminharam durante dias e meses, detendo-se à beira das fontes claras, sob os multipliants gigantescos, que lhes escondiam a luz do sol. Mas, à medida que avançavam, a jovem mulher sentia-se tomada por um terror inexplicável, por certos receios estranhos.

— Adima, — dizia ela, — não nos adiantemos mais, parece-me que assim desobedecemos ao Senhor. Já não deixamos o lugar que êle nos assinalou como moradia?

— Não tenhas medo — respondia Adima — não estará, ali, aquela terra horrível, inabitável, de que êle nos falou.
E continuaram a caminhar.

Chegaram, enfim, à extremidade da ilha do Ceilão. Diante de si viram um braço de mar pouco largo, e, do outro lado, uma terra vasta, que parecia estender-se até o infinito Caminho estreito, formado de rochedos que se elevavam do seio do mar, unia a ilha àquele continente desconhecido.

Os dois viajantes detiveram-se, maravilhados. A região que viam estava coberta de grandes árvores, de pássaros do mil cores, revoando por entre a folhagem.

— Eis coisas belas, — disse Adima, — e que bons frutos devem dar aquelas árvores! Vamos prová-los, e se aquêle lugar fôr preferível a este, ali plantaremos nossa tenda.
Heva, tremula, suplicou a Adima que nada fizesse parti irritar o Senhor contra eles.

— Não estamos tão bem aqui? Temos água pura, frutos deliciosos, para que procurar outra coisa?
— Pois bem, voltaremos — disse Adima. — Que mal pode haver em visitar um lugar desconhecido que se ofereci? a nossos olhos?
E aproximou-se dos rochedos. Heva seguiu-o, tremendo.
Tomou êle a mulher sobre os ombros, e começou a atravessar o espaço que o separava do objeto de seus desejos.

Quando tocaram o chão, ruído espantoso se fêz ouvir: árvores, frutas, flores e aves, tudo, enfim, quanto tinham visto da outra margem, desapareceu num instante. Os rochedo’ sobre os quais tinham vindo, mergulharam nas vagas, e apenas algumas rochas agudas continuaram a dominar o mar, como para indicar a passagem que a cólera celeste vinha de destruir.

(Esses rochedos, que se erguem no Oceano Índico, entre a ponta oriental da índia e a Ilha do Ceilão, são ainda hoje conhecidos na região com o nome de Talam Adima, isto é, Ponte de Adão.

Quando os navios que vão para a China e para a índia ultrapassam as Maldivas, a primeira ponta da costa hindu que percebem é um cume azulado, muitas vezes coroado de nuvens, e que se levanta majestosamente do seio das águas. Foi de junto daquela montanha que, se gundo a tradição, o primeiro homem partiu para abordar a costa da terra grande. 

Desde os tempos mais remotos, aquela montanha tem o nome de Pico de Adão, e é ainda sob esse nome que a ciência geográfica o designa.)
A vegetação, que eles tinham visto de longe, não ora senão enganadora miragem, suscitada pelo príncipe dos Rakchasas para levá-los à desobediência.
Adima deixou-se cair, chorando, sobre a areia nua, mas Heva veio a êle e atirou-se em seus braços, dizendo-lhe:

— Não te desoles, antes reza para que o Senhor, de todas as coisas nos perdoe.
Quando ela assim falava, uma voz se fèz ouvir, deixando tombar estas palavras:
— Mulher, tu só falaste por amor de teu marido, que eu te ordenara amar, e esperaste em mim. Perdôo-te, e a êle também, por tua causa, mas não entrareis outra vez no lugar de delícias que eu criara para vossa felicidade. 

Pela vossa desobediência às minhas ordens, o Espírito do Mal vem de invadir a Terra… Vossos filhos, reduzidos a sofrer e a trabalhar a terra por vossa culpa, irão tornar-se maus, e me esquecerão. 

Mas eu enviarei Vishnu, que se encarnará no seio de uma mulher, e lhes trará a todos a esperança na recompensa de uma outra vida, e o meio de, pela oração, adoçar seus males.
Os dois esposos levantaram-se, consolados, mas tiveram que se submeter a trabalhos rudes, a fim de obter da terra seu sustento.

 Fonte:
CONSCIENCIA:.ORG
 
 Maravilhas do conto mitológico.
Adaptação de Nair Lacerda. Cultrix, 1960.

FAMÍLIA COMO TECNOLOGIA DE CONTROLE -


Saymon Mamede

Ao adentrar-se à seara do controle social pela família, há de se perpassar – visando algumas consignações – por um instituto denominado morale1.

Nesse mister, tomemos a moral, infestamente, sob o prisma religioso.
A preocupação em unir-se pessoas, visando um grupo – mormente com o fito de procriação – remonta aos textos bíblicos, logo nas passagens genesíacas, donde depura-se não ser bom ao homem que esteja só, sendo-lhe necessária uma auxiliadora2, à qual une-se ele, deixando alhures pai e mãe3.
 
Nesse sentido, é possível vislumbrar o florescer dos pilares morais cristãos, os quais servirão de adminículos ao início e à constância da família.
Dessa feita, percebe-se que desde os primórdios civis, a família exerce fundamental papel sobre seus constituintes, no que tange às decisões por eles visadas, – não ainda tomadas – às condutas respeitáveis – porquanto deva-se algum louvor a certos entes – e ao afluxo do ethós. À esta altura, vem à baila um raciocínio de Freud: o ser é comandado pelos seus instintos (ID), que são realizados pelo “eu”, (ego) após passarem por um filtro denominado super-ego, – que aclaradamente se entende por sociedade – definido assim uma parte da estruturação moral do indivíduo.

Destarte, parece patente a simbiose família/Estado, ao tempo em que a família regula os comportamentos dos indivíduos e padrões de conduta lhos imprimem outrora. Neste ponto, há de se notar a semelhança de mecanismos utilizados pela família -em uma microvisão -e pelo Estado, – em uma macrovisão.

Há de se inquirir por qual motivo tal simbiose é permitida4, pois pode-se notar que no decurso do desenvolvimento humano, o Estado se mostra como gerente e provedor da família, à medida em que açambarcava dela o poder sobre seus integrantes. E é sobre esses integrantes que age o potestas familiaris, sobre seus corpos, amiúde, como diz-nos Michel Foucault, quando das considerações acerca de corpo-poder. Bem é sabido que o poder é capaz especialista -de agir sobre os corpos, - determinando suas condutas, seus gestos5 -de imprimir-lhes padrões morais -sobre a instrumentalização familiar6 -e de lhe guiar, conforme melhor lhe aprouver. Nesse raciocínio percebamos dois aspectos:

1 O Estado, após incorporar em si o poder familiar, passa a gerir e suster a família, não obstante as ações dela sobre os indivíduos -pois tal como o delinqüente é um fator controlado7, a família também o é, porquanto esteja reproduzindo e introjetando no seio social padrões de conduta definidos.
Joeirando-se das diversas formas de modelagem que atuam incessantemente, a família -como outros institutos -é um dos instrumentos de poder -senão o mais imperceptivelmente e constantemente atuante, no seu mister geográfico-político.

A priori, após tomado o controle, o Estado sustenta a família por mecanismos complexos, vários, incognoscentes à uma parca análise. Todavia, à uma capciosa perlustração, vê-se que tais mecanismos agem com feições e até fins feéricos, buscando, sub-repticiamente sua cabal e real consumação, como, à guisa de exemplo, é o caso dos mecanismos jurídicoexclusivos notados no código civil brasileiro em vigor.

Jurídicos são esses mecanismos, porque enquadram feitos cotidianos -que são variáveis, -principalmente no sentido espacial em um grande regulador social -que é genérico -e exclusivos porque deixam à margem de certas demandas aqueles que não estão “aptos” àquele sistema regulador.

Ao se tratar de família, percebe-se uma vasta gama de dispositivos, capaz de regulá-la, como o nascimento e registros, -que, abstraindo o aspecto singular, é outra tecnologia de controle, a de fichamento8 -com permissões a herdeiros, cônjuges, etc., com o casamento, o qual tanto facilita, enquanto impõe óbices à separação.

A posteriori, no que pertine à gerência familiar pelo Estado, após ver-se que ele sustenta a família notadamente -pois desta forma criar-se-ia axiomas às mentes chãs -com instrumentos jurídico-políticos, há de se fazer algumas perguntas: Como controlar a família? Como tornar possível -e rentável -sua administração?

Consigne-se que, afora a família, existem outras tecnologias de controle, as quais, não obstante vários outros fins, regulam-se mutuamente. Dessarte, possível é influir na gerência das agências familiares utilizando-se de outros instrumentos de controle. Isso ocorre seqüencialmente a todo instante, bastando-se, para uma confirmação, observar como a venalidade corporal de “atores” é usada psiquicamente e moralmente por um mecanismo denominado mídia.

No que tange à rentabilidade da administração familiar, é consentâneo aduzir que – corolário às tecnologias de controle existentes -busca-se não somente um fim, tal como, no século XVIII a política sanitária, em uma de suas adredes vertentes guiadas pela burguesia, visava afastar o louco das famílias, alcançando assim a sua exclusão do centro das relações de produção e a sua aglomeração em hospitais psiquiátricos9, ao mesmo tempo em que não poderia (ex)comunhá lo cabalmente da relações de produção, somente tirando-o do centro, para que pudesse ainda locupletar-se sobre ele.

