quarta-feira, 28 de setembro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

CORPUS HERMETICUM - MÔNADA


Corpus Hermeticum


Hermes Trimegisto. in Viridarium chymicum, de D. Stolcius von Stolcenbeerg, 1624
O conjunto de textos denominado Corpus Hermeticum (também chamado de Hermetica) escrito entre 100 e 300 d.C. no Egito, resulta de um complexo sincretismo religioso, de múltiplas influências (inclusive egípcias). Ocorreu no período da Pax Romana (Paz Romana), que colocou o Egito em contato com o restante do Império. u o Egito em contato com o restante do Império
Escrito na primeira pessoa 
por Thoth ou Hermes Trismegisto, contando as coisas
que lhe revelou seu contato com o nous, 
espécie de divindade absoluta. 

Durante os séculos seguintes, atribuiu-se erroneamente a esses textos uma exagerada antiguidade, situando-o na época das grandes pirâmides. Tal atributo lhe valeu uma leitura reverente e atenta que teve importante influência na ciência do Renascimento, quando quase tudo o que fora escrito na Antiguidade era lido como revelação fundamental.

Novos textos

Recentes traduções de textos encontrados na biblioteca de Nag Hammadi (Códice VI) contêm ao menos três escritos inéditos pertencentes ao Corpus Hermeticum:

Mônada (gnosticismo)


Mônada, segundo os Pitagóricos
Em muitos sistemas gnósticos (e heresiológicos), o Ser Supremo é conhecido como Mônade, o Uno, o Absoluto Aiōn teleos (O Perfeito Aeon, αἰών τέλεος), Bythos (Profundidade, Βυθός), Proarchē (Antes do Início, προαρχή, Hē Archē (O Início, ἡ ἀρχή) e Pai inefável.

O Uno é a fonte primal do Pleroma,
a região de luz. 
As várias emanações do Uno são chamados "Aeons".

Dentro de algumas variações do Gnosticismo, especialmente as inspiradas por Monoimus, o Mônade era o mais alto deus, que criou todas as demais divindades inferiores ou os elementos (similares aos Aeons).

Algumas versões mais antigas do Gnosticismo, especialmente as da escola valentiana, uma divindade inferior chamada Demiurgo teve um papel central na criação do mundo material, complementar ao papel do Mônade.

Nestas tradições, o Deus do Antigo Testamento 
é frequentemente considerado como sendo o Demiurgo
e não o Mônade, sendo que em algumas passagens 
ele pode se referir a ambos.

Histórico

De acordo com Hipólito, esta visão foi inspirada pelos pitagóricos, para quem a primeira coisa que existiu foi chamada de Mónade, que então deu existência da díade, que por sua vez pariu os números, e este o ponto, daí a linha e assim por diante[1]. Filósofos pitagóricos e platônicos como Plotino e Porfírio condenaram o Gnosticismo por seu tratamento dado ao Mônade ou o Uno.

Por um longo tempo, uma lenda persistiu sobre um jovem chamado Epifanes que teria sido o líder do Gnosticismo Monádico e que teria morrido aos 17 anos. Porém, estudiosos acreditam que lenda teria surgido de uma má interpretação da palavra grega epiphanēs, que deve ter sido entendida como um nome próprio num texto, quando de fato significa distinto, como em distinto amigo'[2].
 
MÔNADA

Mónade, termo normalmente vertido por mónada ou mônada, é um conceito-chave na filosofia de Leibniz. No sistema filosófico deste autor, significa substância simples - do grego μονάς, μόνος, que se traduz por "único", "simples". Como tal, faz parte dos compostos, sendo ela própria sem partes e portanto, indissolúvel e indestrutível.

Substância

Leibniz usa constantemente a expressão substância simples quando se refere à mónade. Cada mónade apresenta-se, neste sentido, como um mundo distinto, à parte, próprio - mas também como unidade primordial que compõe todos os corpos.

Contudo, Leibniz não aceita a substancialidade da extensão, teoria de algum modo provinda de Descartes e manifestada pelos cartesianos da época - Nicholas Malebranche e Antoine Arnauld. Isto significa que a concepção leibniziana começa a afastar-se da tradição típica do século XVII.

Átomo

As mónades são consideradas átomos da natureza, isto é, elementos simples que compõem todas as coisas. Cada mônada é, no entanto, distinguível das outras, possuindo qualidades que variam unicamente por princípio interno, visto que, enquanto substância pura, nenhuma causa exterior pode influir no seu interior. Não havendo partes em uma mónade, ela possui um detalhe múltiplo, isto é, envolve uma multiplicidade na unidade e expressa o universo sob um determinado ponto de vista ou seja é dotada de percepção.

Uma mônada não pode exercer
qualquer efeito sobre a outra pois entre elas 
ocorre uma acomodação, através de Deus, 
que, ao fazer cada uma, teve em conta todas as outras.

Dado que cada mónade possui em si a representação de todo o Universo e da relação entre todas as mónades, um espírito absoluto - Deus - pode, segundo Leibniz, a partir do que se passa em cada uma, inferir por mero cálculo o que se passa, o que se passou ou passar-se-á em todo o Universo. Este tópico gera discórdia entre os interpretadores quanto a concluir se Leibniz seria ou não adepto da predeterminação ou do livre-arbítrio.

