sábado, 12 de dezembro de 2009

MEFISTÓFELES - GOETHIANO



Mefistofele Part 1: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=O0VkI9SV81s
Na revoada os anjos
trombeteiam seus favores
- volúveis, enigmáticos.

Mefistofele Part 2: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=6AX21grIPWk
Satã saltitante
esparrama a voz na fumaça
- determinado a vencer.

Mefistofele Part 3: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=1FVI9Bt7dbo
Rodeia os infernos
as sete escadas celestes
- qual demo a sobe?

Mefistofele Part 4: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=9hKO8QsnOFc
Rompem na'asas fortes
infantes criaturas bicolores
- na eterna luta.

Mefistofele Part 5: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=BQgA1G2Nqgw
Quem vai ganhar
na milenar batalha
- os puros e mansos?

Mefistofele Part 6: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=ELe_bUXhNZ4
Enquanto cantarolam
demos e anjos disputam
- a melhor fatia.

Mefistofele Part 6: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=ELe_bUXhNZ4
A ilusão qual banquete
promete toda delícia
- o sono eterno.

Mefistofele Part 7: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Francisco Opera
http://www.youtube.com/watch?v=xQTQvJoQA5Q
No apego horizontal
o rolar  sem parada
- ao fosso escuro.

Mefistofele Part 8: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Fr
http://www.youtube.com/watch?v=Sq10SaJGeGg
O demo oferece
riqueza coroa e súditos
- glórias efêmeras.

Mefistofele Part 9: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San Fr
http://www.youtube.com/watch?v=Uas4oL1oKHE
Satã brinca no mundo
 arma folguedos hilários
- conquista os tolos.

Mefistofele Part 10: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena
http://www.youtube.com/watch?v=fee-00Ezj44
Vida e morte eterna
entre promessas graciosas
- lá vai a manada.
*
Pra quê voz tão linda
se só a tristeza inspira
- o eterno lamentar?

Mefistofele Part 11: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San F
http://www.youtube.com/watch?v=Xuj0I0HsI_k
Amores fugidios
laçam em  torpes correntes
- frágeis desesperados.
*
Na mágica diabólica
qual rede  indestrutível
- nasce e morre o homem.

Mefistofele Part 12: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San F
http://www.youtube.com/watch?v=L5rj_kIdYJQ
Milhares de vidas
no teatro do mundo
- nós, diversão  dos deuses.

Mefistofele Part 13: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San F
http://www.youtube.com/watch?v=Pf1vqzPlXYE
Representar bem
a velha  cena desdita, ai...
- ao fim  dança na forca.
*
 Na peça infindável
entram e saem atores
- Putz... história amoral.
e...
E não há saída
nem rebeldia imaginária
- anjos berram: Bravo!

Mefistofele Part 14: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San F
http://www.youtube.com/watch?v=eM-8Ro_AOTM
A eterna beleza
 engananosa redenção
-leva-nos pros quintos.
*
Gente brincar de ser
infante amado inocente
- na troça dos deuses.
*
De tanta repetir
rasgar as carnes cantando
- destronamos deuses.

Mefistofele Part 15: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San F
http://www.youtube.com/watch?v=op82rnKXGqY
A nobreza humana
completa os planos divinos
- vence em semente de luz.
*
Demos, desesperados
na bandeja dão aos homens
- música, poder divino
*
E na musical batalha
além do bem e do mal
- homem desvenda o céu.

Mefistofele Part 16: Ramey, Benackova, O'Neill, Arena, San F
http://www.youtube.com/watch?v=u9_TtVxLuMI
O Satã, coitado
com medo da cruz e do homem
  - ia vagar noutros mundos


  
- MEFISTÓFELES    - 

MEFISTÓFELES - (chorus) - Arrigo Boito
http://www.youtube.com/watch?v=U6AOYgTyOxE



MEFISTÓFELES NA BÍBLIA GOETHIANA
Inúmeros místicos iluminados, como Samael Aun Weor, vêem na obra de Goethe a mão inconfundível de um Iniciado esclarecido, e percebem plenamente o grande significado cósmico nela contido.

Devemos entender que a história de Fausto é um mito tão antigo quanto a humanidade. Goethe apresentou-a envolta numa verdadeira luz mística, iluminando um dos maiores problemas da Filosofia, o Mito do Salvatur Salvandus "travestido" como O Tentador, o Insuflador da Rebeldia Interior contra o Adormecimento e a ingenuidade irresponsável da Essência humana. Esse Tentador é representado pelo Diabo, chamado nessa obra de Mefistófeles.