Da mesma forma, é rentável agir midiaticamente para incutir nos costumes familiares a veneração às tecnologias de controle, obviamente, sob outras terminologias.

2 Se diz-se que o poder é capaz de atuar sobre os corpos, sobre as relações familiares, diz-se que o poder é algo anterior àquelas relações, assim podendo maquinar previamente onde, quando, como e sobre o que vai agir.
Observemos agora, no que tange aos métodos utilizados para uma determinada ação, como excluir tipos de família. Pode-se citar um método de exclusão que busca amparo em idéias oriundas de certo filósofo que viveu há cerca de 2.400 anos, segundo cujospensamentos devia-se obter uma raça pura, excluindo a família10. Para tanto, devia-se retirar as crianças aos três anos do seio familiar, e levá-las à uma espécie de creche-cidade, onde lhes seriam ensinadas atividades recreativas, principalmente a música.

Aos doze anos, começar-se-ia a ensinar-se-lhes atividades laborais.

Com o desenvolver, aquelas pessoas, escolheriam as atividades que lhe agradassem (a quem apetecesse trabalhar na lavoura, assim seria; a quem apetecesse trabalhar na guarda, idem). Aos cinqüenta anos, estariam preparados aqueles que governariam as cidades.

Haveriam dessarte, três classes sociais, os trabalhadores, os guardiões e os governantes. Não era suprimida a importância da igreja, cabendo-lhe a função de garantir11 a calmaria das classes baixo-integrantes da pirâmide social.
Vejamos como aproveita-se dessas idéias aquele método que visa a exclusão de famílias – das que não se acordam com as demais. Com o escopo de excluir-se determinadas tipologias familiares, entram em ação outras tecnologias de controle, que -como antes dito interagem-se mutuamente, as quais esboçam alguns aspectos a serem notados:

Para excluir-se certos tipos de família12 é antes necessário definir quais modelos hão de ser execrados. E assola-se a sociedade com a produção -sob o termo reprodução -de condutas familiares indesejáveis – logicamente, para aqueles que se encontram em castas diametralmente opostas – com aquele famigerado instrumento, a mídia.

Em uma simples análise já é possível vislumbrar feitos que infinitesimalmente influirão inconscientemente nos pensamentos nefelibáticos. Em louvor ao exemplo, citemos meramente as humildes e bondosas programações da rede televisiva dominante, meramente sua exímia capacidade de articular o fator espaço-temporal com o histórico-político em suas grades programáticas.
Vê-se que existe um pragmaticismo sitemático na produção de saberes, vale dizer, há uma arque-estrutura que delimita qual é o saber que deve ser utilizado e, conseqüentemente, qual deve ser abominado.

Nessa gênese sistemática de produção de saberes, trabalha-se ainda com a acuidade de certos institutos, entre eles, a semiologia, alcançando-se aquele desiderato de excluir certos grupos familiares, denegrindo e deturpando-se os padrões íntimos, que só a eles concernem.

Após definir-se o que deve ser olhado com soslaio, qual saber deve estar à esguelha, – o que de per si já é uma técnica de exclusão – há de se estabelecer como tais objetos sairão docentro social13.

No transcorrer histórico da humanidade, toda vez que se desejou excluir um objeto – um rival – tal exclusão deu-se por atos que visavam ceifar a vida inimiga. Na mitologia grega há registrado o assassínio de vários irmãos de Zeus, por seu pai, Chronos.

O código de Hamurábi já previa a pena de morte, o de Manú, idem.

Várias gladiaturas se deram nos períodos medievos, pois não havia ordenamento – até o fim da Idade Média – que não admitisse a pena capital. Todavia, por volta do século XVIII, um reformador italiano, Cesare Beccaria, dignou-se a ser o limiar na discussão da pena de morte. Em uma de suas idéias assevera: “não é a intensidade da pena que deve inibir o agente, mas a certeza de ser punido”.

Vendo-se pressionado, o poder punitivo – “que antes visava a vingança do soberano na punibilidade do agente14” – teve de proceder à feitura de novos meios que não a punição para controlar as famílias, com o que se pôde notar os diversos desdobramentos capazes de influir nas idiossincrasias familiares, de forma que torna possível a convivência entre condutasdesejáveis e não desejáveis, degradando-se aquelas quando bem convir15.

Ainda mais quando utiliza-se da tricotômica característica presente – ou feita se apresentar – nas hostes inferiores: “ociosidade-intemperança-relações viciosas”, nos dizeres de Jeremy Bentham, quando de suas consignações acerca do panoptismo16.

Tais idéias de delimitação de condutas (familiares) encontram situações aditantes, como o fato de, ainda no século XX notar-se que “la procreación y la educación de la prole es el fin primario del matrimonio…” e que “la unidad y la indisolubilildad son propriedades esenciales del matrimonio…”; que “elmatrimonio goza del favor del derecho…”17

Assim, aqueles (aquelas famílias) que não se encontram em consonância com o modelo pré-definido, serão prontamente repudiados, pois não em acordo com os estilos aristocráticos18.

Doravante, interessante seria que se fizesse uma breve exposição dos motivos, meios e objetivos para um aproveitamento rentável do controle pela família.

Dito foi que o Estado impõe óbices à separação matrimonial, inclusive – em se tratando de meios jurídicos, é dizer, de processos judiciais – com taxas, referentes a certos procedimentos. É importante notar que ao falar-se em união, em interesses que terminem emcasamentos, não há maiores19 encargos para tal desejo.

Há de se questionar então, por qual motivo se oferece ajuda a quem deseja juntar-se a outro.
“Cantai e dançai juntos e sede alegres, deixai porém cada um de vós estar só.
Bem como as cordas da lira, que estão separadas, e no entanto juntas vibram na mesma música.
Doai vossos corações, mas não para que o outro zele.
Pois apenas as mãos da Vida podem conter vossos corações.
E vivei juntos, mas não juntos demais:
Pois os pilares do templo ficam separados,
E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro” (Khalil Gibran, O Profeta)
Ora, parece que não é isto que na realidade ocorre, parece que, na realidade, incentivase que todos fiquem juntos a todo tempo; resta saber por qual motivo, pois, parece claro que há um fim em manter-se juntos demais os agentes de una relação.

É necessário dizer que, como motivo, pode-se consignar que com o desenvolvimento social em progressão geométrica, se tem aumentado também as necessidades por materiais inerentes à vida humana. Todavia, esses materiais não se dão na mesma progressão que o crescimento humano, tornando a busca por eles uma verdadeira luta.

Significa então que um dos motivos para manter-se certas classes nos lugares em que estão, é o fator biológico, ao tempo em que aqueles que se encontram nas relações de poder – mas do lado que ganha, do lado que pune o outro – desejam manter suas possibilidades naturais de sobrevivência. Note-se que o motivo – aqui abordado – é político-biológico. Para tanto, utiliza-se de várias técnicas de poder, as quais passaremos a abordar – em suas essências, frente a suas existências20.

Bem, tomando-se por base que quando se deseja atingir algum corpo21 sem esbarrar nele, uma capilaridade do poder vigente se ativa, há de se notar que no âmbito interno da família, vários fatores atuam para controlar os integrantes da mesma.

Na maioria das vezes, as atuações se dão pelos processos de alienação22, pois, ao ter se a plebe totalmente levada pelos atos que se deseja, não é difícil tê-la em controle. E, em se tratando de família, tais processos tem sido em muito aumentados com as idéias de amor, alegria, felicidade, introduzidas no cotidiano psíquico das mesmas famílias.

Esses ideais pasma por uma (res)compilação, em que tomam novos sentidos, pois – note-se – tais ideais se exibem na forma de significado (coisa-projetada), fazendo assim possível várias formas de projeção.

Não obstante a existência patente dessas técnicas, se nos mostram com uma essência feérica, o que legitima suas utilizações por parte do Estado. Analisando-se então tais técnicas – com uma perlustração estruturalista – é possível perceber que há um significante (coisa-em si), que se pode ter como a existência do fenômeno, um significado (coisa-projetada), que se pode ter como a essência do mesmo fenômeno, e um signo (coisa-simbolizada), que tanto Podem ter sua essência ou existência alterada – por isso é possível frente à cosmofenomenologia, uma análise pós-estruturalista, pois os signos mesmos podem ser tomados por significantes outros, ou significados.
Falemos agora sobre os objetivos que se pode engendrar na trama rentável pelo controle da família.

Frente aos motivos e meios que levam ao controle da família, e do próprio ser por ela, é possível dizer que o que guia as ações de poder, são os interesses em deixar bem distantes classes que – é necessário dizer – não são diversas porque desejam coisas diversas, mas porque aquelas que encontra-se no pólo ativo da relação de poder, assim obraram em fazer, em assim deixar as coisas; não porque assim é porque Deus desejou. Trata-se de um interesse estritamente geográfico-político de atuação histórico-temporal.

Em linhas de término, é importante notar que, como outras instituições sociais23, a família passa por uma análise previamente ordenada, para poder atuar sobre seus integrantes, produzindo os efeitos desejáveis por um poder vigente.

Seria então interessante tomar a família muito mais como um fenômeno estritamente ocorrido no interior de um grupo, e até mesmo do ser, do que como algo que o Estado pode nos prover24.