Monadologia

Instado por Nicolas Rémond, conselheiro do duque de Orleans, Leibniz escreveria os Princípios da Filosofia - Monadologia já no final de sua vida, em 1714, para sustentar uma metafísica das substâncias simples.

Editada postumamente, em 1720, é uma das obras que melhor resumem sua filosofia. Nela, Leibniz tenta expor globalmente, de uma forma simples, o seu sistema das mônades. Trata-se de átomos formais, que não são físicos, mas sim metafísicos.

Mais de um século depois, em 1840, a edição francesa de Erdmann viria a intitular a obra simplesmente de Monadologia e o hábito já estabelecido de chamar monadologia à descrição do sistema de mónades viria, a partir daí, a estabelecer-se.

Fundamento

Leibniz
fundamenta as mônadas 
em cinco bases, ao longo da obra:
  • Matemática, pelo cálculo infinitesimal e suas conclusões antiatomistas (no sentido materialista de Epicuro, Lucrécio e Pierre Gassendi);
  • Física, pela teoria das forças vivas e, implicitamente, pela crítica à dinâmica cartesiana, cujos erros estimativos Leibniz se encarregou de destacar;
  • Metafísico, pelo princípio da razão suficiente que, assim como a navalha de Ockham, não pode retroceder indefinidamente e requer um ponto de partida em cada ser, determinado a trabalhar por sua própria vontade ou inércia;
  • Psicológico, pelo postulado das ideias inatas, contido nos Novos ensaios sobre o entendimento humano, que serviu de base para Kant redigir sua Crítica da razão pura;
  • Biológico, pela pré-formação seminal dos corpos e a subdivisão de funções em seu desenvolvimento orgânico.

Exposição

A Monadologia está exposta através de parágrafos lógicos, geralmente derivados um do outro, até o nonagésimo. Recebeu tal nome porque o autor quis retomar os termos monas (em grego: unidade), e logos (tratado ou ciência. Monadologia seria portanto o tratado das mônadas ou a ciência da unidade.

O texto apresenta-se de maneira que o leitor pode colocar-se perguntas que o auxiliam na compreensão da obra. Assim, por exemplo, é possível acompanhar a defesa de que o composto é derivado, extensão, fenômeno ou repetição do simples (ideia que Kant expressaria, por sua vez, na dicotomia fenômeno-noúmeno). Seria a alma uma mônada também? Se o for, ela é uma substância simples; caso contrário, é um composto e não pode ser uma mônada.

Qualidades das mônadas

As qualidades básicas das mônadas são a apetição e a percepção. Apetição é a tendência que nos impele, continuamente de uma percepção a outra - o princípio de mudança interna. É regida pelas leis das causas finais do bem e do mal. A apetição exprime a mobilidade das almas, que não estão jamais em repouso e tendem continuamente a uma melhor harmonia interior.

Entre as mônadas racionais (as almas) é necessário assinalar também a apercepção, ou seja, a reflexão e a consciência. Por outro lado, as mônadas carecem de uma figura, ainda que ocupem espaço, e - antecipando a Teoria da Relatividade - são o referencial absoluto do movimento.

 Polêmica dentro do racionalismo

Quando foi escrita, a Monadologia procurou colocar, a partir do monismo - rechaçando, porém, o pan-psiquismo espinoziano - o problema da realidade em geral e o da comunicação das substâncias em particular, ambos estudados também por Descartes. Assim, Leibniz apresentou uma solução alternativa à questão da relação entre a mente ("o reino das causas finais" ou teleológicas) e a realidade extensa a-substancial ("o reino das causas eficientes" ou mecânicas) por meio de uma harmonia pré-estabelecida entre as mônadas e a matéria, por um lado, e entre as próprias mônadas entre si, pelo outro lado.

Leibniz, na sua Monadologia, combateu o sistema dualista cartesiano e propôs-se superá-lo através de um sistema metafísico de caráter ao mesmo tempo monista (só o inextenso é substancial) e pluralista (as substâncias estão disseminadas no mundo em número infinito). Uma mônada é uma força irredutível que dá aos corpos as suas características de inércia e impenetrabilidade e que contém em si mesma a fonte de todas as suas ações. As mônadas são os elementos primeiros de todas as coisas compostas.

Paradoxos e Aporias


As mônadas são matéria, 
já que estão em todas as partes.

Não há uma mínima porção de extensão sem Mônadas. As Monadas são aquilo de que se compõe a extensão, porém elas mesmas não possuem extensão; o que não significa que sejam, por sua função, nulas (pois projetam e refletem força), nem imateriais (pois acompanham a matéria), nem materiais (pois nada que seja material pode interagir com elas).
A materialidade extensa consistiria na impenetrabilidade do inextenso - a mônada, "sem portas ou janelas" - transmitida passivamente por sucessões de movimentos que, junto com a percepção e a apercepção, integram o fazer ativo.

A mônada não pode permanecer situada naquilo que ela hipoteticamente gera, a extensão mesma, antes do ato gerador, acontecido no tempo. Portanto, extensão e mônada coexistem acausalmente e por criação intemporal, apesar de se vincularem de forma recíproca segundo as aparências.
Em resumo, afirma-se que a matéria é extensa, mas não só extensa. É formada de mônadas inextensas. Portanto seria extensa e inextensa?
 Não, já que a função da mônada é constituir a matéria, sem que se possa dizer que esta seja nada de concreto .