Na monumental e absolutamente prospectiva obra de Goethe, Mefistófeles diz a Fausto: "Com essa dose no corpo, logo vês Helena de Tróia em qualquer mulher". Fausto, I, 2603-4.
Nesse momento, Fausto estava paralisado pela fascinação da imagem de Helena refletida em um espelho. Em uma de suas cartas a C.G. Jung , Freud cita Mefistófeles, dizendo:
 "Sinto-me como aquele que vê Helena em toda mulher !" Helena de Tróia, para Goethe, o Iniciado alemão, seria a representação arquetípica de nossa Alma Gêmea, nossa Amada Imortal como a chamava Beethoven. Mas, afinal, quem seria Mefistófeles?

A história de Fausto é bem conhecida: O Dr. Fausto é um velho cientista que sacrificou toda a sua vida em nome da ciência e da pureza de sua alma.
Mefistófeles aposta com Deus que consegue atraí-lo para o seu lado. Deus permite que a experiência seja feita (JÓ ?)

. Mefistófeles conhece bem sua presa: Fausto está cansado e alquebrado, insatisfeito com as coisas que realizou e sente que, na verdade, perdeu tempo, sacrificando sua mocidade, sua saúde e sua riqueza. Provavelmente morrerá pobre e desconhecido sem nunca ter amado. Na prática, não é muito difícil aceitar um pacto proposto por Mefistófeles: este lhe dará a juventude perdida, dinheiro e o amor de uma mulher. Em troca, Fausto lhe dará sua alma. Com o pacto selado, Fausto conhece e se apaixona por Margarida, cuja alma também estará em perigo.

Fausto é a obra da vida inteira de Goethe. Começou a ser escrita em 1774, a primeira parte foi publicada em 1808; a segunda somente foi concluída em 1832, pouco antes da morte do autor. Resumo de uma época e prova da genialidade de Goethe, Fausto faz parte do patrimônio cultural da humanidade.

Enquanto o Livro de Jó designa Satã como sendo um dos Filhos de Deus, o mito de Fausto fala de Lúcifer como estando presente também na convocação que ocorre no capítulo inicial da história. Dele vem a nota salvadora de dissonância que forma um contraste na harmonia celestial e, como a luz mais brilhante provoca a sombra mais densa, a voz de Lúcifer realça a beleza do canto celestial.

"Entre pensamentos e visões noturnas, quando cai sobre os homens o sono profundo, sobrevieram-me o espanto e o temor, e todos os meus ossos estremeceram. Um espírito passou por diante de mim, e fez-me arrepiar os cabelos do corpo. Parou ele, mas não consegui discernir sua aparência. Um vulto estava diante dos meus olhos, e ouvi uma voz abafada: Pode o homem mortal ser mais justo do que Deus? Pode o homem ser mais puro do que seu criador? (Jó 33:12-18)

O Livro de Jó tem sido chamado de "poema dramático de uma história épica".
Os capítulos 1 e 2 são um prólogo que descreve o cenário da história. Satanás, o Tentador, apresenta-se ao Senhor, junto com os filhos de Deus, e desafia a piedade de Jó, dizendo:
"Porventura, teme Jó a Deus debalde?" Vai mais longe e sugere que se Jó perdesse tudo o que possuía, amaldiçoaria a Deus. Deus dá permissão a Satanás para provar a fé que tinha Jó, privando-o de sua riqueza, de sua família e, finalmente, de sua saúde. Mesmo assim, "em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios".

O que se questiona é sobre o verdadeiro significado dessa visita do Diabo a Deus. Se esse Diabo do Livro de Jó fosse o nimigo por excelência, por que Deus o receberia juntamente com os outros Anjos do Céu? Portanto, concluímos que o Tentador é um "símbolo" referente ao Diabo Tentador, reflexo da Divindade.