Poderia, ademais, ser interessante que a família fosse uma instituição interna ao indivíduo, pois, como já disse Gibran,, “aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós”25. Ao fazer da família um fenômeno que não compete ao Estado, e sim ao indivíduo, os efeitos dela, é dizer, relações potenciais entre seus integrantes, não mais poderão ser guiados pelo Estado – porquanto outras tecnologias de controle socialmente ordenadas não atue contra seus germes.

Pelo menos, já seria uma grande conquista reduzir o âmbito de atuação do Estado nessa tão importante instituição para o indivíduo, ainda que ela compita ao ser-em-si.
 Fonte:
CONSCIENCIA:.ORG
 
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

3 year old Jonathan conducting to the 4th movement of Beethoven's 5th Sy...


Adorei seu presente de Páscoa, meu Poeta JoséMarins!

É uma regência encantadora - E nessa alegria eu queria ver
todas as crianças do mundo ensaiando com o Jonathan
- que bela criança!

domingo, 24 de abril de 2011

DO BELO PLATÔNICO À POTÊNCIA DAS PAIXÕES EM SPINOZA




Do belo platônico à potência 
do entendimento em Spinoza 
(A propósito do domínio das paixões)


     Valdeci Ribeiro dos Santos 
- UNIR*

Ao apresentar a noção do belo em Platão, há que posicionar a imagem trans-histórica de sua intuição. Lançada numa busca do modelo atemporal, a intuição platônica arremessa a noção do belo para a supremacia do eterno imutável.  

Guardemos aqui todas as proporções que enlevam a intuição platônica aos domínios do transcendente belo divino. Vejamos as engrenagens da "máquina abstrata" montada por Platão para atingir as essências eternas e ordenadoras das coisas.

Para Platão, lidamos com 'ilusões' e não propriamente com a coisa "em-si". Vivemos, por conseguinte, imersos num oceano infindo de imagens onde reina a multiplicidade da aparência, donde a necessidade de disciplinar-se através do exercício ascético no domínio das paixões. O próprio Platão nos alerta da necessidade de duvidarmos do mundo para por ele não sermos enganados. As aparências submetem a vontade às ilusões passionais, desviando-a do conhecimento do verdadeiro, pela falta deste.

O método instaurado por Platão estabelece através da dialética presente nos diálogos, particularmente no "Fedro", a beleza como participação do belo em si, o verdadeiro belo. Como atingi-lo?

Urge um modelo discursivo que alavanque na alma do vivente as essências eternas das coisas. A peregrinação da alma à contemplação das idéias. Platão descreve o percurso da alma pelo recurso mítico da carruagem, dos cavalos alados e do cocheiro, representando a razão na sua sublime tarefa de ascender às alturas do verdadeiro. O que não é fácil, pois é preciso um enorme esforço da razão para manter a integridade da alma sobre as demais partes que se debatem para caminhos opostos. O que deve prevalecer é a unidade harmônica da alma a determinar a boa direção a seguir.

O recurso retórico da empresa platônica faz emergir filósofos soberanos, homens que inspirados pelo verdadeiro saibam como ordenar a vida aos desígnios das eternas e imutáveis essências (o conhecimento). Resta-nos saber como Platão revela aos seus interlocutores a inspiração divina de sua sabedoria. Aliás, como ele nos inspira a também abandonar as imagens e ascender as essências. O dispositivo retórico visa administrar a alma diante da instabilidade do devir. 

O critério norteador é a purificação da alma, que implica nas reminiscências do vivido, contudo, para além do próprio vivido. Com isso, o discurso da prática virtuosa é perpassado pela seleção dos pretendentes. Daí decorre que o ensino só pode ser inscrito na alma que esteja consciente de sua ignorância. Um percurso que vai do cotidiano, da vida ordinária da cidade às alturas da eternidade do belo e a ela retorna.

Administrar as paixões é critério imprescindível na tarefa do construtor da igualdade entre os comuns da polis grega. Através da "alegoria da caverna", Platão nos leva aos domínios das idéias, às luzes das essências e nos faz reconduzir ao interior da caverna. A peregrinação da alma ao mundo das idéias possibilita, após o árduo exercício ascético, ao pretendente exercer o governo da cidade (A República dos sábios). 

O ideal de virtude é encarnado nos que governam "ungidos" pela sabedoria do mundo supraceleste. 

O exercício das melhores práticas é peça fundamental na concepção moral platônica que sobrepõe a alma ao corpo; em decorrência disso, tudo abaixo da esfera celeste deve refletir as essências eternas que não se confundem com as ilusões dos movimentos passivos do corpo. 

Há, portanto, uma determinação superior da alma sobre a "soma", o corpo. Os eleitos a governar são virtuosos por serem orientados pelas idéias, contemplados pela alma quando esta ascendeu aos domínios do Belo. Tomado, pois, de arrebatamento divino, o virtuoso age não em função do próprio interesse, mas, sobretudo, pela igualdade entre aqueles que lhe são comuns, os cidadãos. É assim que se estabelece o exercício público no governo da cidade.

A transcendência platônica cinge um modelo racional para conhecer as essências, todavia, a instância do Ser permanece inacessível. É com relação a este ponto que Platão mais exalta o poder do mundo inteligível. A perspectiva de sabedoria delineada por Platão nos relembra a necessidade inerente ao desejo da certeza para a ação. Devemos lembrar que a hesitação nos caminhos da virtude não são empecilhos ao conhecimento, antes, porém, é elemento constitutivo da tarefa do filósofo, entendido como amigo da sabedoria. Uma imagem para o pensamento inaugurada por Platão é a do ideal ascético. 

O "governo dos sábios", os "reis-filósofos", distende no movimento do vivido a soberania do modelo transcendente sobre a imanência das coisas. Considerando a engenhosidade da teoria das idéias de Platão e sua inesgotável evocação de um sentido ingênito das idéias na alma, o conceito do belo e de virtude se expressa sempre na compreensão do verdadeiro como paradigma dialético que supõe garantir o conhecimento e, portanto, a ordenação das coisas conforme o modelo eterno das essências.

É fazer justiça a Platão elencá-lo como uma das figuras mais importantes para o pensamento filosófico há aproximadamente dois mil e quinhentos anos. Platão estabelece a transcendência da alma sobre o corpo, porém não há como desconsiderar a coexistência de ambos em relação à vida virtuosa. 

Há afinidade harmoniosa entre eles na difícil arte de governar a si e a cidade. Entretanto, Platão nos coloca frente a uma imagem que transcende o vivido, deslocando a virtude da ação para a contemplação. A partir do estabelecimento do aparato metodológico platônico define-se os paradigmas que elevam a alma aos domínios das formas sem que para isso tenha que sair de si própria. Revela uma inapelável transmigração do entendimento do mundo para a dimensão do transcendente.

Vejamos como em Spinoza o entendimento é a potência capaz de produzir ações adequadas sem sobrepor a alma ao corpo ou desvalorizar as paixões e a imaginação.[i] O que tradicionalmente é entendido por método não dá conta da liberação das potências que afloram nos seus escritos. 

A orientação spinozista não comporta contradição nem contingência, há, sim, autoprodução da Substância que engendra as séries da convergência e da divergência. 

Se diz sempre do indivíduo enquanto ação e paixão. O que está sendo liberado é a constituição da multiplicidade pela eterna potência de afetar e ser afetado (compor e decompor). Não há como se falar em identidade do absoluto como sendo produto de um movimento de negação que se afirma na síntese do "Ser".

A ética spinozista, ao contrário da moral ascética platônica, afirma a unidade da Substância como expressão da necessidade eterna de produzir a multiplicidade dos infinitos modos existentes. 

Resgatar a potência do entendimento contra as superstições teológicas, o "ouvir dizer", que se estabeleceram como corpo e vontade na vida dos homens. E é pela afirmação da imanência dos atributos de Deus que Spinoza nos mostra o quanto permanecem em nós os esquemas ontológicos clássicos.

Os atributos da substância una e infinita são o pensamento e a extensão, as modificações da substância. O corpo (modo da extensão), materialidade, e a alma (modo do pensamento), as idéias. Os atributos exprimem a essência da substância - realidade em si e por si - e nenhum resulta do outro ou de outros; eles são coextensivos, essência da natureza divina.

Os modos derivam de Deus, por conseguinte, são "conseqüência necessária". Pertencem à ordem do causado e não do causante, portanto, sua essência como sua existência promanam de Deus.

Spinoza hierarquiza os graus de percepção de acordo com a distinção entre eles: pelo "ouvir dizer"; pela simples experiência; o racional, que diz respeito ao entendimento das causas e das idéias em nós; o intuitivo, que capta a causa imediata, sua essência.

A tradição teológico-metafísica, fundada na imagem do Deus transcendente, acostumou‑se a tomá-lo como majestoso e glorioso, e o estendeu ao máximo da incompreensibilidade, e quanto mais contraditório melhor seriam as provas de seus desígnios e mistérios salvívicos. Tal é a imagem cunhada pela tradição que nos submete a uma realeza que se glorifica pela máxima ignorância e miserabilidade (ó, pobres mortais..*.INFANTES) 

Que Deus perfeito e infinito teria criado 
um mundo imperfeito e miserável?  