A chave é saltar da afirmação "a matéria é a ou é b" 
para a rotunda negação : "a matéria não é".

Conclusões

Esta teoria conduz: 
1) ao idealismo, porque a realidade em si é negada e multiplicada através de diferentes pontos de vista. As mônadas são "espelhos indestrutíveis do universo".

2) ao que tem sido chamado "otimismo metafísico", pelo princípio de razão suficiente, que é o conjunto das condições requeridas para a produção de um ser ou de um acontecimento e se desenvolve da seguinte maneira: a- tudo é por uma razão (segundo o axioma: do nada, nada provém); b- tudo o que é tem mais razões para ser do que para não ser (que seja é a melhor razão); c- tudo o que é também é melhor do que aquilo que não é (pelo item "a", ao ser mais racional, contém mais ser) e, por conseguinte, é o melhor possível (com base no axioma, o que contém mais ser é melhor do que contém menos ser). Daí a tese do melhor dos mundos possíveis, isto é, aquele "dotado de maior variedade de fenômenos com base no menor número de princípios".

3) à justificação do livre arbítrio pela harmonia preestabelecida. Esta refuta o fatalismo das causas eficientes ou geométricas (Espinosa), distinguindo entre predeterminação - já que nada do que se torna é indiferente, pois conta com uma razão para ser, antes do que não ser - e necessidade - dado que tudo o que é poderia ter sido de outro modo, na infinidade de mundos possíveis, com o que não é necessário no sentido de ser seu oposto contraditório.

4) a um emergentismo inverso. A extensão e as demais propriedades materiais viriam a ser fenômenos não redutíveis ao seu substrato ontológico. Do simples ao complexo, e não do complexo ( a matéria, o movimento) ao simples ( a percepção, a intenção).

Ver também

Ligações externas

 

Pleroma

Pleroma (Grego πλήρωμα) geralmente se refere à totalidade dos poderes divinos. A palavra significa plenitude (do grego πληρόω, "Eu preencho"), comparável a πλήρης que significa "cheio"[1] e é usada em contextos teológicos cristãos, tanto Gnósticos quanto por Paulo de Tarso em Colossenses 2:9.

 Pleroma no Gnosticismo

O Gnosticismo ensina que o mundo é controlado por Arcontes, dentre os quais está, segundo algumas versões do Gnosticismo,a divindade do Antigo Testamento, que mantém cativos alguns aspectos humanos, acidentalmente ou de propósito. O Pleroma celeste é a totalidade de tudo o que é considerado pela nossa compreensão como "divino". O Pleroma é muitas vezes referido como sendo a luz que existe "acima" do nosso mundo, ocupado por seres espirituais que se emanaram do Pleroma. 

Estes seres são descritos como Aeons (seres eternos) e, algumas vezes, como Arcontes. Jesus é interpretado como um Aeon intermediário que foi enviado, juntamente com a sua contraparte Sophia (gnosticismo), do Pleroma. Com a ajuda deles, a humanidade seria capaz de recuperar o conhecimento perdido de suas origens divinas e assim recuperar a unidade com o Pleroma. O termo é, portanto, um elemento central da cosmologia religiosa Gnóstica.

Textos Gnósticos enxergam o Pleroma como aspectos de Deus, o eterno Princípio Divino, que só pode ser parcialmente compreendido através do Pleroma. À cada Aeon (aspecto de Deus) é dado um nome (às vezes vários) e uma contraparte feminina (o Gnosticismo enxerga a divindade e a plenitude em termos da unificação masculino / feminino - veja Sizígia). O mito de criação Gnóstico continua contando como Sophia (Sabedoria) se separou do Pleroma e formou o Demiurgo, dando à luz assim ao mundo material.

Uso contemporâneo

Pleroma também é utilizado na língua grega em geral e pela Igreja Ortodoxa Grega, pois aparece na Epístola aos Colossenses. Proponentes da visão de que Paulo seria de fato um gnóstico, como Elaine Pagels da Universidade de Princeton, entendem que a referência na Epístola como algo a ser interpretado no sentido gnóstico.[2]

Carl Jung

Carl Jung utilizou a palavra no trabalho místico não publicado de 1916, Sete Sermões aos Mortos, que finalmente foi publicado em Resposta a Jó (1952) e depois num apêndice da segunda edição de sua autobiografia, Memórias, Sonhos, Reflexões (1962)[3]. De acordo com Jung, Pleroma é "ao mesmo tempo o tudo e o nada. É infrutífero pensar sobre o Pleroma. Nisto, tanto pensar quanto ser cessam, pois o eterno e o infinito não possuem atributos.

Neoplatonismo e Gnosticismo

John M. Dillon, no seu "Pleroma and Noetic Cosmos: A Comparative Study" (sem tradução em português) declara que o Gnosticismo importou o seu conceito de "reino ideal" ou Pleroma do conceito platônico de Cosmos e Demiurgo em Timeu e o conceito de Cosmos Noético de Fílon de Alexandria em contraste com o Cosmos estético. Para chegar nesta conclusão, ele contrasta o Cosmos Noético com passagens da Biblioteca de Nag Hammadi, onde os Aeons são expressados como pensamentos de Deus. Dillon afirma que o Pleroma é uma adaptação de idéias gregas, pois antes de Fílon não há nenhuma tradição judaica que aceite que o mundo material (ou Cosmos) foi baseado num mundo ideal que também existe.[4].

