domingo, 10 de fevereiro de 2013

ORGONOMIA - BREVE APRESENTAÇÃO




BREVE APRESENTAÇÃO DA ORGONOMIA

Já no início de sua obra científica, na década de 1920, Reich identificou-se com as teorias que especulavam sobre uma energia biológica específica. Ao mesmo tempo, sentia-se muito incomodado com o fato de essas hipóteses não poderem ser testadas pelos rigorosos critérios da pesquisa científico-natural.


Mas, além da empatia intelectual por aquelas postulações, Reich tinha um outro bom motivo para especular sobre uma energia que é específica ao vivo: "as sensações de motilidade" em seu próprio organismo. Sensações que não eram, contudo, suficientes para responder a uma questão que Reich considerava central: como acessar empiricamente aquele específico processo energético?

Partindo de constructos provenientes da Psicanálise (principalmente, os conceitos de "impulso" e "libido"), da Filosofia (especialmente, a idéia de um élan vital, do filósofo francês Henri Bergson) e das teorias dos Biólogos Vitalistas (que postulavam uma singular energia biológica), Reich inicia, então, sua pesquisa, apoiando-se, em um primeiro momento, exclusivamente na prática clínica. E logo desenvolve um nova terapêutica (a Análise do Caráter) que funcionará, simultaneamente, como uma bússola para o trabalho clínico e como um  instrumento para a compreensão da dinâmica do processo energético nos seres humanos. 


A simultaneidade impulso/defesa, a potência  orgástica, a dependência dos conteúdos psíquicos em relação ao estado energético, as pequenas descargas que promovem  aumentos de carga, o trabalho sistemático com as defesas e várias outras descobertas,  pertencem à essa primeira etapa da pesquisa energético-funcional de Reich.

Em um segundo momento, a pesquisa de Reich sobre os processos energéticos transita e interliga dois territórios: a prática clínica e o trabalho laboratorial. Entre 1934 e 1939, Reich desenvolve uma segunda técnica terapêutica (a vegetoterapia caractero-analítica) e empreende dois grandes projetos laboratoriais (os experimentos bio-elétricos e os experimentos bions). Interessado, então, em investigar experimentalmente a natureza da energia vital humana, Reich realiza uma série de pesquisas biofísicas e descobre, descreve e analisa minuciosamente as manifestações de uma energia bio-elétrica. Logo em seguida, o encadeamento de suas pesquisas conduziu-o a um outro, difícil e polêmico território: a biogênese. Sempre acompanhando a lógica funcional inerente às suas pesquisas, Reich descobre, ao longo do período 1936-1939, uma grande variedade de vesículas de energia que habitam as fronteiras entre o vivo e o não-vivo.

Aquelas vesículas ou "bolhas" de energia (os bions) comprovaram, enfim, a existência de uma energia biológica específica. E indicaram as rotas experimentais que, logo em seguida,  conduziram à descoberta  que aquela energia, inicialmente visualizada apenas em culturas de bions, também estava presente na atmosfera. 


À essa energia, descoberta em 1939 no domínio do Vivo e detectada,
em 1940, no universo inanimado, Reich nomeou como "Energia Orgone Cósmica". 


Nasce, então, a Orgonomia (a ciência que investiga as manifestações da energia orgone nos domínios do vivo e do não-vivo, do orgânico e do inorgânico, no micro e no macro cosmos), o Funcionalismo Orgonômico (um específico método que espelha a dinâmica dos fenômenos orgonóticos), a Orgonoterapia (a experiência da análise do caráter e da vegetoterapia somadas às descobertas orgononômicas) e vários outros e promissores ramos de pesquisa. 


Reich não considerava a Orgonomia apenas como mais uma etapa de sua obra; considerava-a, principalmente, como a expressão da totalidade de seu trabalho científico-natural.