Goethe condena Fausto pela tragédia de Margarida, na segunda parte o redime com a realização de sua utopia burguesa. A insatisfação existencial que marca o mal du siècle, a partir do Romantismo, revelará o Fausto satânico, que se fará prometéico não pela ação, mas pela indiferença. Manfred, o Fausto byroniano, se recusa ao inferno, quer morrer na absoluta solidão, o que o leva a dizer ao Espírito do Mal:  


Tu não me tentaste, nem me podias tentar; nunca fui teu ludíbrio, nem sou tua presa... fui e serei meu próprio algoz... Retirai-vos, demônios impotentes! a mão da morte está sobre mim... mas não a vossa! [...][xxxi] 



 Fausto, para quem Goethe imaginara paraísos de utopia, encontra-se enredado em profundo pessimismo. A unidade dialética entre espírito e matéria, a fusão com o eterno feminino e a obra civilizadora e progressista, dá lugar a cisão do próprio mito. Na passagem do fim do século XIX para o século XX veremos a utopia fáustica desmoronar no terreno do ceticismo e da ironia: será o Fausto devorado pela despersonalização, de Fernado Pessoa; o Fausto agnóstico de Paul Valéry; o sifilítico por escolha própria e louco, criador da danação dodecafônica, que é Adrian Leverkühn, o Fausto de Thomas Mann. Todos são emblemas do mundo cínico, hiper-racional e imediatista da modernidade, onde a luta pela “alma” perde terreno e a problemática da superação de limites decai na impossibilidade de se distinguir uma linha de ação. Assim como Fausto, o Diabo também perdeu seu lugar no mundo: em Pessoa, nem mesmo aparece; em Valéry, é Fausto que lhe propõe o pacto; em Mann, Adrian duvida que realmente Mefistófeles tenha-lhe surgido, se não fora mais um fantasma de sua demência.

As leituras espinosanas de Goethe afetaram o cerne de sua produção literária, especialmente no que respeita a seu período clássico. Ele se inicia abordando a controvérsia sobre o espinosismo na segunda metade do século XVIII alemão, para paulatinamente atingir uma perspectiva apropriada a partir da qual se possam reavaliar certos pontos de vista normalmente aceitos sobre a relação entre Goethe e a filosofia de seu tempo. No século XIX e na primeira metade do XX não houve muitas dúvidas sobre o valor do corpus espinosano para Goethe, mas por décadas este assunto foi raramente contemplado com rigor. Assim, o presente trabalho toma como foco a afinidade entre ambos, desde a perspectiva da obra literária de Goethe.  
 



Lucifer Prometeus
- lucifer_liege_luc_viatour


“A mentira das igrejas e congregações, cegam os seus olhos, e nao conseguem ver o brilho real da estrela da manhã! a verdade absoluta não pertence a mente humana e fraca, porém ela pode ser alcançada com a plenitude da alma.”
John Milton


“Fere-lhes com tais modos os ouvidos:
Dominações, virtudes, principados,
Tronos, poderes, se são vossos inda
Estes imensos títulos pomposos,
Se acaso inda não são nomes inúteis:


Há quem, por um tirânico decreto,
Todo o poder a si vem arrogar-se
Fazendo dele horrível monopólio,
E, sob o nome de monarca ungido,
Eclipsa nossa glória e privilégios.



Toda esta marcha rápida, noturna,
Esta convocação acelerada,
Promove-as ele, a fim de vermos como,
Com que pompas nos cumpra recebê-lo
Quando vier extorquir de nós – escravos !-


- Tributo genuflexo agora imposto,
Vil prostração, que feita ante um já cansa,
Que feita a dois se torna insuportável!

E não pode outro arbítrio mais sisudo
Dar-nos mais elevados pensamentos,
Que a sacudir tal jugo nos ensinem?
Curvareis vosso colo majestoso ?
Súplice joelho dobrareis humildes ?


Decerto o não fareis, se não me engano,

Que vosso jus por vós é conhecido:
Bem sabeis que no Céu nascidos fostes,
No Céu antes de vós nunca habitado;


E, se ente vós não sois iguais de todo,
Iguais contudo sois na liberdade:
As várias gradações, as jerarquias
Da liberdade os forros não estragam,
Antes maior firmeza lhes transmitem.


Quer dentre iguais na liberdade pode
Por direito ou razão alçar um cetro
Sobre consórcios seus, posto mostraram
Menor poder em si, menos fulgores?

Não temos leis e nem por isso erramos;

E quem tais leis impor-nos pode ou deve ?
Ninguém pois pode ser monarca nosso,
Nem de nós exigir tão vil tributo
Em desprezo dos títulos excelsos,
Que atestam destinada nossa essência
Para ser dominante e não escrava.”


(MILTON, John. O paraíso perdido. 
Trad. de Antônio José de Lima Leitão. S. Paulo: Logos, p. 261-2)


http://www.gnosisonline.org/index.php
http://artecultural.wordpress.com/2009/09/29/lucifer-prometeus/


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