 
Absoluto
Absoluto, em Filosofia, é definido como a "realidade suprema e fundamental, independente de todas as demais". Na filosofia analítica e na filosofia pragmática, absoluto é tudo aquilo que não se deixa falsear.

  Etimologia

Absoluto vem do latim solutus ab omni re, compreendendo o que é "em si e por si", independentemente de qualquer outra consideração ou condição: é a quintessência da abstração, a essência e o termo da generalização. "Assim, o absoluto foi considerado por uns como a idéia, como a verdade, como o princípio fundamental de que derivam todos os outros, como o Ser por excelência, princípio e causa de tudo quanto existe, ao passo que para outros apenas representa uma pseudo-idéia (Hamilton), "Uma noção vazia de sentido" (Renouvier).

  Índia

Todas as tradições espirituais da Índia 
reconhecem a existência de uma realidade transcendental. 

Embora diferentes escolas proponham diferentes enfoques do mesmo, a maioria concorda que o o absoluto é supra-material, supra-consciente, supra-pessoal e não tem qualidades. Todas estas tradições insistem que o absoluto é idêntico a essência do ser humano, o si, e é realizável pela transcendência da mente. 

Entretanto eles oferecem diferentes especulações sobre a relação entre o absoluto e a essência interior do ser (inamente). A solução mais radical vem do vedanta advaita, que não vê nenhuma diferença entre o absoluto (brahman) e a essência da psique humana, o si transcendental (atman). 

No yoga clássico entretanto propõem a existência de uma pluralidade de sis (purusha), sendo um deles único que nunca foi e nunca será sujeito a ilusão da personalidade (individualidade). Este si em particular se chama "ishvara", no yoga de patanjali. Entretanto nas escolas não dualísticas de yoga, "ishvara" como criador não tem funda mentalidade.

Normalmente chamado de Brahma ou prajapati, 
ele é uma mera beldade (deva) 
ou um projeção mental do absoluto. 
  • O Neoplatonismo 
  •  
  •  
  • foi uma corrente de pensamento iniciada no século III que se baseava nos ensinamentos de Platão e dos platônicos, mas interpretando-os de formas bastante diversificadas. Apesar de muitos neoplatônicos não admitirem, o neoplatonismo era muito diferente da doutrina platônica. O prefixo neo, inclusive, só foi adicionado pelos estudiosos modernos para distinguir entre os dois, mas na época eles se autodenominavam platônicos.
O neoplatonismo começou com o filósofo Plotino, apesar de ele afirmar que recebeu os ensinamentos de Amônio Sacas, um estivador iletrado em Alexandria.

O Neoplatonismo
é uma forma de monismo idealista. 

Plotino ensinou a existência de um Uno indescritível do qual emanou uma sequência de seres menores. Os filósofos do neoplatonismo tardio, especialmente Jâmblico, adicionaram centenas de deuses e seres intermediários como emanações entre o Uno e a humanidade. Mas o sistema de Plotino era muito mais simples em comparação.

Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter uma real existência no mundo. Isto era mais uma visão otimista do que dizer que tudo era, em última instância, bom. Era dizer apenas que algumas coisas eram menos perfeitas que outras.

O que outros chamavam de mal, 
os neoplatônicos chamavam de imperfeição,
de "ausência de bem".

Neoplatônicos acreditavam que a perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas neste mundo e que alguém não precisaria esperar uma pós-vida (como na doutrina cristã). Perfeição e felicidade (uma só e mesma coisa) poderiam ser adquiridas pela devoção à contemplação filosófica.

Entre os neoplatônicos posteriores estão incluídos Porfírio, Proclo, Jâmblico e Hipátia de Alexandria. Agostinho de Hipona foi neoplatônico antes da conversão ao catolicismo e algumas das obras mais otimistas foram escritas durante este período.

O neoplatonismo foi frequentemente usado como um fundamento filosófico do paganismo clássico, e como um meio de defender o paganismo do cristianismo. Mas muitos cristãos também foram influenciados pelo neoplatonismo.

Em versões cristãs do neoplatonismo,
o Uno é identificado como Deus. 

O mais importante destes foi Pseudo-Dionísio, o Areopagita, cuja obra foi muito influente na idade média. Agostinho de Hipona (ou como é mais conhecido, por Santo Agostinho) se converteu ao Cristianismo por influência de Plotino, levando muitos estudiosos a rotular Agostinho o como um franco neoplatonista. Contudo, eles notam que a subordinação da filosofia de Agostinho às Escrituras leva-a a diferir da filosofia não-cristã. 

Alguns estudiosos mostraram que o neoplatonismo também foi influenciado pela teologia cristã, notavelmente pelos sistemas de crenças do Gnosticismo.
Na idade média as idéias neoplatônicas influenciaram o pensamento dos judeus cabalistas, como Isaac, o Cego. No entanto, os cabalistas modificaram o neoplatonismo de acordo com as próprias propensões monoteístas. Um famoso filósofo judeu neoplatônico do início da idade média foi Salomão Ibn Gabirol.