CAP. I I — DIREÇÕES CENTRAIS


Por Orgonomia nós entendemos uma nova forma de fazer ciência, desenvolvida por Wilhelm Reich a partir de uma inter-relação, de uma autêntica mescla entre duas direções de trabalho: a investigação dos processos energético-funcionais (orgonóticos) e o desenvolvimento de uma nova metodologia de pensamento e pesquisa. Ao longo de toda a obra de Reich essas duas tendências retroalimentaram-se continuamente, resultando em um processo de criação científica onde cada nova descoberta aprimorava o método de investigação e cada avanço na elaboração do método abria novos caminhos na pesquisa experimental.

Tomando como ponto de partida as hipóteses dos teóricos Vitalistas sobre uma energia biológica específica, os conceitos freudianos de impulso e libido, a sua própria experiência pessoal e o trabalho clínico, Reich inicia sua obra científico-natural investigando sistematicamente o fenômeno da convulsão orgástica do plasma. Gradualmente, essa inédita pesquisa conduziu à descoberta de uma específica dinâmica dos impulsos no ser humano, depois à uma energia de características bio-elétricas, e, por fim, à um outro tipo de energia que, em sua forma primária, é livre-de-massa.


 À essa energia básica, vital e universal que se manifesta nos domínios do Vivo e do não-Vivo, no micro e no macro-cosmos, Reich denominou como Energia Orgone Cósmica.

Simultaneamente à pesquisa das funções orgonóticas, Reich empenhou-se intensamente na elaboração de um método de pesquisa que, caminhando das sensações de órgão do pesquisador às operações organizadoras do pensamento, pudesse expressar a específica dinâmica e a lógica não-mecânica dos processos energéticos básicos, tanto no domínio do Vivo quanto no do não-Vivo. Um empenho que, por fim, resultou no Funcionalismo Orgonômico e na Orgonometria (a interação entre a concepção orgonômico-funcional e as leis matemáticas).

Um pouco mais adiante, voltaremos a falar sobre Energia Orgone, convulsão orgástica, etc. Mas, antes, comentaremos um dos mais espetaculares desdobramentos da pesquisa reichiana: o equacionamento funcional entre forma e processos orgonótico-funcionais.




CAP. III — FORMA E PROCESSOS ENERGÉTICOS

Como se sabe, Reich possuía uma grande habilidade e sensibilidade para a percepção de movimento, de texturas, de cores e das sutis transformações dos fenômenos. 

Além dessa habilidade natural, Reich desenvolveu sua pesquisa em uma atmosfera cultural que favoreceu e estimulou a pesquisa da forma em vários setores. Um bom exemplo disso são as correntes estéticas que surgiram nas três ou quatro primeiras décadas do século XX. Nesse período, o anseio pela experimentação, por um lado, e a ruptura com várias concepções formais tradicionais, por outro, resultaram em movimentos de vanguarda que, quase simultaneamente, "pipocaram" em vários locais: 

—  Na Alemanha, a Bauhaus de Weimar e Dessau foi o berço de inovações conceituais e estéticas em várias áreas (design, arquitetura, pintura, etc). As bases para muitas dessas inovações podem ser observadas nas pinturas e nas aulas de Kandinsky e de Klee, professores da Bauhaus. Em seus escritos, Kandinsky se refere à forma como expressão da necessidade interior.



—  Na então URSS surgem vários movimentos de vanguarda. O encenador Meyerhold acreditava que o trabalho do ator deveria estar submetido às leis da forma na arte, e o cineasta Einsenstein mesclou, em seus filmes, a bio-mecânica de Meyerhold, alguns elementos da composição pictórica dos ideogramas orientais e, a partir da troca de correspondência com Reich, algo da teoria do orgasmo.


—  No Brasil, as inovações e experimentações estéticas dos modernistas resultam em obras tais como o famoso Abaporu de Tarsila do Amaral, no qual os traços arredondados sugerem justamente aquela forma básica universal que Reich, no contexto de sua pesquisa, designará como orgonome:


—  Nos EUA, Georgia O'Keeffe faz belíssimas pinturas e esculturas, explorando, de maneira magistral, a forma-orgonome e suas variações:


Certamente contaminado por esse clima artístico-cultural, Reich, já nos primórdios de seu trabalho, revela um grande interesse pela questão da forma e aponta os benefícios que a leitura de forma pode trazer para o trabalho clínico-terapêutico (vide o artigo "Sobre a Especificidade das Formas de Onanismo", de 1922).