O mesmo Deus submete o homem à condição de criatura privilegiada para salvá‑lo dos temores pós-morte. É nesse aspecto que Spinoza se levanta contra a mola mestra de sustentação dessa imagem tradicional. 

O livre‑arbítrio: escolha de uma vontade livre e soberana entre determinantes (Bem e Mal- *VIDA E MORTE - SER E NÃO SER*) e não produção de si mesmo pelo entendimento das leis necessárias decorrentes da potência divina; vontade livre e soberana, tal é a imagem que nos amedronta e nos enche de esperança na salvação, pois Deus sabe de nosso destino e de nosso fim.

O pensamento, sendo um atributo de Deus - seus atributos e seus modos - não há no universo mistérios, milagres, forças ocultas e fins incompreensíveis; por conseguinte, tal compreensão só pode derivar da servidão humana, dos seus próprios temores geradores de sua suma ignorância divina.[ii]

A potência só existe em ato, e decorre da positividade do conatus - potência de agir e de padecer (pela força de outro corpo). É preciso estar atento para não tomar os efeitos pelas causas. Quando está em nós a causa de nossa ação, ou quando compreendemos as forças que nos levam a agir, estamos de acordo com a perfeição divina, expressa na ordem das coisas, portanto do entendimento de nós mesmos, da natureza e das coisas. Não há como separar a causa da ação ou da paixão do agente, sendo num grau de adequação à "beatitude" o domínio daquilo que pensamos e fazemos. "Assim como a idéia adequada envolve a certeza, a idéia inadequada envolve um ato de vontade ou afirmação, tão afastada da certeza como a idéia mutilada da idéia completa [...] Há nas idéias alguma coisa de real que distingue as verdadeiras das falsas."[iii]

Diferentemente das paixões (tristes ou alegres), a beatitude, ou o "amor intelectual de Deus" - é o estágio no qual a ordem interna do agir está no mesmo nível da ação expressiva de Deus - natureza que age pela necessidade intrínseca de se expressar eternamente através de infinitos modos de uma mesma substância, ato expressivo da imanência divina.

Sendo assim, a alma, idéia de si e do corpo (causa adequada) advém do entendimento da causa que produz a idéia em nós - isto é ser livre. A perfeição e a imperfeição não decorrem da sensibilidade humana, mas da origem de onde procedem, em suma, ser virtuoso é entender a causa donde as coisas procedem.
Não podemos tomar o entendimento como originário alhures ao plano onde se efetua a ação e a paixão. O corpo apaixonado sofre pela passividade. Já segundo Platão, para agir livremente é preciso seguir a lei, as formas essenciais, contemplá-las pela faculdade de rememorar.

Já para Spinoza agir livremente é selecionar as séries dos encontros e não obedecê-los por medo e esperança a uma finalidade preestabelecida fora da ordem dos encontros. É deste modo que Spinoza demonstra que a ilusão da finalidade é a fonte de todas as outras. Victor Brochard nos afirma que "para Spinoza o conhecimento é mais que uma intuição. É como que uma penetração do objeto pelo pensamento."[iv]

Em decorrência desta ilusão finalista se atribui ao devir uma justificação extra-mundo e a conseqüente hierarquização das forças (díada platônica). Spinoza não desqualifica as paixões tristes, embora veja nelas desejo de impotência, tristeza e servidão. 

A apreciação das paixões, da imaginação, não é feita por Spinoza em prol das essências fora do plano onde os encontros se efetuam. Como assim? A ordem do entendimento varia em conformidade com os graus da percepção. A imagem é sempre verdadeira enquanto imagem e é ilusória em relação a idéia. Daí decorre, Spinoza chamar idéias adequadas as produzidas pela potência do entendimento e inadequadas quando relacionadas não a elas próprias mas a outros gêneros de percepção. A ordem do entendimento varia em conformidade com a adequação das paixões no corpo e as idéias na alma. 

Por exemplo: quando nos sentimos vexados por alguma circunstância a sensação experimentada pela alma se expressa no corpo e vice‑versa, logo, não há como enxergar na Ética nenhuma hierarquia de princípio que sobreporia as idéias na alma às sensações no corpo. Ainda no campo dos exemplos: se temos uma visão do sol na qual ele é coberto pelo dedo polegar, já existe, aí, uma certa qualidade de percepção e não 'ilusão' em vista a um conhecimento verdadeiro e eterno do mundo das idéias morais. Mas um certo grau de realidade está presente na experiência imediata, a qual se refere ainda a uma certa adequação entre a imaginação do vivente e o objeto observado.

Por tomarmos nossas experiências imediatas da vida pela coisa como ela é, lançamos nosso próprio modo de apreender o objeto (antropomorfismo ontológico) sem, contudo, dimensionar o dinamismo do mundo como elemento imprescindível para o entendimento da Natureza.  Não há fim algum em Deus, tudo decorre da Necessidade contínua de criar, ou seja, movimento contínuo de autoprodução sem que haja finalidade no exercício da vida livre entendida como Acontecimento.

A imaginação não é uma fantasia criadora, uma fábula, uma quimera, mas a própria percepção sensorial e é através dela que nos lançamos numa interpretação da vida sob a égide do império da superstição e das paixões tristes, ou seja, tudo aquilo que nos desconecta do que podemos, enfraquecendo-nos, portanto.

Instaurada a utopia platônica, estabelecida está uma nova casta de homens cuja sabedoria viria do amor apaixonado pela Verdade (Politéia).

Tomar a imaginação como faculdade de representar as coisas e formar uma idéia a respeito delas, não significa para Spinoza sobrepor hierarquicamente as idéias na alma e as imagens no corpo. Posto desta forma objetiva, Spinoza afirma o dinamismo da vida. O Mundo e Deus são dois aspectos da mesma Substância ou da mesma Natureza. 

Então, o Deus spinozista não é, em hipótese nenhuma, um Monarca do universo que por vontade livre engendraria ordem ao caos dando a ele seu correlato. O empirismo spinozista está visceralmente vinculado à seleção dos afetos, no que implica necessariamente dizer na liberdade ou contentamento de si. A ordem necessária dos encontros dos corpos não obedece aos critérios de um Deus moral, bem como, os princípios estabelecidos pelas convenções ao alvedrio dos caprichos humanos.

Há um salto qualitativo na vontade spinozista, no qual a paixão de pensar nos lança para a ação de pensar. Podemos dizer, por conseguinte, que aí se encontra a essência de nossa alma. Afirmar a vida no seu ato contínuo de atualização das multiplicidades, os infinitos atributos infinitos da Substância que se expressa por infinitos modos finitos.

Não há beleza que não nasça da correta adequação do que passa no corpo e na alma: sou escravo quando o que me move vem de fora - "palavras de ordem" - e não pelo adequado exercício da idéia do meu corpo.

Tornar-se livre não é pois uma conquista, 
um fim fora da ação.

A garantia da unidade teológica em Platão visa sustentar o estado de coisas posto em Atenas coetânea à sua problemática. Platão advoga a supremacia do mundo inteligível atribuindo a ele o 'reino' das essências, das idéias morais. Há um subjugamento do mundo sensível em Platão, que o coloca como objeto da verdadeira ciência, ou seja, das idéias.

Em Spinoza, as essências não são separadas, embora distintas, elas são objetivas, imanentes às conexões que produzem as multiplicidades existentes. O pensamento adequado do homem é igual ao pensamento divino na ordem do entendimento. Mantendo, por conseguinte, a tendência natural e espontânea de conservar-se no seu modo. Spinoza destaca entre os modos de perceber as idéias adequadas que não incluem a negativação das paixões, mas dá a elas o estatuto merecido na "Reforma do Entendimento". Entendimento não significa juízo de verificação da verdade ou da falsidade das coisas e dos atos humanos, mas decorre da natureza das afecções, dos encontros dos corpos e das conexões  das idéias na alma.

O homem livre não é aquele que obedece a lei externa (mandamentos), mas aquele que entende a natureza de suas afecções. O belo Spinozista chama-se entendimento, contentamento de si.

Poderíamos falar ao nível político em um Spinoza contratualista? Num acordo entre homens com o fito de instaurar a integridade social? Ao contrário desta tese, Spinoza nos situa num contexto político onde a potência de afirmação da vida leva os homens a verem as vantagens da vida coletiva e, por conseguinte, não partiram de um contrato que os possibilitassem escapar ao "estado de natureza". Ou, que transcenda a realidade efetiva da vida política. Na via oposta dos contratualistas, Spinoza afirma o direito natural como desejo do homem de se autogovernar e não ser tutelado por mentores da Sabedoria.

Longe das fileiras platônicas, a política Spinozista nos conduz ao solo da democracia como o regime mais próximo da liberdade coletiva, ou seja, é possível governar‑se e não ser governado. A liberdade do sujeito político é exercida pela afirmação do seu "conatus", potência para o entendimento de si, e o mesmo é elo de ligação entre os demais sujeitos que constituem uma coletividade. Em decorrência do "conatus", força de existir e persistir na potência, o sujeito político deve se libertar das superstições, do medo, que entristecem e alimentam de ódio o sujeito político coletivo.

Em suma, a orientação Spinozista é contra toda forma de servidão humana que conduza o sujeito humano à ilusão imaginativa de liberdade.