As idéias neoplatônicas 
também foram levadas para os pensadores islâmicos 
e sufis durante esse período, como Alfarabi 
e, através deste, Avicena.


O neoplatonismo sobreviveu no oriente como uma tradição independente e foi reintroduzida no ocidente por Plethon e subsequentemente revivido na renascença italiana por figuras como Marsílio Ficino, os Medici e Sandro Botticelli.

Fonte:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hermetica
Sejam felizes todos os seres Vivam em paz todos os seres
Sejam abençoados todos os seres

JUNG : CODEX I - VERDADE - AION -





Códice Jung

Enquanto isso, um único códice foi vendido no Cairo para um antiquário belga. Após tentativas de vendê-lo tanto em Nova Iorque e Paris, ele foi adquirido pelo Instituto Carl Gustav Jung, Zurique, em 1951, através da mediação de Gilles Quispel. A intenção era que o códice fosse um presente de aniversário ao famoso psiquiatra e, por isso, este códice é conhecido como Codex Jung (Codex I na coleção).


A morte de Jung em 1961 provocou uma disputa sobre a possa do Codex Jung, atrasando a entrega das páginas ao Museu Copta somente em 1975, após a primeira edição do texto já ter sido publicada. E assim, todos os papiros foram finalmente reunidos no Cairo.

O Evangelho da Verdade

O Evangelho da Verdade é um dos textos gnósticos dentre os livros apócrifos encontrados nos códices da Biblioteca de Nag Hammadi ("BNH"). Ele existe em duas traduções coptas, uma no dialeto "lycopolitano" que sobreviveu quase inteira no Codex I (o chamado Codex Jung) e outra no dialeto sahídico em fragmentos no Codex XII.

História

O Evangelho da Verdade provavelmente foi escrito em grego entre 140 e 180 da era cristã por gnósticos. O texto já era conhecido por Ireneu de Lyon, que argumentou contra o seu conteúdo e o declarou herético. Ele afirmava ainda que ele era uma das obras dos discípulos de Valentim[1] e que era o mesmo "Evangelho de Valentim" mencionado por Tertuliano em Contra Todas as Heresias[2].

A similaridade deste com outros trabalhos que se imagina serem dele e de seus seguidores fazem com que muitos especialistas concordem com Ireneu neste ponto.

“ Então os seguidores de Valentim, livres de todo medo, apresentam suas próprias composições e se vangloriam de ter mais Evangelhos do que os que de fato existem. A sua audácia foi tão longe que eles entitulam a sua mais recente composição "O Evangelho da Verdade", embora ele se pareça em nada com os Evangelhos dos Apóstolos, e assim nenhum Evangelho deles está livre da blasfêmia. Pois se o que eles produzem é o Evangelho da Verdade, e é tão diferente daquele que os apóstolos nos deixaram, aqueles que quiserem podem entender como se pode demonstrar pelas próprias Escrituras que aquilo que nos é deixado pelos apóstolos não é o Evangelho da Verdade.[1] ”
Após suas traduções coptas serem enterradas em Nag Hammadi, o Evangelho da Verdade ficou perdido até sua descoberta em 1945.

Estilo

A grande qualidade poética do texto é percebida mesmo na tradução e percebe-se uma forte tendência cíclica na apresentação dos temas. Não é só um Evangelho, no sentido de um reporte da vida e obra de Jesus de Nazaré, mas é melhor entendido como uma homilia.

O texto é considerado pelos especialistas
como um dos que foram melhor escrito
dentre todos os textos da coleção de Nag Hammadi, 
considerando seu alto valor não apenas como uma grande obra literária,
mas também como uma exegese gnóstica 
sobre diversos Evangelhos, canônicos ou não.

O texto cita Epístola aos Gálatas, Evangelho segundo João, Primeira Epístola de João, Apocalipse, Evangelho segundo Mateus, Primeira Epístola aos Coríntios, Segunda Epístola aos Coríntios, Epístola aos Colossenses e Epístola aos Hebreus do Novo Testamento. Destas, o Evangelho segundo João é o mais citado. Também é influenciado por Tomé, citando-o (Tomé 28[3]) ao lado de João 3:8 em um ponto (22.13-19)[4].

Conteúdo

O texto descreve uma teoria sobre a emergência do Erro personificado em forma feminina. Sua ignorância e sua vontade de ver o Pai geraram medo, que se apresentou numa nuvem pela qual o Erro ganhou poder.
Em seguida, descreve Jesus sendo enviado por Deus para remover a ignorância. Jesus era visto como um doutor embaraçando os outros escribas e doutores e afirmando que eles eram tolos por tentarem entender o mundo analisando a lei. Mas o Erro ficou furioso com isso e pregou Jesus numa árvore. O texto prossegue descrevendo o conhecimento que leva à salvação, que constitui o eterno descanso e a ignorância como um pesadelo.

Tendo descrito a parábola do Bom Pastor (João 10:1-42) de maneira esotérica, continua descrevendo como alimentar os famintos e dar repouso aos exaustos deve ser entendido como alimento à fome espiritual e repouso aos exaustos deste mundo.