Mas essa pesquisa sobre a importância e a dinâmica dos elementos formais dá seu primeiro grande salto à medida que Reich desenvolve, entre 1923 e 1934, uma nova metodologia terapêutica — a técnica da análise caracterial:


"Ao longo do desenvolvimento da teoria da análise do caráter, tornei-me hábil em reconhecer e observar funções puramente formais, de maneira que meu interesse deteve-se não apenas nos novos fatos que emergiam, mas também, muito fortemente, no processo de descoberta e composição ('arranging') em si mesmo" [Orgonomic Functionalism in Non-Living Nature (1947-48)]
Posteriormente, esse aprendizado será aprimorado e aplicado, sem exceção, a todos os domínios nos quais Reich pesquisou:  


— biofísica (as formas de oscilação da bio-eletricidade)
— biogênese (as formas de movimento dos bions),
— "biologia" (as formas do movimento expressivo do plasma),
— física-orgone (as formas de movimento da Energia Orgone Cósmica)
— astrofísica-orgone (a forma de deslocamento da galáxia, a forma de movimento das auroras boreais e furacões)     
— trigonometria do orgonome (a forma específica da matéria viva). 


 Transitando entre a terapêutica e o trabalho laboratorial, esse conjunto de pesquisas inter-relacionará funcionalmente forma e movimento, massa e processos energéticos primários.


CAP. IV — ORGONOME

Como já mencionamos, o desenvolvimento lógico, funcional e laboratorial da pesquisa de Reich conduziu à comprovação experimental (1936-1939) de um novo tipo de energia específica ao vivo, e, logo em seguida (1940), à descoberta que aquela mesma energia está presente na atmosfera e no cosmos.

Reich nomeou esse "novo" tipo de energia como Energia Orgone Cósmica, e dedicou aproximadamente 20 anos de seu trabalho à uma minuciosa investigação das manifestações, leis funcionais e utilidades práticas do Orgone. 

[Em vários livros e artigos Reich descreve suas pesquisas sobre as funções energético-vitais, relata os caminhos que levaram-no à descoberta dos fenômenos orgonóticos e apresenta o seu método orgonômico-funcional de pensamento e pesquisa. Um bom começo, para quem quer saber mais a respeito da descoberta do Orgone, é o livro de Reich The Cancer Biopathy (1948)].

Entre 1944 e 1945, durante um rotineiro projeto de trabalho no laboratório de biofísica-orgone — o Experimento XX — , Reich observou alguns intrigantes fenômenos que, aos poucos, irão colocá-lo na rota da biogênese primária. No decorrer daquele experimento, Reich resolveu investigar os efeitos do congelamento de água destilada que havia contido bions (os bions são vesículas de energia, descobertas por Reich, que representam estágios intermediários, fronteiriços entre o Vivo e o não-Vivo). Notou, então, que aquele processo de congelamento resultava em microscópicos flocos protoplasmáticos que apresentavam 

"todos os atributos da matéria viva:
 formação morfológica, pulsação, reprodução, 
crescimento e desenvolvimento
[Cosmic Superimposition (1951)]. 

Somando essa descoberta à outras, provenientes da pesquisa das funções orgonóticas, Reich concluiu que a matéria orgânica pode se formar a partir da condensação de energia orgone livre de massa

[A descrição dos Experimentos Bions e do Experimento XX, assim como seus detalhes técnicos e suas fundamentais repercussões para a biogênese e para a Orgonomia, podem ser encontrados nas seguintes obras escritas por Reich: The Bions (1938) (esse livro trata das primeiras etapas da descoberta dos bions), Orgonomic Functionalism in Non-Living Nature (1947-48), The Cancer Biopathy (1948) e Cosmic Superimposition (1951)].

Aqueles flocos plasmáticos —  bions, eles também —  eram "formas que não se podia ainda chamar de 'seres vivos' no sentido aceito pela biologia, mas que já apresentavam a aparência típica dos organismos vivos". Ou seja: os flocos   lembravam peixes, girinos, espermatozóides, folhas de árvore.