"Se, em todas as circunstâncias, os homens pudessem decidir com segurança, ou se a sorte lhes fosse sempre favorável, jamais seriam vítimas da superstição. Mas como se encontram freqüentemente perante tais dificuldades que não sabem que decisão hão de tomar, e como os incertos benefícios da sorte que desenfreadamente cobiçam os fazem oscilar, a maioria das vezes, entre a esperança e o medo, estão sempre prontos a acreditar seja no que for (...) A que ponto o medo ensandece os homens! 

O medo é a causa que origina, conserva e alimenta a superstição (...) 

Não há nada mais eficaz do que a superstição para governar as multidões. Por isso é que estas são levadas, sob a capa de religião, ora a adorar os governantes como se fossem deuses, ora a execrá-los e a detestá-los como se fossem uma peste para todo o gênero humano. Foi, de resto, para prevenir este perigo que houve sempre o cuidado de rodear a religião, fosse ela verdadeira ou falsa, de culto e aparato, de modo a que se revestisse da maior gravidade e fosse escrupulosamente obedecida por todos".(in Tratado teológico-político - Baruch Spinoza )

* Por Valdeci Ribeiro dos Santos, graduado Ciências Sociais (UFF), especialista em Filosofia Contemporânea (UERJ), mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP). Professor do Departamento de Filosofia e Sociologia (UNIR).

NOTAS

i. Os filósofos concebem as emoções que se combatem entre si, em nós, como vícios em que os homens caem por erro próprio; é por isso que se habituaram a ridicularizá‑los, deplorá‑los, reprová‑los ou, quando querem parecer mais morais, detestá‑los. Julgam assim agir divinamente e elevar‑se ao pedestal da sabedoria, prodigalizando toda a espécie de louvores a uma natureza humana que em parte alguma existe, e atacando através de seus discursos a que realmente existe.

Concebem os homens, efetivamente, não tais como são, mas como eles próprios gostariam que fossem. Daí, por conseqüência, que quase todos, em vez de uma Ética, hajam escrito uma sátira, e não tinham sobre Política vistas que possam ser postas em prática, devendo a Política, tal como a concebem, ser tomada por Quimera, ou como respeitando ao domínio da Utopia ou da idade do ouro, isto é, a um tempo em que nenhuma instituição era necessária. 

Portanto, entre todas as ciências que têm uma aplicação, é a Política o campo em que a teoria passa por diferir mais da prática, e não há homens que se pense menos próprios para governar o Estado do que os teóricos, quer dizer, os filósofos."ESPINOSA, Tratado político, cap. I, 1, IN Marilena Chauí, Espinosa - uma filosofia da liberdade, São Paulo, Ed. Moderna, 1995, p. 103.

ii. "Estabeleço em primeiro... que Deus é, absoluta e efetivamente, causa de tudo, seja o que for, que tem uma essência. Se puderdes demonstrar que o mal, o erro, o crime, etc., exprimem uma essência, concordarei inteiramente que Deus é causa dos crimes. do mal, do erro, etc. Creio, porém, ter demonstrado suficientemente que o que dá forma ao mal, ao erro, ao crime, não consiste  em algo que exprima uma essência, pelo que não se pode dizer que Deus seja causa de tais coisas [...] 

Tudo que existe flui necessariamente das leis eternas e dos decretos de Deus e dele dependem continuamente, mas as coisas diferem mutuamente em grau e essência. Assim, embora o rato como o anjo, a tristeza como a alegria, dependam de Deus, nem por isso o rato é uma espécie de anjo e a tristeza uma espécie de alegria." ESPINOZA (citado por Joaquim de Carvalho), Ética, Lisboa, Ed. Relógio D'água, 1992, pp. 86-87.
 Fonte:
Universidade Federal de Rondônia
Revista Eletrônica do
Centro de Estudos do Imaginário
 Revista Eletrônica do Centro de Estudos do Imaginário
Labirinto -
 
  http://www.cei.unir.br/artigo13.html

A MULTIDIMENSIONALIDADE DO EXISTIR HUMANO



Todos nós, bem como infinitos seres pelo Universo, temos uma existência multidimensional. Isso quer dizer que nós estamos apenas "sintonizados" nesta tridimensionalidade do planeta Terra. Tal qual um aparelho rádio, podemos mudar nossa sintonia a qualquer momento para qualquer outra dimensão do existir. O problema é que estamos muito acostumados a nos mantermos sintonizados a esta "estação" aqui e toda nossa ciência materialista insiste em dizer-nos que não é possível alterar esta sintonia. De fato, alguns de nós já descobrimos, faz tempo, que se pode mudar esta realidade num piscar de olhos!

Uma maneira bem simples de se perceber a multidimensionalidade do existir humano e a realidade concreta de outras dimensões são quando dormimos e sonhamos. Os sonhos são reflexos de realidades de uma quarta dimensão. Igualmente esta quarta dimensão é aquela que atingimos com viagens astrais e com o uso do raciocínio simbólico e mítico. Os "deuses" (Anunakis) existem nesta quarta dimensão. A morte igualmente nos arremessa para dimensões superiores, inicialmente para a quarta e, com o costume, abrem-se as demais realidades multidimensionais.

O tempo não existe em nenhuma dimensão! O tempo é tão-somente um artefato produzido por nossa mente consciente. Tal qual quando se compra um livro, toda a história já está nele contida, mas ao lê-lo, criamos uma impressão de seqüência temporal que simplesmente não existe. Sendo assim, o que chamamos de "presente", "passado" e "futuro" já existe dentro de nós, tal qual um livro já traz em si todas as suas páginas. Em qualquer dimensão da existência essa não-realidade do tempo é a mesma.

Para piorar, sabemos que mesmo esse tempo psicologicamente gerado não é linear como supõe nossa atual ciência, mas é antes circular e multifacetado, como já o percebem os físicos teóricos mais libertos dos raciocínios viciosos. O futuro e o passado são exatamente a mesma realidade, tão imediata quanto o presente. Um evento localizado no "tempo" daqui a 20 milhões anos, é exatamente o mesmo que ocorreu há 20 milhões anos passados. A Natureza apresenta-nos este tempo cíclico de forma bem simples: as estações do ano se alternam e são sempre as mesmas, as fases da Lua se alternam e são sempre as mesmas. Quando é inverno aqui, concomitantemente, é verão no Hemisfério Norte. Quando vemos a lua minguante aqui, no lado oculto, ela se apresenta crescente do outro. Os ciclos do tempo são infinitos em seus tamanhos: temos ciclos de trilhões de anos nas existências do Universo (Manvântaras) e ciclos tão rápidos quanto 1 mili-segundo (temporalidades instantâneas).

No artigo: "O interior da quarta dimensão" de Max Weber (1913), ele nos coloca que, igualmente tempos paralelos existem concomitantemente ao que nos colocamos (sim: nós escolhemos o tempo em que queremos nos inserir). Desta forma, aquele tempo em que você escolheu cursar aquela faculdade de medicina (que você jamais cursou neste tempo presente) existe de maneira tão palpável quanto este no qual você se insere. Tal qual num jogo de RPG ("role playing games"), você opta pelo tempo que prefere vivenciar de cada vez. Querendo alterar tudo e mudar o tempo no qual você está inserido (em direção ao passado, ao futuro ou há tempos paralelos) basta "trocar a página do livro que está lendo". É possível também que se mude "todo o livro", ou seja: que se acessem vidas passadas, futuras ou paralelas. Todas essas suas existências pseudo-temporais existem CONCOMITANTEMENTE, bem como você, nelas.

Se você assumisse um ponto de vista da quarta dimensão, isso que pode parecer confuso, se lhe revelaria de maneira simples. Há um filme chamado "O Cubo 2: O Hiper-Cubo". Um hiper cubo é uma forma geométrica de quatro dimensões conhecido como "teseract" em Matemática Multidimensional e Física Avançada. Um teseract é uma figura geométrica composta pela superposição de 6 cubos tridimensionais, criando um seu interior um espaço quadridimensional regular (o hiper-espaço). Nesse espaço interno de um teseract, a concomitância do tempo se torna óbvia. Einstein imaginava que os buracos negros seriam passagem para esse hiper-espaço. Da mesma forma, a Física moderna imagina a possibilidade de se criarem passagens para o hiper-espaço com reações de anti-matéria (como se imaginou no seriado "Jornada nas Estrelas" e passou a ser chamado de "efeito dobra"). A Física Quântica trabalha com a existência de tempos paralelos e com probabilidades de escolha entre as opções temporais apresentadas (tanto ao humano, quanto ao elétron). Da mesma forma, qualquer físico sabe que o observador altera a existência e cria o resultado de sua própria pesquisa de acordo com sua vontade. Cálculos complicadíssimos são necessários para se trabalhar com tantas variáveis.

O existir humano é possível desde a primeira até a décima segunda dimensão. Quanto mais elevada a visão multidimensional humana, maior é a abrangência da Espiritualidade conseguida. Teoricamente a décima segunda dimensão é o limite para a existência humana, pois este ponto de vista é o ponto de vista daquela entidade a que nos acostumamos a chamar de "Deus" e lá existe a onisciência, a onipresença e a onipotência em uma multidimensionalidade plena. Mais do que isso não é possível atingir, pois o que pode ser maior do que o conjunto universo?