Segue então uma parábola sobre a unção, cujo significado é obscuro, mas pode estar relacionado à forma como uma ânfora lacrada significa que ela está cheia, uma metáfora para conhecimento - obtenha o "lacre" final no quebra-cabeças e você entenderá, mas sem ele, as migalhas de compreensão que você possui podem ainda ser facilmente desmontadas:

“ Mas aqueles quem ele ungiu são os únicos que se tornaram perfeitos. Pois jarros cheios são aqueles que são ungidos. Mas quando a unção de um jarro [lacre] é dissolvida, ele esvazia, e pela razão de haver uma deficiência é aquela pela qual o óleo da unção se vai. Pois naquele momento um sopro o leva, uno pelo poder daquele dentro dele. Mas daquele que não tem deficiência, nenhum lacre é removido e nada se esvazia. Então o que lhe falta o Pai Perfeito repõe[4] ”
— Desconhecido, Evangelho da Verdade
Exceto por uma descrição final sobre como adquirir paz pela Gnose, o resto do texto contém tratados relacionados à conexão entre o Filho e o Pai. Um exemplo disto é a frase utilizada o nome do Pai é o do Filho, que deve ser entendido na maneira esotérica de que o Filho é o nome, ao invés de significando que Filho é um nome para o Pai.

Ver também



Referências


  1. ↑ a b Ireneu. Adversus Haereses: Proofs in continuation, extracted from St. John's Gospel. The Gospels are four in number, neither more nor less. Mystic reasons for this. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. III.
  2. ↑ Tertuliano. Contra Todas as Heresias: Valentinus, Ptolemy and Secundus, Heracleon (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, vol. I.
  3. ↑ Robinson, ed., James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Gospel of Thomas (Trad. de Thomas O. Lambdin) (em inglês). San Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2
  4. ↑ a b Robinson, ed., James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Gospel of Truth (Trad. de Robert M. Grant) (em inglês). San Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2

Bibliografia- Layton, Bentley. The Anchor Bible Reference Library: The Gnostic Scriptures (em inglês). NY: Doubleday, 1987.

Tratado sobre a Ressurreição

O Tratado sobre a Ressurreição é um dos manuscritos
encontrados no Egito. A cópia sobrevivente está em Copta 
e é o penúltimo texto no códice.

Tradição

A crença na Ressurreição está no coração da fé Cristã. Era, portanto, tema central das perguntas e dos discursos entre os adeptos da nova fé, que ainda não eram conhecidos como Cristãos, quando Paulo escreveu I Coríntios. Estas discussões que tratavam da crença na vida após a morte continuaram através dos séculos II e III, como indicam os diferentes tratados dedicados ao assunto. Nesta tradição se situa o Tratado sobre a Ressurreição de Nag Hammadi.

Aspectos literários

O texto se apresenta como um documento redigido por um senhor a seu discípulo, Regino, ainda que falte endereço no início da Epístola. É um tratado pequeno e didático, com oito páginas, que se assemelha a um discurso inflamado.

O tema da Ressurreição


A Ressurreição dos Mortos
A importância desta carta está na sua interpretação particular e pouco ortodoxa da influência dos ensinamentos cristãos sobre a vida após a morte. Antes do final do século II, a data provável em que foi escrito, os Cristãos - Gnósticos ou Ortodoxos - estavam lutando contra certos desafios e dúvidas:
  • Esta vida era demonstrável filosoficamente (como Sócrates havia discutido em Fédon?
  • Que formato teria? (A imortalidade da Alma? A Ressurreição dos corpos? A reencarnação?)
  • Quando se daria esta vida? (Na morte? No retorno de Cristo? Quem dera até mesmo antes da morte?)
Os ensinamentos do Novo Testamento são ambíguos sobre estes pontos, ainda que dentro da Igreja haja um acordo sobre pelo menos dois destes temas: o modelo e a base para a esperança de vida eterna eram a Ressurreição de Jesus e a ressurreição dos indivíduos implicaria na retenção de suas identidades pessoais[1]
Neste tratado, a ressurreição não pode ser advinda da discussão filosófica, mas apenas na fé na ressurreição do Senhor. Ela aparece primeiro na encarnação, morte e ressurreição do Senhor, que é representada para seus discípulos como o Sol revelando seus raios[2].

A forma desta ressurreição é expressada em relação com a separação do homem interior após a morte do corpo físico, para colocar uma vestimenta de luz (raios do Sol). Os seguidores mais fiéis, assim, participam pela fé do dom da ressurreição do Senhor[2], uma doutrina também apresentada explicitamente no Evangelho de Filipe[3].

O escritor é certamente Cristão e sua fé está firmemente plantada no Novo Testamento. Porém, o texto revela algumas características típicas do Valentianismo, como a crença de que a ressurreição já havia chegado ou a noção da restauração da alma ao Pleroma depois de uma deficiência. Há ainda a crença de Jesus seria um Aeon[2].

Aeon (gnosticismo)


Éon, eão, eon ou ainda aeon AIÓN significa,
em termos latos,
um enorme período de tempo, ou a eternidade. 
A palavra latina aeon, significa "para sempre".
Ela é derivada do grego αιών (aión), 
cujo um dos significados 
é "um período de existência" ou "vida".