Associando as descobertas do Experimento XX a uma longa cadeia de pesquisas que  transitava entre o trabalho terapêutico e a investigação laboratorial, Reich concluiu que "existe uma forma básica da matéria viva que não encontra correspondência na geometria clássica. Vista lateralmente, esta forma básica se apresenta da seguinte maneira:




Esta "forma biofísica fundamental " pode ser encontrada nas diferentes sementes de plantas (trigo, milho...); no bulbo das plantas; nos caroços das maçãs, pêras, ameixas...; nas células espermáticas animais; nos ovos (principalmente os de pássaros); nos embriões animais; em todos os órgãos do corpo humano (coração, bexiga, pulmões...); nos organismos unicelulares (paramécios, colpídios...); nos animais e plantas enquanto estruturas de conjunto (medusas, estrelas do mar...); na formação torácica dos pássaros e dos seres humanos...; nas folhas das árvores, nas flores...; etc.




Reich percebeu também que "todas as formas do domínio da matéria viva podem ser facilmente reduzidas à forma ovóide sem que se transgrida as variações individuais de forma. Esta forma básica pode variar quanto ao seu comprimento, largura e espessura. Pode aparecer em subdivisões de uma mesma forma, como nos vermes; porém, quer se considere a parte ou o todo, a forma básica da matéria viva sempre continua sendo a mesma forma ovóide".


"Demos à específica forma básica
 da matéria viva o nome
 ORGONOME".


O Orgonome não é um triângulo, retângulo, círculo, elipse, parábola ou hipérbole. A trigonometria do orgonome indica-nos que a mais pura representação geométrica de um Orgonome é a forma do ... ovo de galinha !

VI - RAÍZES GEOMÉTRICAS DO ORGONOME
Interessado em entender melhor o funcionamento da radiação orgonótica, Reich realizou uma série de observações em caixas Faraday completamente escuras (a caixa ou "gaiola" de Faraday é um compartimento feito com paredes ou capas de metal, que funciona como uma blindagem contra as ondas eletromagnéticas que lhe são externas), e em acumuladores de energia orgone (caixas construídas com camadas intercaladas de material orgânico e inorgânico, que possuem a propriedade de acumular um potencial orgonótico maior do que o da atmosfera que as circundam). 

Dentre as significativas descobertas que resultaram daquelas observações, interessa-nos especialmente, aqui, a visualização de pontos luminosos azul-acinzentados e violeta-profundos que descreviam, no interior daquelas caixas, uma onda espiralada. Com a figura abaixo, Reich procurou esboçar graficamente o singular movimento daqueles pontos luminosos:
Reich isolou um trecho dessa onda, depois curvou-a no centro e aproximou suas extremidades:

                       E lá estava, novamente, a forma-orgonome a que nos referimos no cap. IV.

Reich acreditava que um fato científico era tão mais verdadeiro quanto mais fosse comprovado por distintos ramos de pesquisa. Assim, além das análises geométricas, ele também procurou comprovações da forma-orgonome em outras áreas da pesquisa orgonótico-funcional:
"Poderíamos elucidar este processo a partir da pura trigonometria, sem fornecer comprovação no plano da física-orgone. Mas a convulsão orgástica fornece-nos um argumento biofísico que confere uma grande importância a este processo trigonométrico. O mais notável fenômeno no reflexo do orgasmo é a tendência das duas extremidades do tronco a boca e os genitais de se aproximarem reciprocamente. De fato, foi este fenômeno biofísico que me colocou na pista da origem da forma do orgonome" [Cosmic Superimposition (1951)].
Reich conclui, também, que a "forma" ("estrutura") da matéria viva nada mais representa do que energia orgone congelada; e que as características desta forma congelada devem, de alguma maneira, expressar as originais formas de movimento da Energia Orgone Cósmica. Assim, o movimento pulsátil-mecânico dos fluidos corpóreos deve indicar algo sobre as direções pulsáteis-orgonóticas que habitam os níveis mais profundos de funcionamento dos seres vivos, direções que, por sua vez, derivaram-se do próprio oceano de Energia Orgone Cósmica, livre de massa. Comparando a forma de movimento das ondas de excitação nas células cancerosas (um movimento interno, portanto) com o desenho que os colpídeos traçam quando se locomovem no espaço (um movimento externo, portanto), Reich percebeu que, em ambas os casos, a onda espiralada estava presente:


"Esta harmonia na forma do movimento das partículas de energia, corrente do plasma, ondas de excitação orgonóticas e a forma dos órgãos, não pode ser mera coincidência. É obviamente governada por uma lei comum do movimento, revelada repetidas vezes nas formas individuais dos movimentos e das estruturas. " [Cosmic Superimposition (1951)]
O crescimento de uma concha, como notou Reich, é um processo que ilustra de maneira didática a forma-orgonome:
Reich diferenciou três estados do movimento orgonótico:
1) o movimento espiralado presente nas ondas de excitação orgonótica, no protoplasma e na lomoção dos protozoários;
2) a forma-orgonome dos órgãos animais e dos organismos (movimento orgonótico congelado); e
3) a forma-orgonome do corpo animal em repouso (um estágio intermediário entre movimento energético e matéria sólida).

Mas voltemos à pista que Reich vinha seguindo: no domínio do Vivo, as formas "estruturalizadas", "materiais" devem expressar as propriedades da Energia Orgone em seus estados mais ou menos primários (livres de massa).

 Do Experimento XX, Reich havia descoberto que, no congelamento da água de bions, uma pequena parcela da Energia Orgone presente no fluído "estruturalizava-se", formava matéria. Uma expressão dessa "estruturalização" eram as membranas curvilíneas dos variados flocos protoplasmáticos que surgiram durante o Experimento. 

Contudo, o fato de as membranas assumirem uma forma curvilínea não significava que o movimento orgonótico, espiralado, havia desaparecido ou se transformado completamente em estruturas materiais. As pesquisas de Reich sobre o funcionamento do organismo vivo demonstraram que a estrutura material "membrana" está funcionalmente acoplada a um orgonome bioenergético. Na verdade, é justamente esse orgonome 'energético' que "conduz à formação do orgonome material. A forma dos órgãos reflete a forma do movimento energético original" [Cosmic Superimposition (1951)]
[A observação de seres unicelulares foi uma atividade fundamental na elaboração dessas descobertas. Aquelas minuciosas observações forneceram importantes subsídios para a compreensão dos primitivos níveis do funcionamento bioenergético, e possibilitaram a inter-relação funcional entre fenômenos do microcosmos e funções orgonóticas acessadas em outros "ramos" da pesquisa de Reich (como, por exemplo, as funções que eram descobertas ao longo da prática orgonoterapêutica)].

Ao estabelecer relações entre o orgonome-energético (que remete aos mais profundos níveis de funcionamento da Energia Orgone livre de massa) e o orgonome-material (que, com maior ou menor fidelidade, guarda características do Orgonome-energético), Reich concluiu que
"A específica forma orgonome da matéria viva e de seus órgãos resulta de uma oposição entre energia orgone livre-de-massa e energia orgone congelada que tornou-se matéria membranosa. O orgone livre-de-massa sempre procura abrir caminho para além do confinamento da membrana. O orgonome bio-energético é distendido e aberto; o orgonome material é fechado"[C
osmic Superimposition (1951)]
VII - A SUPERPOSIÇÃO ORGONÓTICA

Reich constatou que as correntes orgonóticas espiraladas podiam se superpor e se fundir. E descobriu, também, que essa superposição e fusão entre duas ou mais correntes espiraladas de energia orgone representa um dos processos energéticos mais básicos da Natureza, presente em fenômenos aparentemente tão distintos quanto o reflexo orgástico e o funcionamento das galáxias, auroras boreais e furacões.