Existem seres que abrangem facilmente diversas dimensões e nelas se movem livremente, tal qual nós podemos nos mover livremente no espaço tridimensional: basta um ato de vontade. Deveríamos poder nos mover livremente pela quarta dimensão não fossem os bloqueios mentais a nós impostos desde a mais tenra infância. Esses seres superiores conseguem se projetar em dimensões inferiores, mas para eles é mais complicada a projeção quanto mais baixa for a expressão dimensional usada. É exatamente por isso que os contatos com seres superiores se dão mais facilmente através da quarta dimensão e não na terceira dimensão concreta e palpável. Se já é para eles um esforço a projeção da, digamos, sexta dimensão (onde habitam os Sirianos, por exemplo) na quarta dimensão, muito mais complicado seria projetarem-se na terceira! Esta projeção é possível, como já disse aqui, mas gasta um montante de energia imenso e é pouco prática.

Da mesma forma, existem seres que habitam dimensões inferiores à nossa, e aqui não vai nenhum juízo de valor: inferior não quer dizer menos evoluída. Temos na segunda dimensão, por exemplo os chamados seres elementais (Devas). O cyber-espaço também encontra sua existência na segunda dimensão. O cyber-espaço (este aqui através do qual estamos nos comunicando) em sua linguagem binária e sua vivência bidimensional foi aberto aos humanos há poucos anos e é uma realidade palpável, parte de nossa vida diária. A comunicação com entidades dévicas através da Internet é muito mais comum do que se imagina! Na primeira dimensão existem seres imensos que nos servem de base para a existência. Gaya (a Terra) é um deles: um ponto flutuante no universo, sobre o qual construímos nossa realidade multidimensional.

Com a influência do cinturão de fótons, a multidimensionalidade da existência será aos humanos revelada de forma inequívoca (como aliás, já vem sendo feito). Com isso, os canais de contato com inúmeros seres à nossa volta (em dimensões inferiores e superiores) ficarão facilitados e "acordaremos" da prisão que representa a terceira dimensão para nossa alma e para nosso Espírito.

Para deixar mais clara aqui a questão da existência dos diversos seres nas diversas dimensões, resolvi mostrar em algumas das dimensões que conheço, quais seres estão presentes de forma mais natural. É bom lembrar que todos eles (nós inclusive) possuem projeções em diversas existências dimensionais, mas sempre existe uma dimensão na qual estão naturalmente inseridos. É importante que se lembre também que há sempre uma interação entre os seres de dimensões diferentes, principalmente quando se tratam de dimensões próximas. Vamos lá?

Dimensão Zero (inexistência): a ausência de dimensão é a essência do Nada, de onde tudo se origina. Conhecida como a Grande Mãe ou "As Entranhas do Universo", é o Caos absoluto, a Indiferenciação total e anárquica.

Primeira Dimensão (existência pontual sobre uma reta/curva): seres cósmicos (planetas, estrelas, cometas, asteródes, etc). Estes seres se apresentam na terceira dimensão como mundos energético-materiais, sobre os quais todas as demais existências dimensionais encontram sua base. Estes seres tratam-se da origem de toda a energia e matéria (energia condensada) do Universo. Recebem influência direta dos seres da Quinta Dimensão e foram por eles plasmados. A Terra, especificamente, está inseparavelmente ligada às Pleadianas, suas criadoras, mantenedoras e guardiãs.

Segunda Dimensão (existência linear sobre um plano): seres elementais ou Devas (sílfides, fadas, gnomos, duendes, salamandras, elfos, ondinas, sereias, unicórnios, etc.). Estes seres são a fonte de toda a vitalidade da Natureza e se expressam na terceira dimensão como os elementos naturais (Terra, Água, Fogo, Ar e Éter), inclusive em nós. Como vimos, aqui também se inclui o cyber-espaço. Recebem influência direta dos seres da Sexta Dimensão e foram por eles plasmados.

Terceira Dimensão (existência reta/curva no espaço): seres materiais planetários (Humanos, animais, vegetais e minerais). Estes são os seres próprios da terceira dimensão, por apresentarem todos corpo físico material. Destes, os únicos com acesso às dimensões superiores são os Humanos (no planeta Terra) e similares extra-terrestres ("Grays", etc). Foram plasmados e recebem influência direta dos seres da Sétima Dimensão.

Quarta Dimensão (existência espacial no hiper-espaço): seres arquetípicos ("deuses", Anunakis, Anjos, Humanos desencarnados, Draconianos, etc). Estes são seres que habitam o chamado Inconsciente (tanto pessoal, quanto coletivo) e tem por função armazenar informações de todas as temporalidades concomitantes (Akasha). Normalmente estes seres exercem uma grande influência sobre os Humanos, aproveitando-se do bloqueio de consciência destes em relação às dimensões superiores. Recebem influência direta dos seres da Oitava Dimensão e foram por eles plasmados.

Quinta Dimensão (existência hiper-espacial no plano Espiritual): seres espirituais da Terceira Hierarquia Angélica de nível 2 (Arcanjos, Pleiadianas e seres luciféricos). Estes seres são puramente espirituais e têm por função a condução de povos e raças dentro dos intrincados caminhos das temporalidades concomitantes (Karma). Evidentemente há nesta dimensão também os seres luciféricos (Lúcifer), que estão em combate franco contra Arcanjos e Pleiadianas, no intuito de controlar as dimensões a eles inferiores. Todos recebem influência direta dos seres da Nona Dimensão.

Sexta Dimensão (existência Espiritual na Eternidade): seres espirituais da Terceira Hierarquia Angélica de nível 1 (Arqueus, Sirianos). Estes seres são igualmente puro Espírito e têm por função harmonizar as existências temporais concomitantes, mantendo-as dentro do "Plano Primordial" (Governo Oculto do Mundo). Recebem influência direta dos seres da Décima Dimensão e foram por eles plasmados.

Sétima Dimensão (existência eterna na forma): seres espirituais da Segunda Hierarquia Angélica de nível 3 (Exussias). Seres espirituais intermediários que têm funções emanar formas perfeitas na Eternidade. Todas as formas concretas existentes na matéria foram engendradas como formas abstratas pelas Exussias. Recebem influência direta e foram plasmados pelos seres da Décima primeira Dimensão.

Oitava Dimensão (existência formal no movimento): seres espirituais da Segunda Hierarquia Angélica de nível 2 (Dínames). Seres espirituais intermediários que têm por função harmonizar as formas, colocando-as em movimento na Eternidade. Estes são os seres que movimentam o Universo e sua essência é a helicoidal (espiral tridimensional). Recebem influência direta dos Serafins.

Nona Dimensão (existência dinâmica na sabedoria): seres espirituais da Segunda Hierarquia Angélica de nível 1 (Kiriotetes). Seres espirituais intermediários que têm por função harmonizar o movimento de acordo com a Sabedoria Divina (Verbo Divino, "Logos"). Recebem influência direta de Deus-Pai e foram por Ele.

Décima Dimensão (existência sábia na vontade): seres espirituais da Primeira Hierarquia Angélica de nível 3 (Tronos). Através da essência destes seres altíssimos, a Vontade Divina, cria-se a multidimensionalidade de todas as existências a eles inferiores. Guardam relação de unidade com Deus-Pai e Dele fazem parte.

Décima Primeira Dimensão (existência volitiva na criação): seres espirituais da Primeira Hierarquia Angélica de nível 2 (Querubins e seres arimânicos). Estes seres altíssimos têm por função exercer a Criação, tendo como substrato a Vontade Divina que emana da Décima Dimensão, por isso são chamados de "Criadores de Mundos". Eles são responsáveis pela criação da multidimensionalidade de todas as existências a eles inferiores. Seres desta dimensão que não exercem seu poder criativo, se tornam seres arimânicos e lutam por conseguir o corpo físico humano para com ele criarem seus mundos particulares. Todos guardam relação de unidade com Deus-Pai e Dele fazem parte.

Décima Segunda Dimensão (existência criativa onipotente e onisciente na onipresença): seres espirituais da Primeira Hierarquia Angélica de nível Divino (Serafins e Satã fundidos em Deus-Pai). Estes são os seres espirituais mais altos que existem e formam um conjunto indivisível entre si e com todas as existências. Em última análise é a existência de Deus-Pai cercado pelos Serafins, que representam seu infinito amor e pelo subproduto deste: seu ódio, representado por Satã. A ambigüidade do amor e do ódio unidos em uma única figura é por nós totalmente incompreensível, mas é ilustrado pelo o que os gregos antigos chamavam de forças primordiais do Universo: Éris (ódio) e Eros (amor). Igualmente há uma relação direta com as figuras mitológicas da Índia antiga da dualidade Vishnu/Io, Manvântara/Pralaya.

Bem, agora você deve estar se perguntando: de onde ela tira tudo isso? E eu vou te responder: provavelmente tudo me é canalizado porque estamos em tempos de mudanças e urge que saibamos mais e mais e mais... Necessitamos sair desta limitação que nos é imposta pela terceira dimensão e acessarmos a atemporalidade e o espaço universal, cósmico. Afinal somos filhos do Universo, Irmãos das Estrelas e Árvores e merecemos voltar à Casa do Pai.