Significado

Platão usou a palavra aeon para denotar o mundo eterno das ideias, que ele concebia como se estivesse "atrás" do mundo perceptível, como demonstrado em sua famosa alegoria da caverna. Assim, em termos filosóficos ou em história da religião, no gnosticismo e no neoplatonismo, refere-se à entidade intermédia entre a divindade suprema e o mundo perceptível ao pensamento.

Em alguns sistemas gnósticos, as várias emanações do Ser Supremo, o Mônade, são chamadas aeons. Este Ser primordial também era um aeon e tinha um ser dentro de si mesmo chamado Ennoea (Pensamento), Charis (Graça), ou Sige (Silêncio).

O ser perfeito dividido
concebeu o segundo aeon, Caen (Poder) em si mesmo. 
Junto com o aeon masculino Caen
veio o aeon feminino Akhana (Verdade, Amor).

Os aeons frequentemente aparecem em pares masculino/feminino chamados Sizígias e são bastante numerosos. Dois frequentemente listados são Jesus e Sophia.

Juntos, 
os aeons constituem o Pleroma,
a "região da Luz". 

As regiões abaixo do pleroma
estão mais perto da escuridão, 
como o mundo físico.

Quando o aeon chamado Sophia emanou sem o seu "aeon parceiro", o resultado foi o Demiurgo, ou semi-criador (às vezes chamado de Yaldaboth nos textos gnósticos), uma criatura que nunca deveria ter existido. Ele nunca pertenceu ao pleroma, e o Uno emanou dois aeons, Cristo e o Espírito Santo, para salvar o homem do Demiurgo.

Cristo 
então tomou a forma de homem, Jesus, 
para poder ensinar aos homens 
como adquirir a gnosis, 
e assim retornar ao Pleroma.

Referências


  1. ↑ Tratado sobre a Ressurreição em Early Christian Writings, em inglês
  2. ↑ a b c Robinson, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Treatise on the Resurrection (Malcom Peel) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990.
  3. ↑ Robinson, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Gospel of Philip (trad. Wesley W. Isenberg) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990.

Ligações externas- La Bibliothèque copte de Nag Hammadi, em francês 

O Tratado Tripartite
é um texto Gnóstico do século III ou IV dC
encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi. 
Ele é o quinto tratado no primeiro códice, 
conhecido como Codex Jung

Conteúdo

O Tratado lida primordialmente
com a relação entre os Aeons e o Filho.
Ele é dividido é três partes, que tratam:
  • Do determinismo do Pai e o livre-arbítrio da hipóstase dos Arcontes.
  • A criação da humanidade, o Mal e a queda do "Anthropos" (Primeiro Homem).
  • Uma variedade de teologias: a tripartição da humanidade, as ações do Salvador e a Ascensão dos salvos para a Unidade.

Veja também

Prece do apóstolo Paulo


A Prece do apóstolo Paulo é o primeiro manuscrito do Codex I da Biblioteca de Nag Hammadi. Aparentemente, ele foi adicionado ao códice após os tratados mais longos terem sido copiados. Embora o texto, assim como nos demais códices, ter sido escrito em cóptico, o título está em grego, que era sua língua original. Estão faltando aproximadamente duas linhas no início do texto[1].

Conteúdo


O texto foi claramente escrito por um pseudónimo e não é de autoria do apóstolo Paulo. Ele tem um claro apelo gnóstico ao contrário das epístolas reconhecidamente de Paulo. Muitos especialistas o atribuem como um texto valetiniano por causa de frases típicas como Pleroma e Arconte[1] - o que indicaria que o texto tenha sido composto entre 150 e 300dc. Especialistas encontraram paralelos com outros trabalhos encontrados nos outros códices em Nag Hammadi, inclusive o Discurso sobre o oitavo e o nono e a Prece de ação de graças (ambos da Hermetica), As três estelas de Seth, o Evangelho de Filipe e as Exposições Valentinianas [2].

Texto do Manuscrito (traduzido)


Codex I (Codex Jung) - Primeira Seção - Prece do apóstolo Paulo

(Cerca de duas linhas foram perdidas) ..., Conceda-me sua misericórdia! Meu Redentor, redima-me, pois eu sou Seu; venho diante de ti. Você é meu entendimento: eleva-me! Você é minha casa do tesouro; abra-te para mim! Você é minha plenitude, leva-me contigo! Você é meu repouso; Conceda-me a palavra perfeita que não pode ser apreendida!


Eu invoco aquele que é desde o princípio exaltado sobre todo nome, em nome de Jesus Cristo, Senhor dos Senhores, Rei dos séculos; Conceda-me seus dons, e não se arrependerá, através do Filho do Homem, e do Espírito Auxiliador da Verdade. Dê-me autoridade quando te pedir; Conceda cura para meu corpo quando vos peço através do Mensageiro da Salvação, e redima minha eterna alma de luz e meu espírito. E o Primogênito da Plenitude da graça seja revelado em meu entendimento!


Concede-me o que nenhum olho de anjo viu e nem o ouvido dos governantes desta era tenha entendido e o que não tenha entrado no coração humano que veio para ser angélico e exemplar segundo a imagem do Deus Filho quando foi formado no princípio, pois tenho fé e esperança naquele que esta acima de mim, o Amado, o Eleito, o Bem-Aventurado, o Primogênito, o Unigênito, e o maravilhoso mistério de sua casa; pois Seu é o poder e a glória e o louvor e a grandeza para sempre e sempre.