No domínio do microcosmos, as promissoras direções de pesquisa que nasceram com a clara formulação do processo de superposição permitiram à Reich ampliar consideravelmente a compreensão energético-funcional sobre a convulsão orgástica do plasma. Na interação entre dois organismos orgonoticamente excitados, Reich notou que
"Enquanto a energia de um organismo flui para o sistema energético do segundo organismo, a energia orgone livre de massa realmente consegue transcender os limites do orgonome material, ou seja, o organismo, e, ao fundir-se com um sistema orgonótico que lhe é externo, continua a fluir".[Cosmic Superimposition (1951)]
No domínio do macro-cosmos, Reich descobriu que a superposição galáctica, cósmica, apresenta a "mesma forma básica da superposição organísmica e micro-orgonótica" [Cosmic Superimposition(1951)].
Em fenômenos galácticos tais como o da foto acima, Reich chamou a atenção para a forma de interação entre os braços da nebulosa, apontando o quão evidente é o fenômeno da superposição dos braços espiralados. E hipotetizou que a criação das nebulosas espirais enraiza-se na superposição de duas ou mais correntes de energia orgone cósmica:
"Assim, não é a matéria, as partículas ou a poeira, mas a energia orgone primordial que constituiria a 'substância' original de onde as galáxias são produzidas. É claro que esta hipótese tende a competir com a teoria atômica, que coloca as partículas materiais em forma de 'poeira cósmica' na raiz de toda criação cósmica. A hipótese energética, orgonômica, exige que a matéria emerja da energia orgone por meio da superposição no domínio microcósmico, do mesmo modo que galáxias inteiras emergem por meio da superposição no domínio macrocósmico." [Cosmic Superimposition(1951)]
A aurora boreal foi outro fenômeno que corroborou as hipóteses sobre a superposição cósmica de correntes de energia orgone. 
Reich iniciou seus estudos sobre a aurora boreal quando morava na Noruega, como demonstra uma nota de 21/08/39, escrita em seu diário:

 "Não há dúvida que as [auroras boreais] são energia orgone: cor azul-esverdeada, intensa ionização no ar, o Polo Norte, não compreendida até agora, movimento lento."(Beyond Psychology - Letters and Journals - 1934-1939)

Nos EUA, os significativos e contínuos desenvolvimentos da orgonomia proporcionaram uma compreensão mais ampla sobre esse belo e intrigante fenômeno. Além de descobrir que as auroras boreais estão sujeitas às leis da superposição orgonótica, Reich pôde, também, determinar a natureza das duas correntes orgonóticas luminescentes que se fundem e formam a aurora a corrente orgonótica galática e a corrente orgonótica equatorial (planetária).

CAP. VIII - EM SUMA...
A lógica funcional inerente ao trabalho de Reich conduziu ao estudo de fenômenos aparentemente muito distintos e distantes, tais como o amor, a convulsão orgástica, o movimento bioenergético dos protozoários, os bions, as auroras boreais, os furacões, a formação dos desertos, as galáxias, as funções gravitacionais e anti-gravitacionais, etc.

Sempre amparado por esse amplo trabalho experimental, por essa vasta pesquisa que se estende do micro ao macro-cosmos, Reich realizou, em nossa opinião, ao menos dois significativos e indissociáveis feitos científicos:

   Demonstrou que uma "força", a Energia Orgone Cósmica, está na base do movimento/funcionamento dos seres vivos e dos corpos celestes, e identificou experimentalmente, nesse motor primordial, várias funções energético-funcionais (entre elas, a forma-orgone de que falamos nos capítulos anteriores)

   Sistematizou os princípios básicos que espelham a dinâmica funcional dos processos energéticos vitais, que refletem o funcionalismo energético presente em toda a Natureza (os resultados dessa sistematização foram expostos nas obras que tratam do Funcionalismo Orgonômico e da Orgonometria).

Mas gostaríamos de lembar ao(à) leitor(a) que, apesar da grandiosidade da obra de Reich, a Orgonomia tem à sua frente perspectivas infinitas de desenvolvimento. Estejamos nós, orgonomistas, trabalhando nos laboratórios de biofísica-orgone e física-orgone, desenvolvendo a prática e a teoria da orgonoterapia ou contribuindo para o desenvolvimento do método reichiano de pesquisa, é-nos impossível deixar de sentir, todo o tempo, que ainda há muito a desenvolver, redimensionar e, principalmente, aprender e apreender. 