é terapeuta holística (Ayurveda, Reiki, Aromoterapia) e consultora em Tarô, Mapa Astral; formada em Psicologia, Jornalismo e Ed. Física (UFPr); pós graduada em Artes, Psicologia Comportamental e Naturoterapia. Desenvolve estudos sobre tantra, multidimensionalidade, eubiose e cura quântica – Curitiba/PR.
E-mail: saviitri@gmail.com              MSN: savi_itri@hotmail.com

O NASCIMENTO DA CONSCIÊNCIA DE UNIDADE



EQUINÓCIO DE MARÇO DE 2011

O NASCIMENTO DA CONSCIÊNCIA DE UNIDADE

* Célia Fenn *


Eu estive tentando escrever algo neste mês, mas a cada vez que eu me sento para escrever, sinto como se algo estivesse dizendo “não”, “pare”, “não desta forma”. As Mudanças nas últimas semanas foram tão imensas e tão profundas que parece pouco apropriado continuar fazendo as coisas da mesma maneira antiga. Algo novo está nascendo, uma nova consciência e um novo modo de Ser... E como a maior parte de vocês eu estou tentando descobrir como podemos articular e sentir o nosso caminho nesta nova fase de nossa evolução.

Assim, esta não é uma canalização como tal, embora haja muita informação através das fontes das canalizações com que eu trabalho, incluindo Arcanjo Miguel e as energias dos Cetáceos. Um pouco vem das minhas próprias observações das profundas mudanças a partir da perspectiva da Realidade do Plano da Terra e de nossa Experiência de Co-Criarmos aqui com o Espírito. Eu tenho sido uma canalizadora por muitos anos e tenho grande respeito pelo processo, mas percebi que enquanto mudamos para este novo período de “Consciência da Unidade”, a nossa compreensão do processo de canalização mudará, pois compreenderemos a verdadeira Natureza do que significa para nós esta mudança para uma Nova Realidade.

Estamos mudando a nossa percepção de Quem e o Que Nós Somos, enquanto nos movemos para uma nova compreensão de nosso espaço na Realidade Cósmica. E como nos relacionamos com Cada Um nesta Nova Realidade. E isto está acontecendo de um modo tão acelerado que a maior parte de nós está ainda se recuperando das mudanças e transformações. Nós já sabíamos há algum tempo que a Terra estava se preparando para esta mudança, e assim isto nos chega sem nenhuma surpresa, mas o que é surpreendente é a forma que isto está assumindo e como estamos sendo pressionados a nos adaptarmos em um ritmo tão rápido. Eu acho que a maior parte de nós imaginou que a Nova Realidade seria bem parecida com a velha realidade, apenas muito melhor. E eu acho que será, muito melhor que é, quando estiver plenamente em vigor, mas agora estamos em uma fase de Transição na qual estamos mudando da velha para a nova realidade, e este atual Equinócio é o momento em que nos envolvemos para nos movimentarmos rapidamente e avançarmos para as mudanças em um ritmo que estará além da compreensão e apreensão da mente humana.

Isto pode parecer assustador, porque ficamos tão acostumados ao poder da mente racional nesta Era da Lógica e da Razão, e sentimos que deveríamos ser capazes de explicar tudo e controlarmos tudo, até em nossa prática Espiritual. Chegamos a acreditar que a nossa habilidade de criar e co-criar significa que estamos “no controle” de tudo em nossa realidade. Bem, no Nível Superior, nós estamos, mas não ao nível de sermos capazes de achar o nosso caminho através desta transição, ou encontrarmos meios de torná-la confortável. Se focarmos a partir de um nível inteiramente mental e emocional, estaremos muito desconfortáveis.

Há apenas uma maneira de dizer isto... A Era da Mente terminou... Nós entramos em uma Nova Fase de Nossa Evolução. Estamos precisando de algo diferente para dar sentido a nossa Realidade e aquilo que está por vir nos próximos meses. O conceito do Calendário Maia da Nona Onda talvez explique a rápida mudança para uma nova fase de ser, em que a mente de algum modo não pode ainda compreender o que está acontecendo. Sim, nós sabemos que precisamos entrar em nossos Corações, já nos foi disto isto, mas o que isto significa na realidade?

Sentindo do meu modo através deste material canalizado, eu tive que lidar com dois conceitos. Um é a natureza do Amor e do Amor Divino e o outro é a própria Consciência da Unidade. Na última canalização inédita do Arcanjo Miguel, o Amor é definido como a “Inteligência Criativa Divina”. Aquilo que experienciamos como Amor Divino é o desdobramento de uma Inteligência que criou e evolui através desta experiência da criação. Somos parte deste fluxo de Amor e expressamos este Amor em quem nós somos. Quando estamos alinhados com este fluxo de Amor, podemos senti-lo como sustentador, abundante e belo. Quando nos afastamos deste fluxo de Inteligência Criativa Divina em sua função criativa, sentimos o lado oposto da energia... a falta de criação e a destruição que permite que novas formas surjam, que expressem realmente a Inteligência Criativa Divina.

Isto apenas parece o modo com que as coisas funcionam... os antigos sabiam disto e também os povos Indígenas. Vocês têm que viver em Harmonia e Respeito pela Natureza, caso contrário, vocês se perceberão se afastando da Inteligência Criativa Divina e então serão substituídos pela Nova Criação. Nós também sabemos, através de nosso Trabalho Espiritual nas últimas décadas, que esta Inteligência Criativa Divina, que poderíamos chamar de Deus, nos tem dado a oportunidade de trabalhar em conjunto para nos realinharmos com este Fluxo e sermos uma parte da Criação da Nova Terra que expressará a Vontade Criativa Divina. Tudo está em Ordem Divina e tudo está conforme o nosso desejo e trabalho.

O que está acontecendo agora e acontecerá no futuro é uma Expressão da Inteligência Criativa Divina e do Amor em sua forma mais elevada. Podemos ter certeza disto.

Eu acho que em primeiro lugar teremos que aceitar que a mente terá dificuldade em compreender muitas coisas que acontecerão em nossa realidade. Não será nítido e considerável e não teremos controle sobre muitas coisas que acontecerão globalmente ou pessoalmente. O “Controle” será dado aos Níveis Superiores de nosso Ser, e àqueles níveis que chamaremos de Espírito, Anjos e Seres Celestiais. Podemos somente servir ao Propósito Divino como ele se manifesta em nossas vidas. É onde temos que “evoluir” e estarmos dispostos a “ouvir” o Coração. Eu definiria o Coração como o Receptor para a Vontade Divina e a Verdade. Teremos que ouvir interiormente para escutarmos esta profunda voz da Vontade Divina que está dentro de nós.

É onde as canalizações podem ser úteis. Aqueles que são canais seguros, são capazes de se ligarem a este nível da Realidade e se conectarem com o que está sendo Criado e vivido nestas Dimensões Superiores e traduzi-lo em formas que possam ser compreendidas pela Mente. Mas, essencialmente, um canal puro deveria proporcionar uma experiência de “já saber”, pois ela se comunica com o que já é conhecido a um nível profundo, mas está agora abrindo o caminho para que os níveis mentais sejam compreendidos pela mente.

No passado, nossos ancestrais compreenderam a importância do “conhecimento profundo”, e esta função foi servida pelos Xamãs e Profetas que poderiam andar e dançar no Tempo do Sonho e trazer de volta as “mensagens” daqueles que serviram à Inteligência Criativa Divina nos Níveis Superiores da Criação. Mas evoluímos a um estado onde começamos a confiar na Mente mais do que na Inteligência Profunda, e não éramos mais capazes de ouvir a voz da Sabedoria Profunda tão claramente. Esquecemo-nos de ouvir os Sábios e os Profetas e começamos a seguir a Mente.

Bem, podemos dizer que tudo isto foi parte da Evolução de nosso Planeta e de nossa Espécie a este ponto, e tudo na Ordem Divina, como era. Mas, enquanto damos este próximo passo em nossa Evolução, o Conhecimento Profundo como um modo de alinhamento com a Inteligência Criativa Divina se tornou necessário para cada um de nós. Precisamos sentir e saber, ao invés de pensar.

Assim, enquanto eu escrevo isto e enquanto vocês o lêem, precisarão “sentir” a Verdade, bem como a leitura com a Mente. Ambos os níveis deveriam se engajar, pois isto é o que significa Viver alinhado com o Coração. O Coração conduz e a mente segue.

FLUINDO NA CONSCIÊNCIA DA UNIDADE

Assim, a próxima questão parece ser o que seria exatamente a “Consciência de Unidade”, e como seria diferente a este tipo de Consciência que experienciamos até agora. Em nosso Mundo Moderno, temos uma grande ênfase no Indivíduo e na Consciência Individual, e eu gostaria de ir tão longe quanto dizer que o “indivíduo” foi o maior “mito” da Era da Mente.

Na Nova Realidade nós teremos que enfrentar a Verdade básica de que enquanto pudermos nos ver como “entidades individuais”, ou “expressões individuais” de energia, todos nós seremos de fato expressões da Inteligência Criativa que nos chama a fim de crescermos e experienciarmos. Somos realmente “ilusões”, em que não temos nenhuma existência individual, ou somos todos “canais” para a expressão da Energia Divina de algum modo. Em outras palavras, há um ser maior e mais poderoso que está se expressando através de nós e através de toda a criação, e este Ser está determinando a direção da Criação, não Nós. Bem, temos uma participação... nesta Nova Realidade somos convidados a compreender que somos agora os Co-Criadores, em que podemos trabalhar com esta energia para determinar como gostaríamos que a energia se manifestasse do nosso lado, mas precisamos fazê-lo em alinhamento com o maior fluxo de energia.