Amém.

Apócrifo de Tiago


O Apócrifo de Tiago, também conhecido pela tradução do seu título - o Evangelho Secreto de Tiago (ou Livro Secreto de Tiago) - é um texto pseudónimo dentre os Apócrifos do Novo Testamento. Ele descreve os ensinamentos secretos de Jesus a Pedro e Tiago, o Justo, passados no período entre a Ressurreição e a Ascensão.


Um tema central é o de que é preciso aceitar o sofrimento como inevitável. A proeminência de Tiago e Pedro sugerem que o trabalho se originou na comunidade judaico-cristã. Não há dependência dos textos canônicos e foi provavelmente escrito do meio para o final do século II dC. Apesar de possuir afinidades Gnósticas, não é possível atribuí-lo a nenhuma seita específica, com alguns estudiosos afirmando que não se trata de um texto de Gnóstico.[1]


Origem


O texto sobrevive num único manuscrito, danificado, na segunda seção do Codex Jung, primeiro dos treze códices encontrados na Biblioteca de Nag Hammadi. Embora o texto pareça ser uma tradução Copta de um original Grego, o autor afirma ter escrito em Hebraico. Por conta das referências à perseguições e martírios, é improvável que o texto tenha sido escrito após 313 dC, quando Constantino I acabou com a perseguição aos Cristãos. Outras pistas sobre o texto indicam que pode ter sido escrito no século II dC, talvez na primeira metade.

Conteúdo


O texto é organizado como uma epístola de Tiago à alguém cujo nome está ilegível por causa de danos ao manuscrito. O autor descreve Jesus elaborando sobre vários assuntos através de pequenos ditos e respondendo questões 550 dias depois da Ressurreição, mas antes de ascender. Jesus passa ensinamentos secretos tanto a Tiago quanto a Pedro, embora ao final apenas o primeiro parece ter entendido o que aconteceu. Assim como no Evangelho de João (João 1:20) e no Evangelho de Maria, neste livro Pedro falhou implicitamente com o movimento Cristão.


Jesus ensina através de frases incomuns e aparentemente contraditórias, e oferece também breves parábolas. Ele convida Pedro e Tiago a entrarem no Reino de Deus com ele, mas eles são distraídos por questões de outros apóstolos e perdem sua chance. Depois, Tiago é descrito como enviando os "Doze apóstolos", indicando que - assim como em outros documentos apócrifos - Tiago inicialmente sucedeu Jesus como líder do movimento.


A curta epístola parece ser independente do resto do texto, sugerindo a alguns que o Apócrifo pode ter se originado como uma coleção de múltiplos textos. A epístola se refere a um "Evangelho Secreto" anterior, que aparentemente se perdeu. No Apócrifo, as discussões sobre martírio e profecia também parecem ser algo separado, indicando um texto original para o corpo principal da obra, que era composta de pequenos ditos. 

Ainda se debate se os paralelos 
mais estreitos com o Novo Testamento 
são decorrentes do último trabalho de junção
dos textos ou diretamente de suas fontes.[2]

Relação com outros textos


Para muitos estudiosos, o tom dos ditados parece um tanto Gnóstico, primordialmente por suas doutrinas não estarem inteiramente de acordo com a interpretação ortodoxa das escrituras canônicas. O manuscrito também foi encontrado em meio a outros explicitamente gnósticos na Biblioteca de Nag Hammadi. Além disso, o texto também uso termos gnósticos, como ao se referir à "Pleroma" como meio de salvação[2].

Porém, as doutrinas do Apócrifo tampouco se adequam aos ensinamentos de Valentim ou outras cosmologias gnósticas mais desenvolvidas e portanto ele não é usualmente contado entre os textos verdadeiramente Gnósticos.

Muitos dos ditos parecem ser compartilhados com os Evangelhos canônicos e o texto inclui esta referências a outros ditos:


“ Era suficiente para algumas pessoas prestar atenção aos ensinamentos e entender 'Os Pastores' e 'A Semente' e 'O Edifício' e 'As Lâmpadas das Virgens' e 'A Recompensa dos Trabalhadores' e o 'Drachma Duplo' e o 'A Mulher'. ”
— Tiago, Apócrifo de Tiago[2].

As referências à salvação através "da Cruz" parece implicar familiaridade com as Epístolas paulinas, ou pelo menos com os ensinamentos de Paulo. Contudo, na sua introdução o pseudo-Tiago diz: "E quinhentos e cinquenta dias após ele se levantar dos mortos, nós dissemos a ele:..."[2], o que é um período consideravelmente mais longo que os quarenta dias que Lucas apresentou nos Atos dos Apóstolos para a Ascensão de Jesus.

Alguns entendem que isto implica que o Apócrifo de Tiago foi transmitido pela tradição oral e que a comunidade que o escreveu rejeitava ou não conhecia os Atos escritos por Lucas. Por outro lado, Ireneu, certamente familiar com o trabalho de Lucas, apresentou dezoito meses como período das aparições de Jesus em seu Adversus Haereses[3]
Fonte:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aeon_%28gnosticismo%29
Sejam felizes todos os seres Vivam em paz todos os seres
Sejam abençoados todos os seres