[Uma prova disso são os trabalhos desenvolvidos pelos orgonomistas que se seguiram à Reich, tais como as pesquisas que nós, da Associação Wilhelm Reich do Brasil e do Instituto Wilhelm Reich de Chile, temos realizado nos últimos vinte anos e que resultaram em uma orgonoterapia dirigida às estruturas atuais de funcionamento, aos assim chamados "pacientes fronteiriços" ou "estruturas virtuais" (você pode encontrar mais informações sobre nossa Orgonoterapia Funcional Intermediária ou Arte Org em www.orgonome.com)].


Mas seja qual for o caminho que o pesquisador reichiano venha a tomar, acreditamos que aprender sobre a Energia Orgone e suas funções significa, em última instância e inevitavelmente, aprender sobre a profundidade de si mesmo. Reich foi, obviamente, o primeiro a perceber esse processo de retroalimentação, cuja veracidade pode ser confirmada em nossos consultórios, laboratórios ou, simplesmente, quando conseguimos olhar e "sentir" um pôr-do-sol...


Fonte:
"
WILHELM REICH -
BIOGRAPHICAL MATERIAL.
  HISTORY OF THE DISCOVERY OF THE LIFE ENERGY  
(EUROPEAN AND AMERICAN PERIOD, 1920-1952)",
ORGONE INSTITUTE PRESS, 1953


Organizador: Ailton Bedani   

B  C  D  E  F  G  H   I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S   T  U  V  X  Z
A
ANORGONIA
Condição [que expressa] a diminuição ou carência de orgonicidade ("The condition of diminished or lacking orgonity").
ANÁLISE DO CARÁTER
Originalmente, uma modificação da costumeira técnica psicanalítica da análise dos sintomas através da inclusão do caráter e da resistência de caráter no processo terapêutico. Contudo, a descoberta da couraça muscular requereu o desenvolvimento de uma nova técnica, a vegetoterapia. A posterior descoberta da energia orgone organísmica ("bio-energia") e a concentração de energia orgone atmosférica em um acumulador de energia orgone exigiram o subseqüente desenvolvimento da vegetoterapia caractero-analítica em uma orgonoterapia biofísica.
ANGÚSTIA ESTÁSICA
A angústia causada pela estase de energia sexual no centro do organismo quando a descarga orgástica periférica encontra-se inibida.


B
BIONS
Vesículas de energia que representam estágios de transição entre as substâncias viva e não-viva. Formam-se constantemente na natureza através de um processo de desintegração da matéria orgânica e inorgânica, processo que é passível de reprodução experimental. Os bions contém energia orgone, isto é, Energia Vital e podem se desenvolver em protozoários e bactérias.

C
CARÁTER
Estrutura típica do indivíduo, sua maneira estereotipada de agir e reagir. O conceito orgonômico de caráter é funcional e biológico, não um conceito estático, psicológico ou moralista. 
CARÁTER GENITAL
A estrutura de caráter não-neurótica, que não padece de estase sexual e que, conseqüentemente, é capaz de uma auto-regulação natural fundamentada na potência orgástica.
CARÁTER NEURÓTICO
O tipo de caráter que, devido a uma estase bioenergética crônica, funciona em concordância com o princípio da regulação moral compulsiva.
COURAÇA DO CARÁTER
A soma total das atitudes caracteriais típicas que o indivíduo desenvolve como um bloqueio contra seus impulsos ("excitations") emocionais, resultando em rigidez corporal, perda de contato emocional, "amortecimento" ("deadness"). Funcionalmente idêntica à couraça muscular.
COURAÇA MUSCULAR
A soma total das atitudes musculares (espasmos musculares crônicos) que o indivíduo desenvolve como um bloco contra a irrupção de emoções e sensações de órgão, particularmente angústia, raiva e excitação sexual.

D
DEMOCRACIA DO TRABALHO
O funcionamento, entre seres humanos, de relações de trabalho naturais e intrinsecamente racionais. O conceito de democracia do trabalho representa a instituída realidade (não a ideologia) destas relações que -- embora freqüentemente distorcidas devido ao encouraçamento em voga e às ideologias políticas irracionais -- estão, contudo, na base de toda realização social.