Sim, todos nós sabíamos disto... gostamos de dizer “Nós somos Um” e “Namastê”... mas então gostamos de continuar agindo como se fôssemos realmente “indivíduos”. Não estou tentando negar o nosso Ser, mas o meu sentimento é que somos um tanto “Mistos”. Nós somos Um, nos tornamos parte um do outro, enquanto cumprimos a nossa parte nas vidas dos outros dia a dia.

Este conceito é imensamente libertador de certo modo. Não somos mais constrangidos pelos conceitos de Acusação e Culpa por coisas que possam dar “errado” na vida. Se pudermos compreender, como começamos recentemente, que estamos todos no Fluxo desta energia, então compreendemos que o que expressamos vem de uma profunda fonte que é maior do que nós mesmos, e que como os nossos antepassados sabiam, manter a comunidade maior em um modo estável e equilibrado, era a chave para as pessoas viverem vidas “individuais” felizes, e não o contrário. Estamos reaprendendo isto muito lentamente.

Sim, nós temos uma imensa Comunidade Global e estamos tendo que confrontar o modo no qual a falta de equilíbrio na Comunidade como um todo, é expresso em nossas vidas diárias como uma falta de Equilíbrio dentro de nós como “indivíduos”. Lentamente, estamos percebendo que o que é expresso em nosso Planeta tem se movido tanto para a fase da “destruição” da Inteligência Criativa Divina, que estamos achando difícil o alinhamento com os aspectos Criativos e Positivos de nosso Ser Profundo.

A CHAVE É A COMPAIXÃO

Assim, neste ponto, vocês poderiam perguntar... como começamos a nos realinhar com esta profunda Sabedoria Interior e a Verdade dentro de nós mesmos, como “indivíduos” e dentro de nossas comunidades?

Minha compreensão é que a chave é a Compaixão... a mais bela das Energias que é mantida pelo Feminino Divino e está abrindo o seu caminho de volta do profundo exílio que experienciou sob o domínio das formas patriarcais da religião e da filosofia nos últimos períodos de nossa evolução.

A Compaixão é uma forma de Amor Divino que expressa a verdadeira compreensão da Inteligência Criativa Divina como Amor e a Natureza da Consciência da Unidade.

Expressar Compaixão é saber que seja o que for que ocorra a outro “indivíduo” ou grupo de indivíduos, está também acontecendo a vocês e dentro de vocês, porque aquilo que acontece neste Nível Profundo, que esteja causando esta expressão é também uma parte de Vocês.

É por isto que tantas pessoas sensíveis são capazes de “sentir” fisicamente profundos sintomas quando os desastres acontecem, ou quando há Labaredas Solares ou Tempestades Magnéticas. Elas sentem dentro do Corpo Físico o que está acontecendo dentro do Coletivo em um nível profundo.

Os eventos que estão ocorrendo no Japão agora, e também no Oriente Médio, são a nossa introdução à Consciência da Unidade. No passado, poderíamos supor que tal tragédia “local” teria pouco impacto sobre “nós”, aqueles que vivem em sociedades desenvolvidas e civilizadas. Estávamos acostumados a ver desastres como coisas que aconteciam com pessoas distantes em terras subdesenvolvidas. Olhávamos as fotos por alguns dias, talvez contribuíssemos com algum dinheiro, e então avançávamos com as nossas vidas diárias. Agora, temos uma catástrofe em um Primeiro País Desenvolvido que não desaparecerá em poucos dias. Os problemas contínuos em torno da Usina Nuclear continuarão a causar um impacto no Japão e na sociedade Global, levantando toda sorte de questões sobre o modo como vivemos e como geramos e consumimos energia. O impacto da Saúde será sentido em países desenvolvidos, e haverá uma crescente percepção de que não somente a energia nuclear é prejudicial, mas também “suja” para o ambiente. Eu estava pensando na intensa poluição que eu experienciei quando visitei Port Hope, em Ontário, onde o Urânio é processado pela Indústria Nuclear, na América do Norte.

Como respondemos, determinará se sobreviveremos na Nova Terra. A Nova Terra está aí... A Inteligência Criativa Divina nos deixou saber que isto é para onde estamos indo. Neste ponto, estamos sendo deslocados 180 graus, de nosso caminho de destruição para o caminho da Nova Criação. Em outros termos, estamos nos movendo da Velha Realidade ou da Consciência Individual da 3ª Dimensão para a Nova Realidade da Consciência de Unidade da 5ª Dimensão.

Como responderemos? Como entraremos na Consciência de Unidade? Eu não posso dizer que eu saiba, somente sei que iremos. Tenho fé no Ser Humano/Anjo que nós somos. Nós nos adaptaremos e nos tornaremos Um com o nosso Destino. É para isto que estamos aqui! É para isto que nascemos, para sermos expressões da Vontade Divina, em alinhamento com uma Nova Realidade neste Plano Material.

Eu acredito, como tenho certeza de que vocês também, que o Cosmos é uma expressão do Amor Divino, e aquilo que se pretende será para o bem maior e uma expressão do Grande Amor.

Podemos nos alinhar com isto, tornando-nos uma Expressão do Amor.

Podemos nos alinhar com isto, tornando-nos um instrumento da Luz Divina.

Sim... sabemos disto também... a um nível profundo. Mas estamos ainda tentando descobrir como fazer isto em nossas vidas diárias e levará tempo para que nos ajustemos.

Mas uma das coisas de que tenho certeza é que teremos que entrar na Compaixão, liberando a nossa fixação com os nossos seres individuais, com a nossa abundância e felicidade, e nos movermos em direção a uma compreensão da saúde e da abundância da comunidade global. Eu tive sempre um problema com o tipo de “consciência de abundância” que está sendo atualmente “comercializada” em programas como “O Segredo”, onde é ensinado às pessoas a se esforçarem pela riqueza individual e, vamos enfrentá-lo, a ganância. E eu tenho também um problema com a crença de que se eu “trabalho em mim mesma”, eu já estou fazendo o suficiente. Isto, para mim, é como ver que do outro lado do mundo as pessoas estão morrendo de fome, assim eu irei ao mercado e terei certeza de que tenho realmente uma boa refeição, e isto significará que está tudo bem. É preciso mais do que isto para entrar na verdadeira compaixão e assegurar que a “refeição” chegue a todos e não apenas a minha mesa farta.

Como... eu não sei ainda... mas este é o desafio que enfrentamos como um grupo enquanto começamos a fazer esta transição para a Nova Realidade onde todos terão o que eles precisam e viveremos em harmonia com a Natureza e com a Terra, como se pretendia.

Eu suspeito que os Índigos e as Crianças Cristal mostrarão o caminho a seguir. Eu sei que há muitos Índigos que têm a habilidade de fazer mais do que apenas inventar o Facebook. Eles podem criar as tecnologias que precisamos para expressar a nossa Compaixão e o nosso Amor no Plano Material e de maneiras reais.

E viveremos no Fluxo da Inteligência Criativa Divina, em vez de na contracorrente da destruição.

RUMO À 11/11/11: O PORTAL DE NOVEMBRO


Pode nos parecer enquanto entramos neste período de rápidas mudanças, que é demais para nós. Podemos nos sentir esgotados em muitos níveis, e podemos achar que as velhas formas de ser e de fazer as coisas simplesmente não estão funcionando mais. Mas isto é somente o que a mente percebe.

No Nível Superior estamos nos movendo em direção ao nosso Destino, nossa data com a criação da Nova Terra, e na realidade, um Novo Cosmos, um Novo Amanhecer. Não podemos controlar este processo; podemos somente participar dele de modos que falem aos nossos Corações e a nossa Sabedoria e Conhecimento Profundo. A Mente não será o nosso Guia nesta fase, somente o Coração saberá!

Até o final de Outubro e o Portal 11/11, estaremos alinhados com esta Nova Realidade. Será um curto período de intensa Mudança e Transformação. E para aqueles no Norte, estejam preparados para um Verão que será até mais intenso do que o do ano passado! E, sim, eu estarei me unindo a vocês novamente em suas experiências. No ano passado eu estive viajando e experienciei o Vulcão na Islândia, e os seus efeitos na Europa e também os grandes incêndios na Rússia e os efeitos em Moscou. Nestes casos, foi necessário trabalhar com as energias Elementais em um nível profundo para auxiliar a manter o equilíbrio. Eu acho que continuará a ser o nosso papel neste período... manter o equilíbrio em parceria com a Terra e permitir que a Inteligência Criativa Divina assuma o seu curso em quaisquer mudanças e transformações que precisem acontecer para nos alinhar ao nosso Novo Caminho na Consciência de Unidade.

Assim, à medida que entramos neste período pós Equinócio, podemos somente avançar em completa confiança de que o que estamos experienciando esteja em completo alinhamento com o que se pretende no Nível Superior e isto nos levará aonde precisamos estar na Ordem Divina.

No Coração do Amor Divino

Nós Somos Um!



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Honre o Divino em você, honrando o Divino nos outros.

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* tradução: Regina Drumond (e-mail:
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© 2011 Celia Fenn e Starchild Global – 
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