E
ECONOMIA-SEXUAL
O corpo de conhecimentos dentro da orgonomia que trata da economia da energia (orgone) biológica no organismo,  da casa da energia.
ESTASE
O represamento da energia orgone no organismo - portanto, a fonte de energia para a biopatia e o irracionalismo.
ENERGIA ORGONE
Energia Cósmica Primordial; universalmente presente e possível de ser demonstrada visualmente, termicamente, eletroscopicamente e através do contador Geiger-Mueller. No organismo vivo: Bio-energia, Energia Vital. Descoberta por Wilhelm Reich entre 1936 e 1940.

F
FUNCIONALISMO ORGONÔMICO ("ENERGÉTICO")
A técnica funcional de pensamento que norteia a pesquisa orgonômica clínica e experimental. Tem como principal diretriz  a identidade das variações em seu princípio de funcionamento comum (PFC). Esta técnica de pensamento desenvolveu-se durante o estudo da formação do caráter humano e conduziu à descoberta da funcional energia orgone organísmica e cósmica, provando, assim, ser o correto espelhamento dos processos naturais básicos, tanto no vivo quanto no não-vivo. 
G/H
I
IMPOTÊNCIA ORGÁSTICA
A ausência de potência orgástica. A [impotência orgástica] é a característica mais importante do comum e corrente ser humano de hoje; devido ao represamento da energia biológica (orgone) no organismo, ela alimenta a fonte de energia de todo tipo de sintomas biopáticos e de irracionalismo social.


J /K/L/M
N

NEUROSE ESTÁSICA
Todos os distúrbios somáticos que são o resultado imediato da estase de energia sexual, tendo como seu núcleo a angústia estásica .
O
ORANUR
Diz respeito a energia orgone em um estado de excitação induzido por energia nuclear (DOR significa "Deadly" OR Energy, Energia Orgone Mortal)
ORGASMO
A unitária e involuntária convulsão do organismo como um todo no acme do abraço genital. Este reflexo, devido a sua natureza involuntária e à prevalência da angústia orgástica, está bloqueado na maioria dos humanos de civilizações que suprimiram a genitalidade de crianças e adolescentes.
ORGONICIDADE ("ORGONOTY")
A condição de confinar energia orgone; a quantidade de energia orgone confinada. ("The condition of containing orgone energy; the quantity of orgone energy contained")
ORGONOMETRIA
Pesquisa orgonômica quantitativa.
ORGONOMIA
A ciência natural [que investiga a] energia orgone cósmica ("The natural science of the cosmic orgone energy") 
ORGONOTERAPIA
Orgonoterapia Física: Aplicação da energia orgone em estado natural ("physical"), concentrada em um acumulador de energia orgone, para aumentar resistência bioenergética natural do organismo contra a doença.
Orgonoterapia Psiquiátrica: Mobilização da energia orgone no organismo, isto é, a liberação de emoções biofísicas dos encouraçamentos muscular e caracterial, com o objetivo de estabelecer, se possível, a potência orgástica.
ORGONÓTICO
Qualidades referentes à orgonicidade de um sistema ou uma condição ("Qualities concerning the orgonity of a system or a condition")

P
PESTE EMOCIONAL
O caráter neurótica atuando destrutivamente na cena social.
POTÊNCIA ORGÁSTICA
Basicamente, a capacidade para uma completa entrega à convulsão involuntária do organismo e à  completa descarga da excitação no acme do abraço genital. A [potência orgástica] sempre está ausente em indivíduos neuróticos. Ela pressupõe a presença ou o estabelecimento do caráter genital, ou seja, a ausência das patológicas couraça do caráter e couraça muscular. Geralmente, a potência orgástica não é [devidamente] diferenciada das potências eretiva e ejaculatória, as quais são apenas pré-requisitos para a potência orgástica. 

Li-Sol-30
Fonte:
www.orgonome.com)
http://www.org2.com.br/orgonomia.htm
http://www.org2.com.br/aviso.htm

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